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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2021

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu065109
Banca
VUNESP
Órgão
SAEG - SP
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
SAEG - Assistente de Serviços Administrativos

    Há carroças exóticas, pintadas com desenhos de figuras populares, seres mitológicos, nuvens, pássaros e vampiros. A que mais me chamou atenção foi uma carroça linda, com uma pintura geométrica que lembra um quadro de Mondrian. Na lateral, estava escrito: “Carrego todo tipo de tralha, e carrego um sonho dentro de mim”.

    Era uma carroça mineira, pois ostentava uma bandeira de Minas. Conversei um pouco com esse carroceiro de São João del-Rei. Acho que perdeu a desconfiança nas ruas paulistanas, pois não se esquivou de mim, e ainda me mostrou uma luminária de aço, fabricada em Manchester (1946). Esse objeto havia sido abandonado numa caixa de papelão e recolhido pelo caprichoso carroceiro de Minas.

    Especulei a origem da luminária e me indaguei: quantas páginas esse belo objeto tinha iluminado em noites do pós- -guerra?

    Depois o carroceiro abriu uma caixa e me mostrou livros velhos, em língua alemã. Disse que tinha encontrado tudo numa mesma calçada do Jardim Europa, e agora ia vender os livros para um sebo. Ele me olhou e acrescentou: “Ando solto, não gosto de ser botado preso dentro de curral. A gente encontra cada coisa por aí... Só não encontra o que a gente sonha”.

    Comprei a luminária desse filósofo ambulante, mas não me interessei pelos livros.

    Sei que não é fácil encontrar um sonho nas ruas; mas encontrei carroceiros simpáticos e um assunto para escrever esta crônica.


(Milton Hatoum. Catadores de tralhas e sonhos.

https://cultura.estadao.com.br, 27.03.2015. Adaptado)

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
  1. Ao autor demonstrava mais interesse pela história das coisas do que pelas coisas propriamente ditas.
  2. Bo carroceiro é tido como filósofo pelo autor do texto por seu pensamento contemplativo sobre a vida.
  3. Co fascínio do autor pelo carroceiro e pelos objetos residia na vantagem pessoal que alcançaria ao escrever a crônica.
  4. Do motivo que impediu o autor de comprar os livros do carroceiro foi o seu desconhecimento do alemão.
  5. Eo autor entende que as pessoas de Minas são desconfiadas de tudo e de todos até o fim da vida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o carroceiro é tido como filósofo pelo autor do texto por seu pensamento contemplativo sobre a vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto – Localização de informação explícita

Gabarito: letra B. O autor chama explicitamente o carroceiro de "filósofo ambulante" e descreve seu comportamento contemplativo, o que sustenta que ele é visto como filósofo por seu pensamento sobre a vida.

Desenvolvimento:

O texto relata o encontro do narrador com um carroceiro mineiro. A questão pede a afirmação correta a partir da leitura. O comando é de compreensão (recorrência), pois várias alternativas podem ser verificadas diretamente no texto.

Vamos analisar cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"A que mais me chamou atenção foi uma carroça linda... Depois o carroceiro abriu uma caixa e me mostrou livros velhos, em língua alemã."

O autor demonstra interesse tanto pela carroça quanto pelas histórias, mas o texto não afirma que seu interesse pela história é maior que pelos próprios objetos. Ele compra a luminária, um objeto, e não os livros. Não há comparação. A alternativa extrapola ao criar uma hierarquia de interesse que não está no texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Comprei a luminária desse filósofo ambulante"

O autor qualifica o carroceiro como "filósofo ambulante" devido ao seu modo de vida e às reflexões que compartilha, como: "A gente encontra cada coisa por aí... Só não encontra o que a gente sonha." Essa postura contemplativa justifica o epíteto. Portanto, a afirmação é uma paráfrase correta do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"encontrei carroceiros simpáticos e um assunto para escrever esta crônica."

O texto indica que a experiência lhe deu assunto para a crônica, mas não diz que o fascínio residia nessa vantagem pessoal. O fascínio é genuíno e ocorre durante o encontro, antes da ideia de escrever. A alternativa acrescenta uma motivação que o texto não sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Comprei a luminária desse filósofo ambulante, mas não me interessei pelos livros."

O narrador afirma apenas que não se interessou pelos livros, sem especificar o motivo. Atribuir a causa ao desconhecimento do alemão é uma extrapolação. O texto não menciona seu conhecimento de idiomas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Acho que perdeu a desconfiança nas ruas paulistanas, pois não se esquivou de mim"

O autor supõe que o carroceiro perdeu a desconfiança, o que pode indicar que, em geral, pessoas de Minas são desconfiadas, mas ele não afirma que são "desconfiadas de tudo e de todos até o fim da vida". Essa é uma generalização indevida que o texto não apoia.

Gabarito: letra B. A única alternativa que encontra correspondência literal no texto é a que reconhece o carroceiro como filósofo devido à sua atitude contemplativa.

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