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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2020

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu062684
Banca
VUNESP
Órgão
FITO
Ano
2020
Nível
Superior

Pai do vício nas telas agora quer oferecer a cura


       Quase 80% dos usuários de smartphones checam seus celulares nos primeiros 15 minutos depois de acordar. E a tendência é só piorar, diz Nir Eyal, professor de Stanford e consultor especializado em ajudar empresas de tecnologia a tornar seus produtos mais viciantes. Nesse mercado, ele afirma que “as empresas que vencem são aquelas que conseguem inventar os produtos mais grudentos”.

      Eyal esclarece que as empresas criaram o processo de fisgar pessoas, de jogar o anzol, acionando quatro passos básicos. Começa com um gatilho, algo que diz ao usuário o que fazer, podendo ser externo ou interno. No Facebook, por exemplo, seria uma notificação que chama atenção para o que está acontecendo na rede. Isso leva ao segundo passo, a ação, algo que o usuário faz em busca de uma recompensa. Ele vai abrir o aplicativo, checar a notificação e começar a ler seu “feed” de notícias. O terceiro passo é a recompensa variável. O psicólogo americano B.F. Skinner mostrou que, quando uma recompensa é dada sem que possa ser prevista, a ação se torna mais frequente. E, então, chega-se à fase do investimento: quando o consumidor usa o produto de forma a aumentar a probabilidade de voltar a usá-lo.

      Eyal admite que depois de um tempo, as empresas nem precisam mais de gatilhos externos. Em vez disso, eles começam a acontecer por causa dos gatilhos internos, associações na mente do usuário. Quando você está entediado, entra no YouTube, se se sente sozinho, abre o Facebook, se tem uma dúvida, checa o Google. Geralmente, são os sentimentos negativos que fazem as pessoas voltarem.

      Agora, Eyal começa a pensar em um método para reverter o vício e ele não está sozinho. Antigos executivos do Facebook e WhatsApp tornaram-se críticos da tecnologia. Eles criaram o vício e agora querem oferecer a cura. Mas para isso acontecer é preciso que os consumidores entendam como sentimentos ruins, como tédio ou solidão, são manipulados para mantê-los fiéis a essas empresas. “Quero que as pessoas pensem em formas de ganhar mais controle de suas vidas, em vez de serem controladas pela tecnologia”, arremata Eyal.

(www1.folhauol.com.br.Adaptado, acessado em 13.10.2019)

Segundo Eyal, para que o usuário passe a ter controle sobre suas vidas, deve
  1. Aentender previamente o funcionamento de suas emoções.
  2. Bminimizar as más intenções das empresas de tecnologia.
  3. Cpraticar exercícios e atividades que o distanciem das redes.
  4. Dcriar e seguir um guia de aplicação de bons sentimentos.
  5. Eprocurar manter-se alheio às atrações das redes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — entender previamente o funcionamento de suas emoções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de Texto – A Condição para o Controle do Usuário

Gabarito: letra A. Segundo Eyal, o usuário deve entender previamente o funcionamento de suas emoções – ou seja, compreender como os sentimentos negativos (tédio, solidão) são manipulados para que possa ganhar controle sobre a própria vida. Essa ideia está explícita no último parágrafo do texto.

“Mas para isso acontecer é preciso que os consumidores entendam como sentimentos ruins, como tédio ou solidão, são manipulados para mantê-los fiéis a essas empresas. ‘Quero que as pessoas pensem em formas de ganhar mais controle de suas vidas, em vez de serem controladas pela tecnologia’, arremata Eyal.”

O texto não menciona minimizar as intenções das empresas, praticar exercícios, criar guias de bons sentimentos ou manter-se alheio. A única condição apontada é a compreensão do funcionamento emocional.


Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia fielmente o trecho: “os consumidores entendam como sentimentos ruins… são manipulados”. O verbo “entender” é equivalente a “saber o funcionamento”. A banca apenas trocou “sentimentos ruins” por “emoções” – semântica perfeitamente equivalente no contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta (fora do escopo)

O texto não diz que o usuário deve “minimizar as más intenções das empresas”. Eyal afirma que as empresas criam o vício, mas a proposta de controle está centrada no autoconhecimento do usuário, não em um confronto direto com as empresas.

Alternativa C — ❌ Incorreta (extrapolação)

“Praticar exercícios e atividades que o distanciem das redes” é uma sugestão de senso comum, mas não aparece no texto. Não há menção a qualquer prática física ou atividade alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta (contradiz o texto / troca de conceito)

O texto fala de sentimentos ruins (tédio, solidão) manipulados; a alternativa propõe “guias de aplicação de bons sentimentos”. Além de não haver essa ideia no texto, ela inverte o foco: o controle vem de entender os sentimentos negativos, não de aplicar bons sentimentos.

Alternativa E — ❌ Incorreta (contradiz o texto)

Eyal quer que as pessoas “ganhem mais controle”, não que fiquem “alheias” (indiferentes). A postura proposta é ativa (entender e controlar), não passiva de evitar as redes. A palavra “alheio” sugere desinteresse, o que é oposto à intenção do autor.


Conclusão: A resposta é a letra A, pois é a única que reproduz com precisão a condição expressa por Eyal: entender o funcionamento das emoções para retomar o controle.

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