Aí por volta das cinco da tarde, Dalila entra no escritório
e fica olhando para mim. Não late, não gane, não esperneia.
Apenas espera. Se insisto em continuar diante do computador,
ela eriça as orelhas numa repreensão muda. Levanto-me,
passo a coleira em torno do seu pescoço e desço com ela
as escadas.
Dalila passa o dia em casa aguardando esses 10 ou 15
minutos de passeio na rua, quando pode percorrer um espaço
maior e cheirar à vontade. Um palmo de terreno, monótono e
insípido para nós, pode ser para ela uma excursão turística
de cheiros. Seu olfato capta gradações que ultrapassam
de muito os limites para os quais nossas narinas estão
equipadas.
Ela me puxa pela coleira e vai sugando o chão com as
narinas. Parece um aspirador vivo na ânsia de absorver
os menores resíduos olfativos da paisagem, e sairá dessa
experiência plenificada. Enquanto isso, eu me desligo das
sensações em volta, pensando. Tudo para depois, friamente,
redigir um texto diante do computador.
(Chico Viana. Cheiros e choro. https://cronicascariocas.com,
13.10.2019. Adaptado)
O sinal indicativo da crase está empregado corretamente na seguinte frase escrita a partir do texto:
AÀs cinco da tarde, aproximadamente, Dalila entra no escritório.
BSe continuo à digitar, ela eriça as orelhas numa repreensão muda.
CPara Dalila, um terreno que à nós parece monótono pode ser excitante.
DSeu olfato chega à limites para os quais nossas narinas não estão equipadas.
EApós o passeio, o narrador dedica-se à um texto que produz com frieza.
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GabaritoA — Às cinco da tarde, aproximadamente, Dalila entra no escritório.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase: emprego correto em frases a partir do texto
Gabarito: letra A. A única frase em que o sinal indicativo de crase está corretamente empregado é a da alternativa A, pois "às cinco da tarde" é uma locução adverbial de tempo formada por palavra feminina, que exige crase obrigatória. Como se lê no texto: "Aí por volta das cinco da tarde, Dalila entra no escritório" — a expressão "às cinco" indica tempo e segue a regra das locuções adverbiais femininas (à noite, à tarde, às vezes).
A questão cobra a regra de ouro da crase: só há crase quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Para testar, troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" e não "ao", não há. Ex.: "às cinco" → "ao meio-dia" (aparece "ao", logo há crase). Já "à digitar" → "ao digitar"? Não, porque antes de verbo não há artigo, logo não há crase.
Caso
Frase
Regra
Veredito
Locução adverbial de tempo
"às cinco da tarde"
Palavra feminina exige crase
✅ Correta
Antes de verbo
"à digitar"
Verbo não admite artigo
❌ Incorreta
Antes de pronome pessoal
"à nós"
Pronome reto não admite artigo
❌ Incorreta
Antes de palavra masculina
"à limites"
Masculino não admite artigo feminino
❌ Incorreta
Antes de palavra masculina
"à um texto"
Masculino não admite artigo feminino
❌ Incorreta
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase "Às cinco da tarde, aproximadamente, Dalila entra no escritório" está correta porque "às cinco" é uma locução adverbial de tempo formada por palavra feminina plural, que exige crase obrigatória. O texto-base confirma: "Aí por volta das cinco da tarde, Dalila entra no escritório". A regra é clara: locuções adverbiais femininas (à noite, à tarde, às vezes, às pressas) sempre levam crase. Não há erro aqui.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Se continuo à digitar" está errada porque antes de verbo não há crase. O "a" antes de "digitar" é apenas preposição, sem artigo, pois verbo não admite artigo. A regra: crase é fusão de preposição "a" + artigo feminino "a"; antes de verbo, não há artigo, logo não há crase. O correto seria "a digitar" (sem acento).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"um terreno que à nós parece monótono" está errada porque antes de pronome pessoal do caso reto (nós) não há crase. O "a" antes de "nós" é apenas preposição, sem artigo, pois pronome pessoal não admite artigo. A regra: crase é fusão de preposição "a" + artigo feminino "a"; antes de pronome pessoal, não há artigo, logo não há crase. O correto seria "a nós" (sem acento).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Seu olfato chega à limites" está errada porque antes de palavra masculina plural (limites) não há crase. O "a" antes de "limites" é apenas preposição, sem artigo, pois "limites" é masculino e não admite artigo feminino. A regra: crase é fusão de preposição "a" + artigo feminino "a"; antes de palavra masculina, não há artigo feminino, logo não há crase. O correto seria "a limites" (sem acento).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"o narrador dedica-se à um texto" está errada porque antes de palavra masculina (um texto) não há crase. O "a" antes de "um texto" é apenas preposição, sem artigo, pois "um texto" é masculino e não admite artigo feminino. A regra: crase é fusão de preposição "a" + artigo feminino "a"; antes de palavra masculina, não há artigo feminino, logo não há crase. O correto seria "a um texto" (sem acento).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura casos de crase obrigatória (locução adverbial feminina) com casos de crase proibida (antes de verbo, pronome pessoal, palavra masculina). O candidato pode confundir "às cinco" (correto) com "à digitar" (errado) por não aplicar a regra de ouro.
PEGA ESSA DICA!
Para testar a crase, troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se não aparecer, não há. Ex.: "às cinco" → "ao meio-dia" (há crase); "à digitar" → "ao digitar"? Não, porque verbo não admite artigo.