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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2021

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu064505
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Marília - SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Supervisor de Saúde
Leia o texto para responder à questão.

    O ponto final nas máquinas de escrever antigas parecia uma mancha preta do tamanho de uma letra. O advento dos computadores trouxe caracteres com espaçamento proporcional – e o ponto foi reduzido a uma pequena marca. Para mim, um ex-usuário de máquina de escrever, a ideia foi tornar esse ponto menos relevante. A parte mais importante de uma frase passou a ser uma simples manchinha: fácil de inserir sem pensar muito, fácil de ignorar por completo.
    Depois, vieram outras ameaças: as mensagens de texto e os chats on-line. Na linguagem visual dos diálogos com balões de mensagem de texto no celular, os pontos são de pouca utilidade. Uma única linha de texto não requer pontuação para deixar claro que você terminou.
    Em vez de digitar o ponto, pressionamos “enviar”. E agora o encerramento de um texto é marcado pelo emoji de um beijo ou de uma carinha, no lugar do ponto final. Estudos mostram, inclusive, que as pessoas tendem a interpretar um texto que termina com ponto como ríspido ou passivo-agressivo.
    Escrevemos como se estivéssemos dialogando. Esse tipo de escrita digital geralmente é feita de forma rápida, à espera de uma resposta imediata. É uma forma semicontínua de bater papo.
    Mas escrever não é bem uma conversa. Um dos propósitos de escrever de maneira eficaz é armazenar e disseminar informações de forma que não seja necessária a presença física de outra pessoa enquanto se escreve. Um texto escrito é sua própria ilha de significado, da qual o escritor se mudou e na qual ninguém mais precisa habitar.
(Joe Moran. Como os chats quase acabaram com o ponto final.
www.bbc.com, 06.12.2020. Adaptado)
Segundo o texto, é correto afirmar que
  1. Ao autor, sendo um entusiasta do uso do ponto final, advoga que é preciso empregá-lo mesmo nas conversas on-line.
  2. Bo fato de não estarmos fisicamente em contato quando nos comunicamos on-line restringiu a quantidade de informações veiculadas.
  3. Co surgimento dos computadores valorizou o ponto final, ao contrário das máquinas de escrever que o deixavam desproporcional.
  4. Das pessoas, segundo pesquisas, consideram o emprego do ponto final um sinal de elegância e cuidado na redação de um texto.
  5. Euma conversa escrita num aplicativo de mensagens, para Joe Moran, equivale a uma conversa, já que as características são as mesmas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — o autor, sendo um entusiasta do uso do ponto final, advoga que é preciso empregá-lo mesmo nas conversas on-line.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a tese do autor sobre o ponto final

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que afirma que o autor, sendo um entusiasta do uso do ponto final, advoga que é preciso empregá-lo mesmo nas conversas on-line. Isso se sustenta no texto porque o autor lamenta a perda de relevância do ponto final e, no último parágrafo, contrapõe a escrita à conversa, defendendo que a escrita eficaz deve prescindir da presença física do interlocutor — o que implica valorizar o ponto final como marcador de encerramento. A passagem que ancora essa leitura é:

"Mas escrever não é bem uma conversa. Um dos propósitos de escrever de maneira eficaz é armazenar e disseminar informações de forma que não seja necessária a presença física de outra pessoa enquanto se escreve."

O autor não diz que o ponto final deve ser abandonado; pelo contrário, ele critica a tendência de substituí-lo por emojis e de tratá-lo como algo "fácil de ignorar por completo". A alternativa A é a única que capta essa defesa implícita do ponto final.

O comando da questão

O enunciado pede "Segundo o texto, é correto afirmar que" — isso caracteriza uma questão de compreensão (ou recorrência): a resposta deve estar explícita ou ser uma paráfrase fiel do que está escrito. Não se trata de inferir algo além do texto, nem de aplicar conhecimento de mundo. Portanto, o método é: localizar a passagem que corresponde a cada alternativa e verificar se ela diz exatamente aquilo — nem mais, nem menos.

