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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2020

PortuguêsSintaxe
Código
vu062504
Banca
VUNESP
Órgão
EBSERH
Ano
2020
Nível
Médio

O galã


    Um belo dia, naquela pacata e honesta capital da província de segunda ordem, apareceram, pregados nas esquinas, enormes cartazes anunciando a próxima estreia de uma excelente companhia dramática, vinda do Rio de Janeiro.

    Há muito tempo o velho teatro não abria as portas ao público, e este, enfarado1 de peloticas2 e cavalinhos, andava sequioso de drama e comédia.

    Havia, portanto, na cidade uma animação e rebuliço desusados. Falara-se na vinda da companhia, mas ninguém tinha absoluta certeza de que ela viesse, porque o empresário receava não fazer para as despesas. Agora, os cartazes, impressos em letras garrafais, confirmavam a auspiciosa notícia, provocando um entusiasmo indizível. Muita gente saía de casa só para os ver, certificando-se, pelos próprios olhos, de tão grata novidade.

    A companhia anunciada era, efetivamente, a melhor, talvez, de quantas até então se tinham aventurado às incertezas de uma temporada naquela cidade tranquila.

    Quando a companhia chegou, foi uma verdadeira festa. Grande massa de povo aguardava-a no cais de desembarque; houve música, foguetes e aclamações. 

(Arthur Azevedo, “O galã”. Seleção de Contos, 2014. Adaptado)

1 entediado

2 artes de iludir com truques

Assinale a alternativa em que a reescrita de frase do texto está em conformidade com a norma-padrão quanto à correlação dos tempos verbais e à concordância.
  1. AFalava-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estiveram certos de que ela veio.
  2. BFala-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certa de que ela vem.
  3. CTinha-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certo de que ela vêm.
  4. DFalou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá.
  5. ETem-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela viria.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Falou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com correlação verbal e concordância — Gabarito: letra D

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que mantém a correlação temporal adequada (pretérito perfeito + futuro do presente) e a concordância nominal correta ("as pessoas... certas"). O texto original diz: "Falara-se na vinda da companhia, mas ninguém tinha absoluta certeza de que ela viesse". A reescrita em D — "Falou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá" — preserva a ideia de um fato passado ("falou-se") e a incerteza quanto a um evento futuro ("virá"), com o adjetivo "certas" concordando com "as pessoas".

A questão cobra dois pontos: correlação dos tempos verbais (a harmonia entre o tempo da oração principal e o da subordinada) e concordância nominal (o adjetivo "certo" deve concordar em gênero e número com o sujeito "as pessoas"). Vamos analisar cada alternativa.

Reescrita: correlação verbal + concordância
  • 1Concordância nominal
    • "certas" concorda com "as pessoas"
    • "certo/certos/certa" (errado)
  • 2Correlação verbal
    • Fato passado + incerteza futura
    • "Falou-se" + "virá" (pret. perfeito + fut. presente)
    • "estiveram" + "veio" (fato consumado)
    • "estão" + "vem" (presente, sem futuro)
    • "Tem-se falado" + "viria" (correlação inadequada)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Falava-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estiveram certos de que ela veio."

Erro duplo: concordância nominal — "certos" deveria ser "certas" (concordando com "as pessoas", feminino plural) — e correlação verbal — "estiveram" (pretérito perfeito) com "veio" (pretérito perfeito) não expressa a incerteza sobre o futuro; o texto fala de uma possibilidade futura ("viesse"), não de um fato consumado. A reescrita deveria usar futuro do presente ("virá") ou futuro do pretérito ("viria") para manter a ideia de incerteza.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Fala-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certa de que ela vem."

Erro de concordância nominal: "certa" deveria ser "certas" (concordando com "as pessoas"). Além disso, a correlação "estão" (presente) com "vem" (presente) não expressa a incerteza sobre o futuro; o texto fala de uma possibilidade futura ("viesse"), não de um fato presente. A reescrita deveria usar futuro do presente ("virá") ou futuro do pretérito ("viria").

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Tinha-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certo de que ela vêm."

Erro duplo: concordância nominal — "certo" deveria ser "certas" (concordando com "as pessoas") — e concordância verbal — "vêm" (3ª pessoa do plural) não concorda com "ela" (3ª pessoa do singular); o correto seria "vem". Além disso, a correlação "estão" (presente) com "vem" (presente) não expressa a incerteza sobre o futuro; o texto fala de uma possibilidade futura ("viesse"), não de um fato presente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Falou-se na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela virá."

A alternativa D está correta por dois motivos: concordância nominal — "certas" concorda com "as pessoas" (feminino plural) — e correlação verbal — "Falou-se" (pretérito perfeito) com "virá" (futuro do presente) expressa a incerteza sobre um evento futuro, mantendo a ideia do texto original ("Falara-se... viesse"). A reescrita preserva o sentido de um fato passado e uma possibilidade futura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Tem-se falado na vinda da companhia, mas as pessoas não estão certas de que ela viria."

Erro de correlação verbal: "Tem-se falado" (presente do indicativo composto) com "viria" (futuro do pretérito) não é a correlação mais adequada; o texto original usa "Falara-se" (pretérito mais-que-perfeito) com "viesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo), expressando um fato passado e uma possibilidade futura. A reescrita deveria usar "Falou-se" (pretérito perfeito) com "virá" (futuro do presente) ou "Falava-se" (pretérito imperfeito) com "viria" (futuro do pretérito). A concordância nominal está correta ("certas"), mas a correlação verbal não.

Conclusão: A alternativa D é a única que atende aos dois requisitos: correlação verbal (pretérito perfeito + futuro do presente) e concordância nominal ("certas" concordando com "as pessoas"). As demais alternativas apresentam erros de concordância (A, B, C) ou de correlação verbal (A, B, C, E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura erros de concordância nominal ("certo/certos/certa" em vez de "certas") com erros de correlação verbal (tempos que não expressam a incerteza sobre o futuro). A alternativa E é a mais traiçoeira: tem a concordância correta, mas a correlação "Tem-se falado... viria" não é a mais adequada.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases, verifique primeiro a concordância (o adjetivo deve concordar com o substantivo) e depois a correlação verbal (os tempos devem expressar a mesma relação temporal do original). No texto, "Falara-se" (passado) + "viesse" (futuro do pretérito) indica incerteza sobre o futuro; a reescrita deve manter essa ideia.

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