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Questão de Português — Crase — VUNESP 2021

PortuguêsCrase
Código
vu062996
Banca
VUNESP
Órgão
CODEN
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Engenheiro Civil
Lições de vida

    Em 2009, um avião pousou de emergência no rio Hudson. O piloto era Sully Sullenberger e as 155 pessoas a bordo foram salvas por uma manobra impossível, perigosa, milagrosa. Sully virou herói e a lenda estava criada.
    Em 2016, no filme “Sully, o herói do rio Hudson”, Clint Eastwood revisitou a lenda para contar o que aconteceu depois do milagre: uma séria investigação às competências do capitão Sully Sullenberger. Ele salvara 155 pessoas, ninguém contestava. Mas foi mesmo necessário pousar no Hudson? Ou o gesto revelou uma imprudência criminosa, sobretudo quando existiam opções mais sensatas?
    Foram feitas simulações de computador. E a máquina deu o seu veredicto: era possível ter evitado as águas do rio e pousar em LaGuardia ou Teterboro. O próprio Sully come- çou a duvidar das suas competências. Todos falhamos. Será que ele falhou?
    Por causa desse filme, reli um dos ensaios de Michael Oakeshott, cujo título é “Rationalism in Politics”. Argumenta o autor que, a partir do Renascimento, o “racionalismo” tornou- -se a mais influente moda intelectual da Europa. Por “racionalismo”, entenda-se: uma crença na razão dos homens como guia único, supremo, da conduta humana.
     Para o racionalista, o conhecimento que importa não vem da tradição, da experiência, da vida vivida. O conhecimento é sempre um conhecimento técnico, ou de uma técnica, que pode ser resumido ou aprendido em livros ou doutrinas.
    Oakeshott argumentava que o conhecimento humano depende sempre de um conhecimento técnico e prático, mes- mo que os ensinamentos da prática não possam ser apresentados com rigor cartesiano.
    Clint Eastwood revisita a mesma dicotomia de Oakeshott para contar a história de Sullenberger. O avião perde os seus motores na colisão com aves; o copiloto, sintomaticamente, procura a resposta no manual de instruções; mas é Sully quem, conhecendo o manual, entende que ele não basta para salvar o dia.
    E, se os computadores dizem que ele está errado, ele sabe que não está – uma sabedoria que não se encontra em nenhum livro já que a experiência humana não é uma equa- ção matemática.
    As máquinas são ideais para lidar com situações ideais. Infelizmente, o mundo comum é perpetuamente devassado por contingências, ambiguidades, angústias, mas também súbitas iluminações que só os seres humanos, e não as má- quinas, são capazes de entender.
    Quando li Oakeshott, encontrei um filósofo que, contra toda a arrogância da modernidade, mostrava como a nossa imperfeição pode ser, às vezes, uma forma de salvação. O ensaio era, paradoxalmente, uma lição de humildade e uma apologia da grandeza humana. Eastwood, aos 86 anos, traduziu essas imagens.

(João Pereira Coutinho. Folha de S.Paulo, 29.11.2016. Adaptado)
O sinal indicativo de crase está corretamente empregado na alternativa:
  1. AGraças à uma manobra muito arriscada, 155 pessoas foram salvas.
  2. BSully preferiu confiar em sua vivência à seguir o manual de instruções
  3. CA investigação do caso levou à várias suposições, entre elas, se Sully havia sido irresponsável.
  4. DClint Eastwood não se manteve insensível à enorme ousadia de Sullenberger.
  5. EA princípio, a desconfiança na sua habilidade como piloto foi desfavorável à Sullenberger.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Clint Eastwood não se manteve insensível à enorme ousadia de Sullenberger.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase – Identificação do uso correto

Gabarito: letra D. A única alternativa que emprega corretamente o sinal indicativo de crase é a D, pois ocorre a fusão da preposição 'a' (exigida pelo adjetivo 'insensível') com o artigo feminino 'a' que antecede o substantivo 'ousadia'. Nas demais, o uso é proibido por regras gramaticais específicas.

Regra de crase

Caso em que se aplica

Exemplo correto

Exemplo incorreto (da questão)

Antes de artigo indefinido ('uma')

Nunca há crase

Graças a uma manobra

Graças à uma manobra (A)

Antes de verbo

Nunca há crase

Preferiu... a seguir

Preferiu... à seguir (B)

Antes de pronome indefinido plural ('várias')

Nunca há crase

Levou a várias suposições

Levou à várias suposições (C)

Antes de nome masculino

Nunca há crase

Desfavorável a Sullenberger

Desfavorável à Sullenberger (E)

Antes de palavra feminina que admite artigo

Crase obrigatória

Insensível à ousadia

— (D é o gabarito)

Análise das alternativas

  • Alternativa A — ❌ Incorreta

    "Graças à uma manobra muito arriscada"

    O verbo 'graças' rege a preposição 'a', mas o termo seguinte é o artigo indefinido 'uma'. A crase nunca é empregada antes de artigo indefinido, pois não há fusão com o artigo definido 'a'. O correto é a uma manobra.

    Erro: crase antes de 'uma' (caso proibido).

  • Alternativa B — ❌ Incorreta

    "preferiu confiar em sua vivência à seguir o manual de instruções"

    A estrutura 'preferir X a Y' exige a preposição 'a', mas 'seguir' é verbo. Crase jamais é usada antes de verbo, já que verbos não são precedidos de artigo. O correto é a seguir.

    Erro: crase antes de verbo no infinitivo.

  • Alternativa C — ❌ Incorreta

    "levou à várias suposições"

    O verbo 'levar' exige preposição 'a', mas 'várias' é pronome indefinido plural. Antes de pronome indefinido no plural, não se usa artigo, logo não há fusão. O correto é a várias suposições.

    Erro: crase antes de pronome indefinido plural.

  • Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

    "não se manteve insensível à enorme ousadia de Sullenberger"

    O adjetivo 'insensível' exige a preposição 'a' (insensível a algo). O substantivo 'ousadia' é feminino e admite artigo definido 'a'. Portanto, ocorre a contração à (preposição + artigo).

    A regra: sempre que um termo regente pedir a preposição 'a' e o termo regido for palavra feminina que admita artigo definido, a crase é obrigatória.

  • Alternativa E — ❌ Incorreta

    "foi desfavorável à Sullenberger"

    O adjetivo 'desfavorável' rege a preposição 'a'. No entanto, 'Sullenberger' é nome próprio masculino. Antes de palavra masculina, não se usa artigo feminino, portanto não há crase. O correto é a Sullenberger.

    Erro: crase diante de nome masculino.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura casos de crase obrigatória (D) com casos de crase proibida (A, B, C, E), todos comuns em concursos. O candidato deve lembrar as regras básicas: nunca antes de 'uma', verbo, plural sem artigo, palavra masculina.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, siga dois passos: 1) verifique se o termo anterior exige a preposição 'a'; 2) confira se o termo seguinte é uma palavra feminina que aceita artigo definido 'a'. Se ambas as condições forem verdadeiras, a crase é obrigatória. Caso contrário, não use.

Gabarito: letra D

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