Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Concordância verbal, Concordância nominal — VUNESP 2021

PortuguêsConcordância verbal, Concordância nominal
Código
vu063365
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Potim - SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Diretor Geral

Leia o texto, para responder à questão.


   Quem se espanta com o espetáculo de horror diversificado que o mundo de hoje oferece faria bem se tivesse o dicionário como livro de leitura diurna e noturna. Pois ali está, na letra M, a chave do temperamento homicida, que convive no homem com suas tendências angélicas, e convive em perfeita harmonia de namorados.


    O consulente verá que matar é verbo copiosamente conjugado por ele próprio, não importa que cultive a mansuetude, a filantropia, o sentimentalismo; que redija projetos de paz universal, à maneira de Kant, e considere abominações o assassínio e o genocídio. Vive matando.


     A ideia de matar é de tal modo inerente ao homem que, à falta de atentados sanguinolentos a cometer, ele mata calmamente o tempo. Sua linguagem o trai. Por que não diz, nas horas de ócio e recreação ingênua, que está vivendo o tempo? Prefere matá-lo.


    Todos os dias, mais de uma vez, matamos a fome, em vez de satisfazê-la. O estudante que falta à classe confessa que matou a aula, o que implica matança do professor, da matéria e, consequentemente, de parte do seu acervo individual de conhecimento, morta antes de chegar a destino. No jogo mais intelectual que se conhece, pretende-se não apenas vencer o competidor, mas liquidá-lo pela aplicação de xeque-mate. Não admira que, nas discussões, o argumento mais poderoso se torne arma de fogo de grande eficácia letal: mata na cabeça.


  Beber um gole no botequim, ato de aparência gratuita, confortador e pacificante, envolve sinistra conotação. É o mata-bicho, indiscriminado. Matar charadas constitui motivo de orgulho intelectual para o matador.


   Se a linguagem espelha o homem, e se o homem adorna a linguagem com tais subpensamentos de matar, não admira que os atos de banditismo, a explosão intencional de aviões, o fuzilamento de reféns, o bombardeio aéreo de alvos residenciais, os pogroms, o napalm, as bombas A e H, a variada tragédia dos dias modernos se revele como afirmação cotidiana do lado perverso do ser humano.


    Admira é que existam a pesquisa de antibióticos, Cruz Vermelha Internacional, Mozart, o amor.


(Carlos Drummond de Andrade, O verbo matar. Poesia e Prosa. Adaptado.)

Assinale a alternativa que reescreve passagem do texto de acordo com a norma-padrão de concordância, emprego de pronomes, pontuação e regência.
  1. AA maioria, dos que se espanta com o espetáculo de horror diversificado oferecido pelo mundo de hoje, faria bem se dispusesse do dicionário e utilizasse ele como livro de leitura, diurna e noturna.
  2. BO estudante faltoso, confessa que matou a aula, o que implica na matança do professor e, além desse, dos conteúdos da aula ministrados por aquele.
  3. CConhece-se jogos intelectuais aos quais se pretende, não apenas, sobrepor-se o competidor; mas exterminar-lhe aplicando o xeque-mate.
  4. DNão é de espantar de que argumentos poderosos nas discussões, torne-se arma de fogo, de grande eficácia letal, matando na cabeça.
  5. ESua linguagem lhe prega peças. Pergunta-se por que não diz que está vivendo o tempo, nas horas de ócio e recreação ingênua. Prefere matá-lo a vivê-lo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Sua linguagem lhe prega peças. Pergunta-se por que não diz que está vivendo o tempo, nas horas de ócio e recreação ingênua. Prefere matá-lo a vivê-lo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita conforme a norma-padrão: concordância, pronomes, pontuação e regência

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que reescreve passagens do texto sem violar a norma-padrão: mantém a concordância verbal correta, emprega adequadamente os pronomes oblíquos, pontua com vírgulas bem colocadas e respeita a regência do verbo preferir (preferir algo a algo). As demais alternativas apresentam, cada uma, pelo menos um desvio de concordância, regência, pronome ou pontuação.

A questão pede que você identifique a reescrita de acordo com a norma-padrão — ou seja, não basta manter o sentido; é preciso que a frase esteja gramaticalmente correta. Vamos analisar cada alternativa, apontando o erro específico e a passagem do texto que ela tenta reescrever.

