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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2020

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu062648
Banca
VUNESP
Órgão
FITO
Ano
2020
Nível
Médio

      No começo do mês, estive em Nova York. Durante as semanas que antecederam a viagem, fui anotando dicas de amigos em folhas de caderno, guardanapos, o que tivesse à mão. Só de “o melhor hambúrguer do mundo”, consegui umas sete sugestões; de “o cheesecake original”, quatro; e, com os endereços para comer sanduíches, enchi frente e verso de um papel A4.

      Como amizade e comida boa são duas coisas que respeito muito, em dez dias nos Estados Unidos eu gabaritei as anotações: voltei dois quilos mais gordo e, ainda no avião, fiz a promessa de, nos próximos seis meses, não chegar a menos de dez metros de uma batata frita.

      O que de mais saboroso provei por lá, contudo, não foi fast-food nem era uma especialidade local. Trata-se de um vegetal. Ou, para ser mais exato, um fruto: uma dádiva dos deuses que, infelizmente, não a encontramos por aqui. Chama-se tomate.

      Assemelha-se bastante, por fora, àquele fruto ao qual, em nosso país, também damos o nome de tomate, mas uma vez que seus dentes penetram a carne macia, o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente se mescla ao sal em sua língua, você entende que está diante de um alimento completamente diferente.

      Acontece que a qualidade do tomate está ligada, entre outros fatores, à quantidade de água nele contida. Quanto mais líquido, mais macio e saboroso. O problema é que a maior presença de suco aumenta o sabor na mesma medida em que reduz a durabilidade. Os agricultores, pensando mais na performance de seu produto dentro dos caminhões do que em cima dos pratos, passaram a priorizar os frutos mais “secos”, foram cruzando-os e manipulando suas características até que os transformaram nesse tímido vegetal que aguenta todos os trancos da estrada, dura séculos na geladeira e quase chega a ser crocante em nossos dentes.

      Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país: levar água encanada para cinquenta milhões de pessoas, criar escolas que ensinem a ler e escrever de verdade, evitar que a gente morra de bala perdida ou picada de mosquito. Mas queria pedir às autoridades competentes, sejam elas públicas ou privadas, que, depois de resolvidos os pepinos e descascados os abacaxis, ajudem a plantar tomates de verdade no Brasil. A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para deixá-la mais doce, macia e suculenta.

(Antonio Prata. Fruto proibido. www.estadao.com.br, 13.12.2010. Adaptado)

Encontra-se em conformidade com a norma-padrão da língua quanto à colocação dos pronomes a seguinte frase:
  1. A… uma dádiva dos deuses que, infelizmente, não encontramos-a por aqui.
  2. B… o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente mescla-se ao sal em sua língua.
  3. C… manipulando suas características até que transformaram-nos nesse tímido vegetal…
  4. DMe dou conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país…
  5. EA vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para a deixar mais doce…
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GabaritoE — A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para a deixar mais doce…

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Colocação pronominal: próclise, ênclise e mesóclise

Gabarito: letra E. A única frase em conformidade com a norma-padrão é a que emprega próclise obrigatória após a conjunção subordinativa "para": "não podemos medir esforços para a deixar mais doce". A regra é clara: palavra atrativa (conjunção subordinativa, advérbio, pronome relativo, etc.) obriga o pronome átono antes do verbo. As demais alternativas violam a colocação pronominal: usam ênclise onde a norma exige próclise ou usam próclise onde a ênclise é obrigatória.

A questão cobra colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise) em frases adaptadas do texto. O comando pede a frase que respeita a norma-padrão — não é uma questão de interpretação, mas de aplicação de regra gramatical. Vamos analisar cada alternativa.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Advérbios (não, nunca, naturalmente)
      • Conjunções subordinativas (que, se, para, até que)
      • Pronomes relativos (que, quem, onde)
      • Pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém)
    • Proibida em início de oração
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Regra geral
    • Vedada com palavra atrativa
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"… uma dádiva dos deuses que, infelizmente, não encontramos-a por aqui."

Erro: próclise obrigatória com palavra atrativa. O advérbio de negação "não" atrai o pronome oblíquo átono para antes do verbo. A forma correta seria "não a encontramos". A banca explora a atração do advérbio de negação, que é uma das palavras atrativas mais cobradas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"… o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente mescla-se ao sal em sua língua."

Erro: próclise obrigatória com advérbio. O advérbio "naturalmente" atrai o pronome "se" para antes do verbo: "naturalmente se mescla". A ênclise é vedada quando há palavra atrativa antes do verbo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"… manipulando suas características até que transformaram-nos nesse tímido vegetal…"

Erro: próclise obrigatória com conjunção subordinativa. A locução conjuntiva "até que" atrai o pronome "nos" para antes do verbo: "até que os transformaram". Além disso, o pronome "nos" não retoma corretamente "frutos" (deveria ser "os"), mas o erro principal é a colocação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Me dou conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país…"

Erro: próclise obrigatória em início de oração? Na verdade, a norma-padrão proíbe iniciar oração com pronome oblíquo átono. A forma correta é "Dou-me conta". A banca explora a próclise em início de frase, que é um erro clássico de quem fala coloquialmente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para a deixar mais doce…"

Correta: próclise obrigatória após conjunção subordinativa. A conjunção "para" (final) atrai o pronome "a" para antes do verbo "deixar". A forma "para a deixar" é a única que respeita a norma-padrão. Note que o pronome "a" retoma "a vida", e a colocação está perfeita.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura frases do texto com erros de colocação, explorando as palavras atrativas mais comuns (advérbio de negação, advérbio de modo, conjunção subordinativa) e a proibição de iniciar oração com pronome átono. A correta é a única que usa próclise com conjunção subordinativa.

PEGA ESSA DICA!

Memorize as palavras atrativas: advérbios (não, nunca, já, naturalmente), conjunções subordinativas (que, se, quando, para, até que), pronomes relativos (que, quem, onde), pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém) e a proibição de pronome átono em início de oração.

Gabarito: letra E

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