Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2021
Português›Interpretação de Textos
Código
vu065296
Banca
VUNESP
Órgão
Semae de Piracicaba - SP
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Programador Junior
Considere a tira para responder à questão.
(Bill Watterson. O Estado de S. Paulo, 07.12.2019.)
Atendendo à norma-padrão da língua portuguesa, a frase de Calvin no último quadrinho pode ser reescrita da seguinte forma:
AEm vez de dar uma de esperto, você poderia entregar à mim o controle remoto.
BEm vez de agir como esperto, você poderia oferecer à mim o controle remoto.
CEm vez de se comportar de esperto, você poderia me disponibilizar o controle remoto.
DEm vez de se fazer de esperto, você poderia passar para mim o controle remoto.
EEm vez de se fingir a esperto, você poderia repassar para mim o controle remoto.
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GabaritoD — Em vez de se fazer de esperto, você poderia passar para mim o controle remoto.
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Reescrita da fala de Calvin conforme a norma-padrão
Gabarito: letra D. A única reescrita que atende à norma-padrão é a D, pois emprega corretamente a expressão "se fazer de" (no sentido de fingir) e a locução "passar para mim", sem vícios de regência ou de colocação pronominal. As demais alternativas apresentam desvios como "dar uma de esperto" (coloquialismo), "agir como esperto" (mudança de sentido), "se comportar de esperto" (construção inexistente) e "se fingir a esperto" (erro de regência).
A questão pede uma reescrita da fala de Calvin no último quadrinho, mantendo o sentido original e obedecendo à norma culta. O comando é de reescritura gramatical: não se trata de interpretar o texto, mas de substituir uma expressão coloquial por outra formalmente correta, preservando o significado.
A fala original de Calvin (não transcrita no enunciado, mas recuperável pela tira) expressa a ideia de "não se fazer de esperto" e "entregar o controle remoto". A alternativa correta deve:
usar a construção "se fazer de" (equivalente a "fingir-se"), que é a forma padrão;
empregar o verbo "passar" com a preposição "para" + pronome "mim", construção correta e natural.
Reescrita na norma-padrão: "dar uma de esperto" (coloquialismo); "agir como esperto" (troca de sentido); "se comportar de esperto" (inexistente); "se fingir a esperto" (erro de regência); "entregar à mim" (crase indevida); "se fazer de esperto" (fingir-se); "passar para mim" (regência correta)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Em vez de dar uma de esperto, você poderia entregar à mim o controle remoto."
Dois problemas:
"dar uma de esperto" é expressão coloquial, não aceita na norma-padrão;
"entregar à mim" é erro de regência: o verbo "entregar" exige a preposição "a", mas antes de pronome pessoal do caso reto ("mim") não se usa crase; o correto é "entregar a mim" ou "me entregar". A forma "à mim" é proibida — crase antes de pronome pessoal não ocorre.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Em vez de agir como esperto, você poderia oferecer à mim o controle remoto."
Aqui há troca de sentido: "agir como esperto" significa "comportar-se de maneira inteligente", e não "fingir-se de esperto". Além disso, repete o erro de "à mim" (crase indevida). O verbo "oferecer" também não é o mais adequado para o contexto de devolver/entregar o controle.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Em vez de se comportar de esperto, você poderia me disponibilizar o controle remoto."
A construção "se comportar de esperto" não existe na norma culta — o correto seria "comportar-se como esperto" (e ainda assim mudaria o sentido). Além disso, "me disponibilizar" é inadequado: o verbo "disponibilizar" pede objeto direto, mas a colocação pronominal e o sentido ficam estranhos; o natural seria "disponibilizar para mim" ou "me entregar".
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Em vez de se fazer de esperto, você poderia passar para mim o controle remoto."
Esta é a única que:
usa "se fazer de" — locução verbal padrão que significa "fingir-se", exatamente o sentido da fala original;
mantém o tom coloquial, mas dentro da norma culta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Em vez de se fingir a esperto, você poderia repassar para mim o controle remoto."
O verbo "fingir" não é pronominal nesse sentido: não se diz "se fingir a esperto". O correto seria "fingir-se de esperto" ou "fazer-se de esperto". Além disso, "repassar" muda o sentido (implica repassar algo recebido), enquanto o contexto é de simplesmente entregar/devolver o controle.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura erros de regência ("à mim") com coloquialismos ("dar uma de") e troca de sentido ("agir como", "repassar"). A alternativa D é a única que acerta a locução "se fazer de" e a regência "passar para mim".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, teste cada alternativa substituindo a expressão original e verificando se o sentido permanece. Desconfie de "à mim" (crase antes de pronome pessoal é sempre erro) e de construções como "se comportar de" (não existem).