1Concordância verbal
Verbo concorda com o sujeito
Ex.: "Conhecem-se jogos" (não "Conhece-se")
2Regência
Preferir algo a algo
Implicar algo (sem "em")
Dispor de algo
Espantar que (sem "de")
3Pronomes oblíquos
Objeto direto: o/a
Objeto indireto: lhe
4Pontuação
Vírgula não separa sujeito do verbo
Adjunto deslocado isolado por vírgula
Reescrita conforme a norma-padrão
LEVELsoulevel.com.br
Reescrita conforme a norma-padrão: Concordância verbal (Verbo concorda com o sujeito, Ex.: "Conhecem-se jogos" (não "Conhece-se")); Regência (Preferir algo a algo, Implicar algo (sem "em"), Dispor de algo, Espantar que (sem "de")); Pronomes oblíquos (Objeto direto: o/a, Objeto indireto: lhe); Pontuação (Vírgula não separa sujeito do verbo, Adjunto deslocado isolado por vírgula)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"A maioria, dos que se espanta com o espetáculo de horror diversificado oferecido pelo mundo de hoje, faria bem se dispusesse do dicionário e utilizasse ele como livro de leitura, diurna e noturna."

Erro de regência e de pronome. O verbo dispor, no sentido de "ter à disposição", rege a preposição de — "dispor de algo" —, mas a alternativa usa "dispusesse do dicionário", o que está correto. O problema está em "utilizasse ele": o pronome ele não pode ser usado como objeto direto; deve-se usar o (utilizasse-o). Além disso, a vírgula após "maioria" separa indevidamente o sujeito do verbo, e a vírgula após "hoje" isola um adjunto adverbial que não deveria ser separado. A passagem original é "faria bem se tivesse o dicionário como livro de leitura diurna e noturna" — a reescrita troca "tivesse" por "dispusesse" (correto) mas erra no pronome e na pontuação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O estudante faltoso, confessa que matou a aula, o que implica na matança do professor e, além desse, dos conteúdos da aula ministrados por aquele."

Erro de regência e de pontuação. O verbo implicar no sentido de "acarretar" é transitivo direto — não admite a preposição "em". O correto é "implica a matança". Além disso, a vírgula após "faltoso" separa o sujeito do verbo, o que é proibido. A passagem original é "O estudante que falta à classe confessa que matou a aula, o que implica matança do professor, da matéria e, consequentemente, de parte do seu acervo individual de conhecimento" — a reescrita troca "implica" por "implica na", errando a regência, e insere vírgula indevida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Conhece-se jogos intelectuais aos quais se pretende, não apenas, sobrepor-se o competidor; mas exterminar-lhe aplicando o xeque-mate."

Erro de concordância e de regência. O verbo conhecer é transitivo direto; na voz passiva sintética, o correto é "Conhecem-se jogos" (concordância com o sujeito "jogos"). Além disso, "sobrepor-se o competidor" está errado: o verbo sobrepor rege a preposição a — "sobrepor-se ao competidor" — e o pronome "lhe" em "exterminar-lhe" é inadequado, pois exterminar é transitivo direto (exterminar algo/alguém, não "lhe"). A passagem original é "No jogo mais intelectual que se conhece, pretende-se não apenas vencer o competidor, mas liquidá-lo pela aplicação de xeque-mate" — a reescrita erra na concordância e na regência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Não é de espantar de que argumentos poderosos nas discussões, torne-se arma de fogo, de grande eficácia letal, matando na cabeça."

Erro de regência e de concordância. A expressão correta é "Não é de espantar que" (sem a preposição "de"). Além disso, "argumentos poderosos" é plural, então o verbo deveria ser "tornem-se", não "torne-se". A passagem original é "Não admira que, nas discussões, o argumento mais poderoso se torne arma de fogo de grande eficácia letal: mata na cabeça" — a reescrita troca "que" por "de que", erra a regência, e não concorda o verbo com o sujeito plural.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Sua linguagem lhe prega peças. Pergunta-se por que não diz que está vivendo o tempo, nas horas de ócio e recreação ingênua. Prefere matá-lo a vivê-lo."

Correta. A reescrita mantém a concordância verbal ("Pergunta-se" — sujeito indeterminado, correto), emprega o pronome oblíquo "lhe" adequadamente (objeto indireto de "prega peças"), pontua corretamente (vírgula após "tempo" para isolar o adjunto adverbial deslocado) e respeita a regência do verbo preferir: "preferir algo a algo" — "matá-lo a vivê-lo". A passagem original é "Por que não diz, nas horas de ócio e recreação ingênua, que está vivendo o tempo? Prefere matá-lo." — a reescrita reorganiza a frase sem alterar o sentido e sem violar a norma-padrão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura vários desvios (concordância, regência, pronome, pontuação) em cada alternativa, mas a letra E é a única que não apresenta nenhum. Desconfie de vírgulas separando sujeito de verbo e de preposições indevidas após verbos como implicar e espantar.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, verifique sempre: 1) o verbo concorda com o sujeito? 2) a regência está correta (preferir algo a algo, implicar algo, dispor de algo)? 3) os pronomes oblíquos estão bem empregados (o/a para objeto direto, lhe para indireto)? 4) as vírgulas não separam termos essenciais?

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/vu063365