Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2021
Português›Interpretação de Textos
Código
vu065604
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Escrevente Técnico Judiciário
Leia o texto para responder à questão.
Amor é para gastar
Na economia da vida, o maior desperdício é fazer poupança de amor. Prejuízo na certa. Amor é para gastar, mostrar, ostentar. O amor, aliás, é a mais saudável forma de ostentação que existe no mundo.
Vai por mim, amar é luxo só. Triste de quem sente e esconde, de quem sente e fica no joguinho dramático, de quem
sente e guarda a sete chaves. Sinto muito.
Amor é da boca para fora. Amor é um escândalo que
não se abafa. “Eu te amo” é para ser dito, desbocadamente.
Guardar “eu te amo” é prejudicial à saúde.
Na economia amorosa, só existe pagamento à vista, missa de corpo presente. O amor não se parcela, não admite
suaves prestações.
Não existe essa de amor só amanhã, como na placa do
fiado do boteco. Amor é hoje, aqui, agora... Amor não se sonega, amor é tudo a declarar.
(Xico Sá, “Amor é para gastar”. Em: http://www.itatiaia.com.br)
O estabelecimento de sentido no texto se dá pela inter-relação entre a área do amor e a da
Afinança, enfatizando-se que a primeira dispensa grandes investimentos para que logre êxito.
Betiqueta, enfatizando-se que a primeira pode trazer prejuízos à vida social se promove escândalos.
Csaúde, enfatizando-se que a primeira pode trazer problemas físicos se o amor é exagerado.
Deconomia, enfatizando-se que a primeira exige o dispêndio de recursos de forma intensa.
Epsicologia, enfatizando-se que a primeira vira ostentação quando se faz joguinho dramático.
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GabaritoD — economia, enfatizando-se que a primeira exige o dispêndio de recursos de forma intensa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Inter-relação entre amor e economia no texto
Gabarito: letra D. O texto constrói o sentido pela inter-relação entre a área do amor e a da economia, enfatizando que o amor exige dispêndio intenso de recursos — como se lê já no primeiro parágrafo: "o maior desperdício é fazer poupança de amor" e "Amor é para gastar, mostrar, ostentar". A alternativa D é a única que capta essa metáfora econômica central, sem acrescentar ideias que o texto não sustenta.
A questão pede compreensão (o que o texto afirma), não inferência. A chave está em perceber que o autor transporta o vocabulário da economia (poupança, gastar, pagamento à vista, parcelar, sonegar, declarar) para falar do amor. Toda a argumentação gira em torno dessa comparação: amar é gastar, e gastar muito, sem reservas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o amor "dispensa grandes investimentos para logre êxito". O texto diz exatamente o contrário: o amor exige gasto intenso, como em "Amor é para gastar, mostrar, ostentar" e "só existe pagamento à vista". Não há nenhuma passagem que sugira que o amor prescinde de investimento. Erro: contradiz o texto (inverte a tese central).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "etiqueta" e em "prejuízos à vida social se promove escândalos". O texto, ao contrário, elogia o escândalo amoroso: "Amor é um escândalo que não se abafa". Não há qualquer menção a etiqueta ou a prejuízo social. Erro: foge ao tema (tangencia o texto, introduzindo um campo semântico — etiqueta — que não aparece).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "saúde" e em "problemas físicos se o amor é exagerado". O texto menciona saúde apenas de forma irônica: "Guardar 'eu te amo' é prejudicial à saúde" — ou seja, o problema é não gastar amor, não o excesso. A alternativa inverte a relação: o texto diz que esconder o amor faz mal, não que amar demais faz mal. Erro: contradiz o texto (inverte a causa).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D é a única inteiramente sustentada. O texto inteiro é construído sobre a metáfora econômica: "Na economia da vida", "fazer poupança de amor", "Amor é para gastar", "Na economia amorosa, só existe pagamento à vista", "O amor não se parcela", "Amor não se sonega, amor é tudo a declarar". A expressão "dispêndio de recursos de forma intensa" é uma paráfrase fiel de "gastar, mostrar, ostentar" e de "pagamento à vista" — o amor exige entrega total, imediata, sem reservas. Correta: paráfrase do texto, sem extrapolação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "psicologia" e diz que o amor "vira ostentação quando se faz joguinho dramático". O texto menciona "joguinho dramático" como algo negativo ("Triste de quem sente e fica no joguinho dramático"), mas não o associa a ostentação — aliás, o autor defende a ostentação do amor ("a mais saudável forma de ostentação"). A alternativa mistura e distorce os conceitos. Erro: troca de conceito (confunde "ostentação" — elogiada — com "joguinho dramático" — criticado).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com fato verdadeiro: as alternativas A, B, C e E trazem campos semânticos plausíveis (finança, etiqueta, saúde, psicologia), mas que não são os que o texto desenvolve. A única área que o texto realmente inter-relaciona com o amor é a economia — e a D é a única que permanece dentro do texto.
PEGA ESSA DICA!
Ao ler o enunciado, sublinhe a palavra "inter-relação" — ela pede que você identifique qual campo semântico o autor usa para falar do amor. Depois, procure no texto as palavras-chave desse campo (poupança, gastar, pagamento, parcelar, sonegar, declarar) e veja qual alternativa as resume.