Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2020
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu062745
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Cananéia - SP
Ano
2020
Nível
Superior
Leia o texto para responder a questão.
Custosa Mobilidade
O tráfego intenso e os longos deslocamentos necessários em diversas cidades brasileiras tomam, além de tempo,
cada vez mais recursos dos usuários e da sociedade.
Estudo da Associação Nacional de Transportes Públicos
(ANTP) estimou os custos socioeconômicos da mobilidade
urbana em nada menos de R$ 483,3 bilhões anuais, como
mostrou o 3º Seminário de Mobilidade e Inovação organizado
por esta Folha. O valor é 7% maior que o do levantamento
anterior.
No plano individual, o ônus do transporte vem aumentando. Além de custar mais e beneficiar uma parcela menor da
população, o transporte individual consome quase o dobro de
energia e polui duas vezes mais que o público.
Para evitar o agravamento de uma situação já dramática,
governantes, em particular os das metrópoles, devem promover políticas de desincentivo ao uso de carros.
Uma alternativa é a criação de pedágios urbanos, a restringir a circulação de veículos em determinadas áreas, como
já se fez em cidades como Singapura, Estocolmo, Milão e
Londres. Nova York entrará nesse rol até o fim de 2020.
Com os recursos angariados pela cobrança, municípios
poderiam investir mais em seus sistemas de transporte público – opção para aqueles que não desejam tirar seus automóveis da garagem.
Ações do gênero, reconheça-se, são politicamente difíceis, sobretudo num país que historicamente privilegiou o
transporte individual.
Não se trata, contudo, de dificuldade intransponível. Pesquisa recente do Instituto Ipsos mostrou que 30% dos paulistanos proprietários de carro aceitariam abrir mão do veículo
em favor de outro meio de transporte. Há boa margem, pois,
para o avanço dessa agenda.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 08.11.2019. Adaptado)
O último parágrafo do texto autoriza afirmar que
Aos dados da pesquisa do Instituto Ipsos confirmam que a questão do transporte público paulistano padece de uma dificuldade intransponível.
Ba população do Estado de São Paulo, em sua grande maioria, aceita deixar o carro em casa para que o transporte público seja modernizado.
Ca questão do transporte público na cidade de São Paulo pode sofrer uma transformação positiva, ainda que exista dificuldade para isso.
Do avanço de uma agenda a favor de melhoria no transporte público no Estado de São Paulo sofre pressão contrária de 30% dos paulistanos.
Eos paulistanos estão dispostos a deixar o carro na garagem desde que a ideia de cobrança de pedágios seja posta de lado por definitivo.
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GabaritoC — a questão do transporte público na cidade de São Paulo pode sofrer uma transformação positiva, ainda que exista dificuldade para isso.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O último parágrafo e a possibilidade de transformação positiva
Gabarito: letra C. O último parágrafo autoriza afirmar que a questão do transporte público na cidade de São Paulo pode sofrer uma transformação positiva, ainda que exista dificuldade para isso — exatamente o que o texto sustenta ao dizer que a dificuldade "não se trata, contudo, de dificuldade intransponível" e que "há boa margem, pois, para o avanço dessa agenda". A alternativa C é a única que combina os dois movimentos do parágrafo: a ressalva (dificuldade) e a superação possível (transformação positiva).
O comando pede o que o parágrafo autoriza afirmar — ou seja, uma inferência ancorada em pistas textuais, não uma cópia literal. A chave está na estrutura concessiva do trecho final: o autor reconhece que as ações são "politicamente difíceis", mas imediatamente contrapõe com o conectivo "contudo", que inverte a expectativa e aponta para a viabilidade. Veja o trecho decisivo:
"Ações do gênero, reconheça-se, são politicamente difíceis, sobretudo num país que historicamente privilegiou o transporte individual. Não se trata, contudo, de dificuldade intransponível."
A palavra "intransponível" é o termo que decide a questão: o autor nega que a dificuldade seja absoluta. Some-se a isso o dado da pesquisa (30% dos paulistanos proprietários de carro aceitariam abrir mão do veículo) e a conclusão explícita: "Há boa margem, pois, para o avanço dessa agenda." A letra C é a paráfrase fiel dessa cadeia lógica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"os dados da pesquisa do Instituto Ipsos confirmam que a questão do transporte público paulistano padece de uma dificuldade intransponível."
Contradiz o texto. O autor afirma exatamente o oposto: "Não se trata, contudo, de dificuldade intransponível". A alternativa troca a negação por afirmação e ainda atribui à pesquisa um papel que ela não tem — a pesquisa apenas mostra aceitação de 30%, não "confirma" nenhuma dificuldade. Erro do catálogo: contradiz_texto (inversão do sentido por troca de vocábulo crucial).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"a população do Estado de São Paulo, em sua grande maioria, aceita deixar o carro em casa para que o transporte público seja modernizado."
Generaliza e extrapola. O texto fala de "30% dos paulistanos proprietários de carro" — não da "população do Estado" nem de "grande maioria". Além disso, a pesquisa mede disposição de abrir mão do veículo "em favor de outro meio de transporte", não especificamente "para que o transporte público seja modernizado". A alternativa restringe o universo (30% → maioria) e acrescenta finalidade não mencionada. Erro do catálogo: generalizacao (quantificador absoluto "grande maioria" sem apoio).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"a questão do transporte público na cidade de São Paulo pode sofrer uma transformação positiva, ainda que exista dificuldade para isso."
Paráfrase fiel. O texto reconhece a dificuldade ("politicamente difíceis"), mas a relativiza ("não se trata... de dificuldade intransponível") e aponta viabilidade ("Há boa margem... para o avanço dessa agenda"). A expressão "ainda que" captura exatamente a relação de concessão que o autor estabelece: a transformação é possível apesar da dificuldade. Nada aqui extrapola — tudo está ancorado no parágrafo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"o avanço de uma agenda a favor de melhoria no transporte público no Estado de São Paulo sofre pressão contrária de 30% dos paulistanos."
Inverte o dado. O texto diz que 30% dos paulistanos proprietários de carro aceitariam abrir mão do veículo — ou seja, são favoráveis à mudança, não contrários. A alternativa troca o sentido do percentual, transformando apoio em oposição. Além disso, o texto fala de "paulistanos proprietários de carro", não de todos os paulistanos, e limita-se à cidade de São Paulo, não ao Estado. Erro do catálogo: contradiz_texto (inversão semântica do dado).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"os paulistanos estão dispostos a deixar o carro na garagem desde que a ideia de cobrança de pedágios seja posta de lado por definitivo."
Extrapola e contradiz. O texto não condiciona a disposição de abrir mão do carro a nenhuma exigência sobre pedágios; ao contrário, o pedágio urbano é apresentado como alternativa positiva ("Uma alternativa é a criação de pedágios urbanos"). A alternativa inventa uma condição inexistente e ainda sugere rejeição ao pedágio, o que contraria a tese do editorial. Erro do catálogo: fora_do_escopo (acréscimo de condição não prevista) + contradiz_texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora transformar um dado parcial (30%) em absoluto ("maioria") ou inverter o sinal do dado (30% que aceitam → 30% que pressionam contra). Grife os quantificadores e o conectivo "contudo" antes de julgar.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "autoriza afirmar", desconfie de alternativas com "todos", "maioria", "intransponível", "desde que" — palavras absolutas ou condicionais raramente têm respaldo no texto. A correta costuma ser a que preserva a ressalva do autor.