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Questão de Português — Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos. — VUNESP 2020

PortuguêsSignificação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos.
Código
vu062425
Banca
VUNESP
Órgão
AVAREPREV-SP
Ano
2020
Nível
Superior
Leia o texto para responder à questão. 

O custo de pensar

    Apesar de suas muitas diferenças, todas as espécies humanas têm em comum várias características que as definem. Os humanos têm o cérebro extraordinariamente grande em comparação com o de outros animais. Mamíferos pesando 60 quilos têm um cérebro com tamanho médio de 200 centímetros cúbicos. Os primeiros homens e mulheres, há 2,5 milhões de anos, tinham cérebros de cerca de 600 centímetros cúbicos. Sapiens modernos apresentam um cérebro de 1200 a 1400 centímetros cúbicos.
    Que a evolução devesse selecionar cérebros maiores pode nos parecer óbvio. Somos tão apaixonados por nossa inteligência superior que presumimos que, em se tratando de capacidade cerebral, mais deve ser melhor. Mas, se fosse assim, a família dos felídeos também teria produzido gatos capazes de fazer cálculos, e porcos teriam a esta altura lançado seus próprios programas espaciais. Por que cérebros gigantes são tão raros no reino animal?
    O fato é que um cérebro gigante é extremamente custoso para o corpo. Não é fácil de carregar, sobretudo quando envolvido por um crânio pesado. É mais difícil ainda de abastecer. No Homo sapiens, o cérebro equivale a 2 ou 3% do peso corporal, mas consome 25% da energia do corpo quando este está em repouso. Em comparação, o cérebro de outros primatas requer apenas 8% de energia em repouso. Os humanos arcaicos pagaram por seu cérebro grande de duas maneiras. Em primeiro lugar, passaram mais tempo em busca de comida. Em segundo lugar, seus músculos atrofiaram. Dificilmente pensaríamos que essa é uma boa estratégia para a sobrevivência na savana. Um chimpanzé não pode ganhar uma discussão com um Homo sapiens, mas pode parti-lo ao meio como uma boneca de pano.
    Por mais de 2 milhões de anos, as redes neurais dos humanos continuaram se expandindo, mas, com exceção de algumas facas de sílex e varetas pontiagudas, os humanos tiraram muito pouco proveito disso. Então, o que impulsionou a evolução do enorme cérebro humano durante esses 2 milhões de anos? Francamente, nós não sabemos.

(Yuval Noah Harari. Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, 2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo em destaque está empregado com o mesmo sentido que ocorre em: “Não é fácil de carregar, sobretudo quando envolvido por um crânio pesado. É mais difícil ainda de abastecer”.
  1. AEle já tem muitos brinquedos e você ainda assim lhe comprou mais!
  2. BAinda há pouco falávamos de você.
  3. CQuando cheguei, o filme ainda não havia começado.
  4. DA família mudou-se para uma casa maior ainda.
  5. EÉ um péssimo professor; se ainda fosse paciente...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A família mudou-se para uma casa maior ainda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O sentido de "ainda" no texto: intensidade, não tempo

Gabarito: letra D. No trecho do texto, "É mais difícil ainda de abastecer", o advérbio "ainda" tem valor de intensidade — equivale a "ainda mais", "em grau ainda maior". A alternativa D reproduz exatamente esse sentido: "A família mudou-se para uma casa maior ainda" (= "ainda maior"). A pista está na construção comparativa: no texto, "mais difícil ainda" intensifica a dificuldade; na alternativa D, "maior ainda" intensifica o tamanho.

A questão cobra significação contextual de palavras (polissemia): o mesmo vocábulo "ainda" assume valores diferentes conforme o contexto. Veja o trecho original:

"Não é fácil de carregar, sobretudo quando envolvido por um crânio pesado. É mais difícil ainda de abastecer."

Aqui, "ainda" não indica tempo ("até agora"), nem quantidade ("mais um"), nem concessão ("mesmo que"). Ele reforça a comparação: algo que já era difícil torna-se "mais difícil ainda". É o mesmo uso de "ainda" em frases como "ele é mais inteligente ainda" ou "ela ficou mais bonita ainda".

1Intensidade (comparativo + ainda)
"mais difícil ainda" (texto)
"maior ainda" (gabarito D)
2Concessão
"ainda assim" (A)
3Tempo recente
"ainda há pouco" (B)
4Tempo de continuidade
"ainda não havia começado" (C)
5Condição
"se ainda fosse" (E)
"Ainda" (polissemia)
LEVELsoulevel.com.br
"Ainda" (polissemia): Intensidade (comparativo + ainda) ("mais difícil ainda" (texto), "maior ainda" (gabarito D)); Concessão ("ainda assim" (A)); Tempo recente ("ainda há pouco" (B)); Tempo de continuidade ("ainda não havia começado" (C)); Condição ("se ainda fosse" (E))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ele já tem muitos brinquedos e você ainda assim lhe comprou mais!"

Aqui, "ainda assim" tem valor concessivo — equivale a "mesmo assim", "apesar disso". Não há comparação nem intensidade. O sentido é de oposição/concessão, não o do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Ainda há pouco falávamos de você."

"Ainda há pouco" indica tempo recente ("há poucos instantes"). É o sentido temporal de "ainda", completamente diferente do valor de intensidade do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Quando cheguei, o filme ainda não havia começado."

Aqui, "ainda" tem sentido temporal de continuidade — indica que, até aquele momento, o filme não tinha começado. Não há comparação nem intensificação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A família mudou-se para uma casa maior ainda."

"Maior ainda" = "ainda maior". O advérbio intensifica o comparativo "maior", exatamente como "mais difícil ainda" intensifica "mais difícil" no texto. A estrutura é idêntica: comparativo + ainda para reforçar a gradação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"É um péssimo professor; se ainda fosse paciente..."

"Se ainda fosse" tem valor condicional/concessivo — expressa uma hipótese ("se ao menos fosse"). Não há comparação nem intensidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia do advérbio "ainda". Em cada alternativa, ele assume um valor diferente (concessão, tempo, condição). A chave é identificar o contexto comparativo do texto: "mais difícil ainda" pede um "ainda" que intensifique um comparativo — só a letra D faz isso.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de sentido contextual, substitua o termo por um sinônimo ou expressão equivalente. No texto, "mais difícil ainda" = "ainda mais difícil". Teste essa substituição nas alternativas: só a D aceita "maior ainda" = "ainda maior".

Gabarito: letra D.

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