Um belo dia, naquela pacata e honesta capital da província de segunda ordem, apareceram, pregados nas esquinas, enormes cartazes anunciando a próxima estreia de uma
excelente companhia dramática, vinda do Rio de Janeiro.
Há muito tempo o velho teatro não abria as portas ao
público, e este, enfarado1
de peloticas2
e cavalinhos, andava
sequioso de drama e comédia.
Havia, portanto, na cidade uma animação e rebuliço
desusados.
Falara-se na vinda da companhia, mas ninguém tinha
absoluta certeza de que ela viesse, porque o empresário receava não fazer para as despesas. Agora, os cartazes, impressos
em letras garrafais, confirmavam a auspiciosa notícia, provocando um entusiasmo indizível. Muita gente saía de casa só para os
ver, certificando-se, pelos próprios olhos, de tão grata novidade.
A companhia anunciada era, efetivamente, a melhor, talvez, de quantas até então se tinham aventurado às incertezas de uma temporada naquela cidade tranquila.
Quando a companhia chegou, foi uma verdadeira festa.
Grande massa de povo aguardava-a no cais de desembarque; houve música, foguetes e aclamações.
(Arthur Azevedo, “O galã”. Seleção de Contos, 2014. Adaptado)
1
entediado
2
artes de iludir com truques
Assinale a alternativa em que a reescrita de frase do texto está em conformidade com a norma-padrão quanto à correlação dos tempos verbais e à concordância.
AFalava-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estiveram certos de que ela veio.
BFala-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certa de que ela vem.
CTinha-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certo de que ela vêm.
DFalou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá.
ETem-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela viria.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Falou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita com correlação verbal e concordância — Gabarito: letra D
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que mantém a correlação temporal adequada (pretérito perfeito + futuro do presente) e a concordância nominal correta ("as pessoas... certas"). O texto original diz: "Falara-se na vinda da companhia, mas ninguém tinha absoluta certeza de que ela viesse". A reescrita em D — "Falou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá" — preserva a ideia de um fato passado ("falou-se") e a incerteza quanto a um evento futuro ("virá"), com o adjetivo "certas" concordando com "as pessoas".
A questão cobra dois pontos: correlação dos tempos verbais (a harmonia entre o tempo da oração principal e o da subordinada) e concordância nominal (o adjetivo "certo" deve concordar em gênero e número com o sujeito "as pessoas"). Vamos analisar cada alternativa.
"Falava-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estiveram certos de que ela veio."
Erro duplo: concordância nominal — "certos" deveria ser "certas" (concordando com "as pessoas", feminino plural) — e correlação verbal — "estiveram" (pretérito perfeito) com "veio" (pretérito perfeito) não expressa a incerteza sobre o futuro; o texto fala de uma possibilidade futura ("viesse"), não de um fato consumado. A reescrita deveria usar futuro do presente ("virá") ou futuro do pretérito ("viria") para manter a ideia de incerteza.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Fala-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certa de que ela vem."
Erro de concordância nominal: "certa" deveria ser "certas" (concordando com "as pessoas"). Além disso, a correlação "estão" (presente) com "vem" (presente) não expressa a incerteza sobre o futuro; o texto fala de uma possibilidade futura ("viesse"), não de um fato presente. A reescrita deveria usar futuro do presente ("virá") ou futuro do pretérito ("viria").
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Tinha-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certo de que ela vêm."
Erro duplo: concordância nominal — "certo" deveria ser "certas" (concordando com "as pessoas") — e concordância verbal — "vêm" (3ª pessoa do plural) não concorda com "ela" (3ª pessoa do singular); o correto seria "vem". Além disso, a correlação "estão" (presente) com "vem" (presente) não expressa a incerteza sobre o futuro; o texto fala de uma possibilidade futura ("viesse"), não de um fato presente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Falou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá."
A alternativa D está correta por dois motivos: concordância nominal — "certas" concorda com "as pessoas" (feminino plural) — e correlação verbal — "Falou-se" (pretérito perfeito) com "virá" (futuro do presente) expressa a incerteza sobre um evento futuro, mantendo a ideia do texto original ("Falara-se... viesse"). A reescrita preserva o sentido de um fato passado e uma possibilidade futura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Tem-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela viria."
Erro de correlação verbal: "Tem-se falado" (presente do indicativo composto) com "viria" (futuro do pretérito) não é a correlação mais adequada; o texto original usa "Falara-se" (pretérito mais-que-perfeito) com "viesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo), expressando um fato passado e uma possibilidade futura. A reescrita deveria usar "Falou-se" (pretérito perfeito) com "virá" (futuro do presente) ou "Falava-se" (pretérito imperfeito) com "viria" (futuro do pretérito). A concordância nominal está correta ("certas"), mas a correlação verbal não.
Conclusão: A alternativa D é a única que atende aos dois requisitos: correlação verbal (pretérito perfeito + futuro do presente) e concordância nominal ("certas" concordando com "as pessoas"). As demais alternativas apresentam erros de concordância (A, B, C) ou de correlação verbal (A, B, C, E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura erros de concordância nominal ("certo/certos/certa" em vez de "certas") com erros de correlação verbal (tempos que não expressam a incerteza sobre o futuro). A alternativa E é a mais traiçoeira: tem a concordância correta, mas a correlação "Tem-se falado... viria" não é a mais adequada.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever frases, verifique primeiro a concordância (o adjetivo deve concordar com o substantivo) e depois a correlação verbal (os tempos devem expressar a mesma relação temporal do original). No texto, "Falara-se" (passado) + "viesse" (futuro do pretérito) indica incerteza sobre o futuro; a reescrita deve manter essa ideia.