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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu062696
Banca
VUNESP
Órgão
FITO
Ano
2020
Nível
Superior

      No começo do mês, estive em Nova York. Durante as semanas que antecederam a viagem, fui anotando dicas de amigos em folhas de caderno, guardanapos, o que tivesse à mão. Só de “o melhor hambúrguer do mundo”, consegui umas sete sugestões; de “o cheesecake original”, quatro; e, com os endereços para comer sanduíches, enchi frente e verso de um papel A4.

      Como amizade e comida boa são duas coisas que respeito muito, em dez dias nos Estados Unidos eu gabaritei as anotações: voltei dois quilos mais gordo e, ainda no avião, fiz a promessa de, nos próximos seis meses, não chegar a menos de dez metros de uma batata frita.

      O que de mais saboroso provei por lá, contudo, não foi fast-food nem era uma especialidade local. Trata-se de um vegetal. Ou, para ser mais exato, um fruto: uma dádiva dos deuses que, infelizmente, não a encontramos por aqui. Chama-se tomate.

      Assemelha-se bastante, por fora, àquele fruto ao qual, em nosso país, também damos o nome de tomate, mas uma vez que seus dentes penetram a carne macia, o suco abundante escorre pelo queixo e o doce naturalmente se mescla ao sal em sua língua, você entende que está diante de um alimento completamente diferente.

      Acontece que a qualidade do tomate está ligada, entre outros fatores, à quantidade de água nele contida. Quanto mais líquido, mais macio e saboroso. O problema é que a maior presença de suco aumenta o sabor na mesma medida em que reduz a durabilidade. Os agricultores, pensando mais na performance de seu produto dentro dos caminhões do que em cima dos pratos, passaram a priorizar os frutos mais “secos”, foram cruzando-os e manipulando suas características até que os transformaram nesse tímido vegetal que aguenta todos os trancos da estrada, dura séculos na geladeira e quase chega a ser crocante em nossos dentes.

      Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país: levar água encanada para cinquenta milhões de pessoas, criar escolas que ensinem a ler e escrever de verdade, evitar que a gente morra de bala perdida ou picada de mosquito. Mas queria pedir às autoridades competentes, sejam elas públicas ou privadas, que, depois de resolvidos os pepinos e descascados os abacaxis, ajudem a plantar tomates de verdade no Brasil. A vida é curta, meus caros, e não podemos medir esforços para deixá-la mais doce, macia e suculenta.

(Antonio Prata. Fruto proibido. www.estadao.com.br, 13.12.2010. Adaptado)

A partir de informações presentes no texto, pode-se afirmar que o autor
  1. Atraça uma relação apropriada entre os hábitos alimentares pouco saudáveis dos norte-americanos e os modos de produção agrícola daquele país.
  2. Benaltece as técnicas utilizadas em laboratórios para criar alimentos mais resistentes e mais saborosos.
  3. Ctem grande apreço pelas amizades, sobretudo quando essas dão boas dicas de lugares onde se pode experimentar uma boa comida.
  4. Dseguiu o conselho de alguns amigos apenas, preferindo frequentar lugares ainda desconhecidos por ele mesmo e pelos amigos.
  5. Etem consciência da importância de se resolver problemas sociais no Brasil, como aqueles que afetam a saúde e a educação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — tem consciência da importância de se resolver problemas sociais no Brasil, como aqueles que afetam a saúde e a educação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consciência social do autor: a resposta que o texto sustenta

Gabarito: letra E. O autor demonstra, no último parágrafo, que tem consciência da importância de resolver problemas sociais no Brasil, como os que afetam saúde e educação. A passagem decisiva é:

"Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país: levar água encanada para cinquenta milhões de pessoas, criar escolas que ensinem a ler e escrever de verdade, evitar que a gente morra de bala perdida ou picada de mosquito."

A alternativa E é uma paráfrase fiel desse trecho: "consciência da importância de se resolver problemas sociais" corresponde a "Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas"; "saúde" corresponde a "levar água encanada" e "evitar que a gente morra de bala perdida ou picada de mosquito"; "educação" corresponde a "criar escolas que ensinem a ler e escrever de verdade". Nada foi acrescentado nem restringido.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não estabelece relação entre hábitos alimentares dos norte-americanos e modos de produção agrícola daquele país. O autor critica os agricultores de forma genérica ("Os agricultores, pensando mais na performance de seu produto dentro dos caminhões do que em cima dos pratos"), sem especificar nacionalidade. A alternativa inventa uma relação causal que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor critica as técnicas de manipulação genética, não as enaltece. Veja: "foram cruzando-os e manipulando suas características até que os transformaram nesse tímido vegetal que aguenta todos os trancos da estrada, dura séculos na geladeira e quase chega a ser crocante em nossos dentes". O tom é claramente irônico e negativo — "tímido vegetal" e "quase chega a ser crocante" são críticas à perda de sabor. A alternativa inverte o juízo do autor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: restrição indevida. O texto diz que o autor respeita amizade e comida boa: "Como amizade e comida boa são duas coisas que respeito muito". Mas a alternativa restringe esse apreço a "quando essas dão boas dicas de lugares onde se pode experimentar uma boa comida". O texto não condiciona o apreço pelas amizades a elas darem dicas; é uma generalização que limita o alcance da afirmação original.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor seguiu todas as dicas dos amigos, não apenas algumas. O texto afirma: "em dez dias nos Estados Unidos eu gabaritei as anotações" — "gabaritei" significa que ele cumpriu integralmente a lista. A alternativa diz "seguiu o conselho de alguns amigos apenas", o que contraria diretamente o texto. Além disso, não há menção a "lugares ainda desconhecidos por ele mesmo e pelos amigos".

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como já demonstrado, a alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto. O autor reconhece a existência de problemas sociais urgentes no Brasil (saúde, educação, violência) e, ainda que peça "tomates de verdade", demonstra consciência da prioridade dessas questões. A passagem "Dou-me conta de que há questões mais urgentes a serem tratadas em nosso país" é a âncora exata.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de o candidato se apegar ao tema central (o tomate) e esquecer o último parágrafo, onde mora a tese. As alternativas A, B e D parecem plausíveis porque usam palavras do texto, mas invertem ou extrapolam o sentido. A C restringe indevidamente. A correta exige leitura global — a conclusão do texto é a chave.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "a partir do texto, pode-se afirmar", grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa contra ela. Desconfie de alternativas que usam "apenas", "sobretudo" ou "todos" — elas costumam restringir ou generalizar demais.

Gabarito: letra E — a única que o texto autoriza sem acréscimos, restrições ou inversões.

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