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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu062652
Banca
VUNESP
Órgão
FITO
Ano
2020
Nível
Médio

      No começo do mês, estive em Nova York. Durante as semanas que antecederam a viagem, fui anotando dicas de amigos em folhas de caderno, guardanapos, o que tivesse à mão. Só de “o melhor hambúrguer do mundo”, consegui umas sete sugestões; de “o cheesecake original”, quatro; e, com os endereços para comer sanduíches, enchi frente e verso de um papel A4.

      Como amizade e comida boa são duas coisas que respeito muito, em dez dias nos Estados Unidos eu gabaritei as anotações: voltei dois quilos mais gordo e, ainda no avião, fiz a promessa de, nos próximos seis meses, não chegar a menos de dez metros de uma batata frita.

      O que de mais saboroso provei por lá, contudo, não foi fast-food nem era uma especialidade local. Trata-se de um vegetal. Ou, para ser mais exato, um fruto: uma dádiva dos deuses que, infelizmente, não a encontramos por aqui. Chama-se tomate.

      Assemelha-se bastante, por fora, àquele fruto ao qual, em nosso país, também damos o nome de tomate, mas uma vez que seus dentes penetram a carne macia, o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente se mescla ao sal em sua língua, você entende que está diante de um alimento completamente diferente.

      Acontece que a qualidade do tomate está ligada, entre outros fatores, à quantidade de água nele contida. Quanto mais líquido, mais macio e saboroso. O problema é que a maior presença de suco aumenta o sabor na mesma medida em que reduz a durabilidade. Os agricultores, pensando mais na performance de seu produto dentro dos caminhões do que em cima dos pratos, passaram a priorizar os frutos mais “secos”, foram cruzando-os e manipulando suas características até que os transformaram nesse tímido vegetal que aguenta todos os trancos da estrada, dura séculos na geladeira e quase chega a ser crocante em nossos dentes.

      Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país: levar água encanada para cinquenta milhões de pessoas, criar escolas que ensinem a ler e escrever de verdade, evitar que a gente morra de bala perdida ou picada de mosquito. Mas queria pedir às autoridades competentes, sejam elas públicas ou privadas, que, depois de resolvidos os pepinos e descascados os abacaxis, ajudem a plantar tomates de verdade no Brasil. A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para deixá-la mais doce, macia e suculenta.

(Antonio Prata. Fruto proibido. www.estadao.com.br, 13.12.2010. Adaptado)

Segundo o autor do texto,
  1. Ao Brasil tem pioneirismo no cultivo de pepinos e abacaxis e está deixando a desejar na produção de tomates.
  2. Bhá um problema com a qualidade do tomate no Brasil, que prioriza a resistência do fruto em detrimento do seu sabor.
  3. Cnos Estados Unidos, consegue-se um tomate mais suculento devido à presença maciça de grandes redes de fast-food.
  4. Do suco de tomate ainda não popularizou no Brasil porque o tomate não provê líquido o suficiente para render um bom suco.
  5. Epor ter comido muita batata frita nos Estados Unidos, ele decidiu aboli-la de sua dieta quando retornasse ao Brasil.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — há um problema com a qualidade do tomate no Brasil, que prioriza a resistência do fruto em detrimento do seu sabor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tomate de verdade: a crítica à qualidade do fruto no Brasil

Gabarito: letra B. O autor afirma que há um problema com a qualidade do tomate no Brasil, pois os agricultores priorizaram a resistência do fruto em detrimento do sabor. Como se lê no 3º parágrafo: "Os agricultores, pensando mais na performance de seu produto dentro dos caminhões do que em cima dos pratos, passaram a priorizar os frutos mais 'secos'". A alternativa B é uma paráfrase fiel dessa passagem.

O comando pede compreensão ("Segundo o autor do texto"), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, sem inferências ou acréscimos. A chave é localizar a passagem que trata da qualidade do tomate e identificar a relação de causa e consequência: a priorização da resistência (para o transporte) levou à perda de sabor.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não afirma que o Brasil tem pioneirismo no cultivo de pepinos e abacaxis. A menção a "pepinos" e "abacaxis" ocorre apenas em sentido figurado, como metáfora para problemas a resolver: "depois de resolvidos os pepinos e descascados os abacaxis". A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma informação factual que ele não contém.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto afirma que a qualidade do tomate está ligada à quantidade de água e que os agricultores, priorizando o transporte, "passaram a priorizar os frutos mais 'secos'", transformando-os em "tímido vegetal que aguenta todos os trancos da estrada". Isso significa que a resistência foi priorizada em detrimento do sabor — exatamente o que a alternativa diz. A passagem que ancora:

"Os agricultores, pensando mais na performance de seu produto dentro dos caminhões do que em cima dos pratos, passaram a priorizar os frutos mais 'secos'"

A alternativa é uma paráfrase correta: "prioriza a resistência do fruto em detrimento do seu sabor" resume a ideia de "performance dentro dos caminhões" versus "em cima dos pratos".

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto não relaciona a suculência do tomate americano à presença de redes de fast-food. O autor diz que o tomate que provou "não foi fast-food nem era uma especialidade local" — ou seja, contradiz a alternativa, que atribui a qualidade do tomate ao fast-food. A alternativa inverte a relação: o texto separa o tomate do fast-food, não o vincula.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto não menciona suco de tomate nem sua popularização no Brasil. A alternativa extrapola ao introduzir um tema ausente. O texto fala do tomate como alimento, não como matéria-prima de suco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto diz que o autor "fez a promessa de, nos próximos seis meses, não chegar a menos de dez metros de uma batata frita" — ou seja, evitar batata frita, não aboli-la da dieta (que seria uma restrição mais forte e permanente). A alternativa restringe indevidamente o alcance da promessa, transformando uma evitação temporária em abolição definitiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos plausíveis (pioneirismo, suco de tomate) e a restrição por absoluto ("aboli-la" em vez de "evitar"). A correta é a única que se ancora diretamente no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a passagem que sustenta cada alternativa. Se a alternativa exigir informação que não está no texto, ela está errada — mesmo que pareça verdadeira no mundo real.

Gabarito: letra B

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