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Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2021

PortuguêsMorfologia
Código
vu063304
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Potim - SP
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente Legislativo
Leia o texto para responder à questão.


Atenção ao sábado
 
    Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço: sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. No sábado é que as formigas subiam pela pedra. Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana. Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, de súbito, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde. Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais. Então eu não digo nada, aparentemente submissa. Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. Domingo de manhã também é a rosa da semana. Não é propriamente rosa que eu quero dizer. 

(Clarice Lispector, “Atenção ao sábado”.
Os melhores contos [seleção Walnice Nogueira Galvão], 1996
Na passagem – ... no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. –, a conjunção se não expressa algum sentido específico e liga duas orações que não têm sentido completo quando sozinhas, por isso uma depende da outra. Esse mesmo tipo de conjunção está corretamente destacado em:
  1. ASe chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não?
  2. BNo Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer...
  3. CTem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
  4. DEntão eu não digo nada, aparentemente submissa.
  5. EMas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
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GabaritoB — No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer...

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Conjunção subordinativa integrante "se" — VUNESP 2021

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que repete o mesmo tipo de conjunção do trecho citado: o "se" integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, sem valor semântico próprio (não expressa condição, causa etc.), apenas liga a oração principal à subordinada que funciona como seu objeto. No trecho do enunciado, "vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas", o "se" é integrante; em B, "quando se pensa que a semana vai morrer", o "que" também é conjunção integrante, com a mesma função sintática.

A questão pede que você identifique, entre as alternativas, a ocorrência de uma conjunção subordinativa integrante — aquela que introduz oração subordinada substantiva e não tem sentido próprio, apenas conecta a oração principal à subordinada. O comando já explica: "não expressa algum sentido específico e liga duas orações que não têm sentido completo quando sozinhas, por isso uma depende da outra". Isso é a definição exata da conjunção integrante ("que" ou "se"), que introduz orações com função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto.

1Função
Introduz oração subordinada substantiva
Sem valor semântico próprio
Liga principal à subordinada
2Teste de reconhecimento
Substituir por "isso"
"vou ver isso" → integrante
3Exemplos
"vou ver se o quintal..."
"pensa-se que a semana vai morrer"
4Distinções
"se" condicional (alternativa A)
"mas" adversativo (C e E)
"e" aditivo (E)
"então" advérbio (D)
Conjunção subordinativa integrante
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Conjunção subordinativa integrante: Função (Introduz oração subordinada substantiva, Sem valor semântico próprio, Liga principal à subordinada); Teste de reconhecimento (Substituir por "isso", "vou ver isso" → integrante); Exemplos ("vou ver se o quintal...", "pensa-se que a semana vai morrer"); Distinções ("se" condicional (alternativa A), "mas" adversativo (C e E), "e" aditivo (E), "então" advérbio (D))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não?"

Aqui o "se" é conjunção subordinativa condicional — expressa a condição para "eu saber que era sábado". A oração "se chovia" tem valor de circunstância de condição, não de objeto. O "que" em "que era sábado" é que é integrante, mas o "se" destacado não é. Erro: troca de conceito — confunde "se" condicional com "se" integrante.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer..."

O "que" é conjunção subordinativa integrante: introduz a oração "que a semana vai morrer", que funciona como objeto direto do verbo "pensar" (pensa-se isso). Não expressa causa, consequência, condição etc.; apenas liga a oração principal à subordinada substantiva. É exatamente o mesmo papel do "se" no trecho do enunciado: "vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas" (ver isso). Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais."

O "mas" é conjunção coordenativa adversativa — liga orações independentes (coordenadas), expressando oposição. Não é subordinativa e não introduz oração dependente. Erro: troca de conceito — confunde conjunção coordenativa com subordinativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Então eu não digo nada, aparentemente submissa."

O "então" é advérbio (ou, em alguns usos, conjunção coordenativa conclusiva), mas aqui funciona como advérbio de tempo/sequência, não como conjunção integrante. Não há oração subordinada substantiva. Erro: troca de conceito — confunde advérbio com conjunção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã."

O "mas" é conjunção coordenativa adversativa; o "e" é conjunção coordenativa aditiva. Ambos ligam orações coordenadas, independentes, sem subordinação. Erro: troca de conceito — confunde conjunção coordenativa com subordinativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia do "se" e do "que". O candidato que vê "se" em A e acha que é igual ao do enunciado cai na armadilha — mas em A o "se" é condicional, não integrante. A chave é testar a função: se a oração responde a "ver o quê?", "pensar o quê?", é integrante.

PEGA ESSA DICA!

Para reconhecer a conjunção integrante, substitua a oração por "isso": "vou ver isso", "pensa-se isso". Se encaixar, é integrante. Se a oração responder a "quando?", "se... então", "porque", não é.

Gabarito: letra B.

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