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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2020

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu062429
Banca
VUNESP
Órgão
AVAREPREV-SP
Ano
2020
Nível
Superior
Leia o texto para responder à questão. 

O custo de pensar

    Apesar de suas muitas diferenças, todas as espécies humanas têm em comum várias características que as definem. Os humanos têm o cérebro extraordinariamente grande em comparação com o de outros animais. Mamíferos pesando 60 quilos têm um cérebro com tamanho médio de 200 centímetros cúbicos. Os primeiros homens e mulheres, há 2,5 milhões de anos, tinham cérebros de cerca de 600 centímetros cúbicos. Sapiens modernos apresentam um cérebro de 1200 a 1400 centímetros cúbicos.
    Que a evolução devesse selecionar cérebros maiores pode nos parecer óbvio. Somos tão apaixonados por nossa inteligência superior que presumimos que, em se tratando de capacidade cerebral, mais deve ser melhor. Mas, se fosse assim, a família dos felídeos também teria produzido gatos capazes de fazer cálculos, e porcos teriam a esta altura lançado seus próprios programas espaciais. Por que cérebros gigantes são tão raros no reino animal?
    O fato é que um cérebro gigante é extremamente custoso para o corpo. Não é fácil de carregar, sobretudo quando envolvido por um crânio pesado. É mais difícil ainda de abastecer. No Homo sapiens, o cérebro equivale a 2 ou 3% do peso corporal, mas consome 25% da energia do corpo quando este está em repouso. Em comparação, o cérebro de outros primatas requer apenas 8% de energia em repouso. Os humanos arcaicos pagaram por seu cérebro grande de duas maneiras. Em primeiro lugar, passaram mais tempo em busca de comida. Em segundo lugar, seus músculos atrofiaram. Dificilmente pensaríamos que essa é uma boa estratégia para a sobrevivência na savana. Um chimpanzé não pode ganhar uma discussão com um Homo sapiens, mas pode parti-lo ao meio como uma boneca de pano.
    Por mais de 2 milhões de anos, as redes neurais dos humanos continuaram se expandindo, mas, com exceção de algumas facas de sílex e varetas pontiagudas, os humanos tiraram muito pouco proveito disso. Então, o que impulsionou a evolução do enorme cérebro humano durante esses 2 milhões de anos? Francamente, nós não sabemos.

(Yuval Noah Harari. Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, 2018. Adaptado)
De acordo com o autor, a ideia de que um cérebro maior é sempre melhor mostra-se
  1. Aequivocada, pois um cérebro grande acarreta também um custo energético maior.
  2. Bacertada, pois foi o tamanho do cérebro que diferenciou o ser humano dos outros animais, impulsionando sua evolução.
  3. Ccorreta, visto que esta característica aumentou as chances de sobreviver na savana.
  4. Dprecipitada, embora o aumento do cérebro não tenha consequências negativas.
  5. Everdadeira, visto que a evolução tende a selecionar cérebros cada vez maiores.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — equivocada, pois um cérebro grande acarreta também um custo energético maior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A ideia de que um cérebro maior é sempre melhor

Gabarito: letra A. O autor considera equivocada a ideia de que um cérebro maior é sempre melhor, porque um cérebro grande impõe um custo energético alto ao corpo. Essa conclusão está ancorada no 3º parágrafo, quando o texto afirma: "O fato é que um cérebro gigante é extremamente custoso para o corpo... No Homo sapiens, o cérebro equivale a 2 ou 3% do peso corporal, mas consome 25% da energia do corpo quando este está em repouso." A alternativa A é a única que reproduz fielmente essa relação de causa e consequência.

A questão é de compreensão (o comando "De acordo com o autor" pede uma paráfrase do texto, não uma dedução). A chave está em localizar a passagem em que o autor refuta a ideia de que "mais deve ser melhor" e explica o porquê: o custo energético. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam, ou restringem indevidamente o que foi dito.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto é explícito ao afirmar que o cérebro grande é "extremamente custoso para o corpo" e que, no Homo sapiens, ele "consome 25% da energia do corpo quando este está em repouso". A alternativa A parafraseia exatamente essa ideia: a ideia de que um cérebro maior é sempre melhor é equivocada porque o cérebro grande acarreta custo energético maior. Não há acréscimo de informação nem restrição indevida — é a reescritura fiel do trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Contradiz o texto. O autor não diz que o tamanho do cérebro foi o que diferenciou o ser humano e impulsionou sua evolução. Pelo contrário, ele questiona essa visão: "Que a evolução devesse selecionar cérebros maiores pode nos parecer óbvio... Mas, se fosse assim, a família dos felídeos também teria produzido gatos capazes de fazer cálculos". Além disso, o texto afirma que "os humanos tiraram muito pouco proveito disso" por mais de 2 milhões de anos. A alternativa inverte a tese do autor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Contradiz o texto. O autor não diz que o cérebro grande aumentou as chances de sobreviver na savana. Pelo contrário, ele afirma: "Dificilmente pensaríamos que essa é uma boa estratégia para a sobrevivência na savana", referindo-se ao custo do cérebro grande (mais tempo em busca de comida e músculos atrofiados). A alternativa C atribui ao texto uma ideia que ele refuta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Contradiz o texto. A alternativa diz que o aumento do cérebro "não tem consequências negativas", mas o texto enumera consequências negativas claras: "Em primeiro lugar, passaram mais tempo em busca de comida. Em segundo lugar, seus músculos atrofiaram." Além disso, o autor não usa a palavra "precipitada" para qualificar a ideia — ele a considera equivocada, não apenas prematura. A alternativa D nega o que o texto afirma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Contradiz o texto. O autor não diz que a evolução tende a selecionar cérebros cada vez maiores. Pelo contrário, ele problematiza: "Por que cérebros gigantes são tão raros no reino animal?" e mostra que o custo energético torna essa seleção improvável. A alternativa E repete a ideia que o autor critica no 2º parágrafo ("presumimos que, em se tratando de capacidade cerebral, mais deve ser melhor"), mas o autor a refuta em seguida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a contradição entre a aparência de obviedade ("mais deve ser melhor") e a tese real do autor (o custo energético). As alternativas B, C e E repetem o senso comum que o texto critica, sem perceber que o autor o refuta.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese do autor (geralmente na introdução ou conclusão) e desconfie de alternativas que soem "óbvias" ou que repitam o que o texto critica. A resposta correta é sempre a que parafraseia o que o autor defende, não o que ele combate.

Gabarito: letra A.

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