Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2020

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu062617
Banca
VUNESP
Órgão
FITO
Ano
2020
Nível
Fundamental

Vocação: cronista

      A crônica é um gênero muito colado ao autor. É diferente do romance, que pode ter personagens como um assassino, uma nuvem, um pé-de-meia, que não têm nada a ver com o escritor no sentido mais óbvio. Escrevo narrativas em primeira pessoa e falo de coisas que se parecem com as que acontecem na minha vida. Então, quando falo com o público, ele já tem conhecimento de quem eu sou. Claro que o narrador da crônica não sou exatamente eu, e o que acontece na crônica na maioria das vezes não aconteceu comigo. Considero crônica um gênero de ficção. Se digo “eu fui à padaria” não significa que eu tenha ido à padaria. Não. Eu estava em casa escrevendo uma crônica em que o narrador foi à padaria. Mas é próximo de mim.

(Trecho de entrevista com Antônio Prata. https://livrariadavila.com.br. Adaptado)

Quando o autor diz que a crônica é “um gênero de ficção”, ele afirma que, ao escrever,
  1. Anão tem o interesse de criar situações convincentes.
  2. Bnão reproduz suas experiências com exatidão.
  3. Cprocura usar a linguagem mais fantasiosa que puder.
  4. Destá interessado em contar histórias fora do comum.
  5. Eprocura imprimir ao texto um tom frio e impessoal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — não reproduz suas experiências com exatidão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crônica como gênero de ficção – Antônio Prata

Gabarito: letra B. A afirmação de que a crônica é “um gênero de ficção” leva o autor a sustentar que, ao escrever, não reproduz suas experiências com exatidão. O trecho decisivo é: “o que acontece na crônica na maioria das vezes não aconteceu comigo” e o exemplo “Se digo ‘eu fui à padaria’ não significa que eu tenha ido à padaria”. A ficção, para o autor, reside justamente nesse distanciamento entre o vivido e o narrado.

O comando pede compreensão (o que o texto afirma). A resposta correta é a paráfrase direta da ideia central.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona o interesse ou desinteresse do autor em criar situações convincentes. A ficção na crônica não está ligada à “convicção”, mas ao fato de as experiências narradas não serem exatamente as vividas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Sustentada pelo texto. O autor explica que o narrador não é exatamente ele e que os acontecimentos “na maioria das vezes não aconteceram comigo”. A crônica é ficção porque não há compromisso com a exatidão factual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A fala do autor não trata do nível de “fantasia” da linguagem. O exemplo da padaria é corriqueiro, mostrando que a ficção independe do grau de fantasia. Atribuir uma busca pela “linguagem mais fantasiosa” é acrescentar informação alheia ao texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há no texto qualquer indicação de que o autor procure contar histórias “fora do comum”. Pelo contrário, a crônica trata de situações próximas ao cotidiano (“coisas que se parecem com as que acontecem na minha vida”).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor afirma que a crônica é “um gênero muito colado ao autor” e que escreve “narrativas em primeira pessoa”, o que sugere um tom pessoal e próximo, não frio e impessoal. A alternativa inverte o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Atenção ao verbo do enunciado — “ele afirma” pede compreensão literal, não inferência. A resposta está explícita no texto. Desconfie de alternativas que introduzem ideias novas (interesse, fantasia, excepcionalidade, frieza) que não estão apoiadas em passagens.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu062617