O texto e sua tese

O texto narra a evolução do ponto final: nas máquinas de escrever era uma mancha; nos computadores, uma pequena marca; nos chats, praticamente abolido, substituído pelo botão "enviar" ou por emojis. O autor, como ex-usuário de máquina de escrever, observa que o ponto se tornou "fácil de ignorar por completo". No entanto, o ponto central está no último parágrafo: escrever não é conversa. A escrita eficaz deve ser autossuficiente, uma "ilha de significado", que não depende da presença do interlocutor. Isso implica que o ponto final, como marcador de encerramento, deveria ser mantido — é isso que a alternativa A capta.

A técnica: paráfrase vs. extrapolação

A alternativa correta é uma paráfrase da tese do autor: ele é entusiasta do ponto final (porque lamenta sua perda) e defende seu uso mesmo on-line (porque a escrita não é conversa). As demais alternativas cometem erros típicos:

  • B extrapola: o texto não diz que a comunicação on-line restringiu a quantidade de informações; diz apenas que o ponto final perdeu relevância.

  • C contradiz o texto: o texto diz que os computadores reduziram o ponto a uma pequena marca, não que o valorizaram.

  • D contradiz o texto: o texto diz que as pessoas interpretam o ponto como ríspido ou passivo-agressivo, não como sinal de elegância.

  • E contradiz o texto: o autor afirma explicitamente que escrever não é uma conversa.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o autor, sendo entusiasta do ponto final, advoga seu uso mesmo nas conversas on-line. Isso se sustenta em duas passagens:

"A parte mais importante de uma frase passou a ser uma simples manchinha: fácil de inserir sem pensar muito, fácil de ignorar por completo."

Aqui o autor lamenta a desvalorização do ponto. E no último parágrafo:

"Mas escrever não é bem uma conversa. Um dos propósitos de escrever de maneira eficaz é armazenar e disseminar informações de forma que não seja necessária a presença física de outra pessoa enquanto se escreve."

Se a escrita eficaz não depende da presença do interlocutor, o ponto final — que marca o encerramento — é necessário. O autor não defende explicitamente "empregar o ponto final", mas isso é uma conclusão direta do que ele afirma: ele critica a substituição do ponto por emojis e a equiparação entre escrita e conversa. A alternativa A é a única que não contradiz o texto e que sintetiza a posição do autor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que a comunicação on-line restringiu a quantidade de informações veiculadas. O texto não diz isso. Ele diz que o ponto final perdeu relevância e que as pessoas interpretam textos com ponto como ríspidos, mas nada sobre quantidade de informações. Isso é uma extrapolação: o candidato pode imaginar que, sem pontuação, a informação fica mais pobre, mas o texto não autoriza essa conclusão. O erro é fora_do_escopo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que os computadores valorizaram o ponto final, ao contrário das máquinas de escrever. O texto diz exatamente o oposto:

"O advento dos computadores trouxe caracteres com espaçamento proporcional – e o ponto foi reduzido a uma pequena marca."

O ponto foi reduzido, não valorizado. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentido: troca "reduzido" por "valorizado". O erro é contradiz_texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que as pessoas consideram o ponto final um sinal de elegância e cuidado. O texto diz o contrário:

"Estudos mostram, inclusive, que as pessoas tendem a interpretar um texto que termina com ponto como ríspido ou passivo-agressivo."

As pessoas interpretam o ponto como ríspido ou passivo-agressivo, não como elegante. A alternativa contradiz o texto ao trocar o adjetivo. O erro é contradiz_texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que, para Joe Moran, uma conversa escrita equivale a uma conversa, já que as características são as mesmas. O texto afirma o oposto:

"Mas escrever não é bem uma conversa."

O autor nega a equivalência. A alternativa contradiz o texto ao afirmar o que o autor nega. O erro é contradiz_texto.

Fechamento

A questão testa a capacidade de localizar a tese do autor e de parafraseá-la sem extrapolar. A alternativa A é a única que não contradiz o texto e que sintetiza a posição do autor: ele valoriza o ponto final e critica sua substituição nos chats. As demais ou invertem o sentido (C, D, E) ou acrescentam informação ausente (B).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas ("sempre", "nunca", "todos") ou que invertem o sentido com um vocábulo ("valorizou" em vez de "reduziu"). Confronte cada alternativa com o trecho exato do texto.

Gabarito: letra A

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