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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2020

PortuguêsSintaxe
Código
vu062484
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Mogi Mirim - SP
Ano
2020
Nível
Superior
Estônia tem governo quase 100% digital


    A menor das três repúblicas bálticas, a Estônia é hoje considerada um dos grandes laboratórios do mundo em matéria de digitalização e transparência de dados. Lá, apenas três serviços ligados ao governo ainda demandam a presença física de seus cidadãos. Casamentos, divórcios e transferências de titularidade de um imóvel ainda requerem uma testemunha juramentada. Todo o resto pode ser feito pela internet, incluindo criar uma conta em banco, abrir uma empresa ou até mesmo escolher representantes políticos.
    Dos 1,3 milhão de estonianos, 99% possuem uma espécie de RG digital, um documento com um chip que lhes garante acesso a mais 500 serviços do governo, incluindo acesso ao sistema de saúde e ao transporte público.
    Primeiro a vantagem. O sistema, de fato, torna todos os processos públicos muito mais rápidos. Na Estônia, é possível abrir uma empresa em impressionantes 15 minutos. Uma conta em banco leva um pouco mais de tempo: 24 horas. Sem contar o acesso ao amplo sistema de benefícios estatais. A saúde é pública, o transporte é grátis e, com o documento digital, o governo subsidia até a compra de medicamentos na farmácia – o benefício pode chegar a 50%.
     Agora, a desvantagem. Todas as vezes que um estoniano saca seu RG digital para um serviço, ele registra a movimentação na rede estatal, que passa a ter a posse da informação. Além disso, em tese, qualquer cidadão pode consultar os dados de outro estoniano, mediante solicitação prévia e intermediação do governo.
    O Estado* acompanhou a consulta no perfil do primeiro ministro da Estônia, Jüri Ratas. Viu seus três imóveis, onde estão e quanto custam. “Está tudo aqui, é só consultar”, afirma a funcionária do governo digital da Estônia, Harle Pihlak. Assunto polêmico? Não para os locais. Segundo o cientista de computação Edilson Osorio, que mora há dois anos naquele país, os estonianos não se preocupam com a privacidade, mas “os estrangeiros ficam ressabiados com tanta exposição”.

(Renato Jakitas. O Estado de S. Paulo, 01.03.2020. Adaptado)
*Jornal o Estado de S.Paulo. 
No último parágrafo do texto, em – … os estonianos não se preocupam com a privacidade, mas “os estrangeiros ficam ressabiados com tanta exposição” –, o trecho destacado pode ser substituído, em conformidade com as ideias do texto e com a regência verbal e nominal padrão, por
  1. Adesdenham a privacidade, mas “os estrangeiros ficam desconfiados a tanta exposição”.
  2. Bsão indiferentes da privacidade, mas “os estrangeiros ficam cismados com tanta exposição”.
  3. Cnão dão importância à privacidade, mas “os estrangeiros ficam receosos de tanta exposição”.
  4. Dnão negligenciam com a privacidade, mas “os estrangeiros ficam incomodados de tanta exposição”.
  5. Enão valorizam a privacidade, mas “os estrangeiros ficam alheios a tanta exposição”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — não dão importância à privacidade, mas “os estrangeiros ficam receosos de tanta exposição”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição com Regência e Sentido Preservados

Gabarito: letra C. A única alternativa que mantém o sentido original e respeita a regência padrão é a C, que substitui "não se preocupam com a privacidade" por "não dão importância à privacidade" (regencial correta: dar importância a algo) e "ficam ressabiados com tanta exposição" por "ficam receosos de tanta exposição" (regencial correta: receoso de algo).

O trecho original do texto é:

... os estonianos não se preocupam com a privacidade, mas “os estrangeiros ficam ressabiados com tanta exposição”.

A questão cobra a substituição do trecho destacado (a expressão inteira sublinhada) por uma redação equivalente, em conformidade com as ideias do texto e com a regência verbal e nominal padrão. Isso significa que a nova redação deve:

  • Preservar o sentido: estonianos não se importam com privacidade; estrangeiros ficam desconfiados/temerosos.

  • Usar as regências corretas: verbos e nomes com as preposições adequadas.

Vamos analisar cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • "Desdenham a privacidade": o verbo desdenhar rege objeto direto (desdenhar algo) ou indireto com de (desdenhar de algo). "Desdenham a privacidade" está correto gramaticalmente, mas o sentido é de menosprezo, não de simples falta de preocupação – além disso, a regência da segunda parte está errada: "desconfiados a tanta exposição" – o correto é desconfiados de (preposição de). ❌ Erro de regência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • "São indiferentes da privacidade": a regência exige indiferentes a (preposição a). O uso de da (de + a) é erro grave. ❌ Erro de regência.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • "Não dão importância à privacidade": verbo dar importância exige a preposição a – correta (à = a + a, crase). \n- "Ficam receosos de tanta exposição": adjetivo receoso exige a preposição de – correta. \nO sentido é equivalente: "não dar importância" equivale a "não se preocupar", e "receosos" (temerosos) equivale a "ressabiados" (desconfiados). ✅ Regência e sentido preservados.

Alternativa D — ❌ Incorreta

  • "Não negligenciam com a privacidade": o verbo negligenciar pede objeto direto (negligenciar algo) ou, quando indireto, em (negligenciar em algo). A preposição com é inadequada. \n- "Incomodados de tanta exposição": o adjetivo incomodado rege a preposição com (incomodado com algo). O uso de de está errado. ❌ Erro duplo de regência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • "Não valorizam a privacidade": correto (verbo transitivo direto, sem preposição). \n- "Alheios a tanta exposição": a regência está correta (alheio a algo). Porém, o sentido é inadequado: "alheio" significa indiferente, que não se importa, enquanto o original "ressabiados" significa desconfiados, cautelosos. A troca altera a ideia do texto. ❌ Erro de sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição com regência, identifique primeiro a regência de cada verbo/adjetivo (qual preposição exige) e depois verifique se o sentido é mantido. Ignore alternativas que trocam a preposição – mesmo que o verbo pareça sinônimo, a regência errada já invalida.

Conclusão: Apenas a alternativa C respeita simultaneamente as regras de regência nominal/verbal e o conteúdo original do texto.

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