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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2021

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu065758
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Analista em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Analista de Redes)

    Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente? Um robô capaz de selecionar contratados em uma empresa seria confiável? Como garantir que a tecnologia faça bem ao ser humano? Essas são algumas perguntas presentes no debate ético em torno da IA (inteligência artificial). O crescimento da área é acelerado e muitas vezes incorre em aplicações questionáveis.

    Diversos países correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares. Para isso, criam políticas nacionais a fim de fomentar a pesquisa e a criação de empresas especializadas na área. EUA, China e União Europeia são destaques nesse mundo.

    O caso chinês é o mais emblemático, com startups sendo incentivadas a desenvolver sistemas sofisticados de reconhecimento facial. O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures, população majoritariamente muçulmana. Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos. A justificativa chinesa é pautada na segurança nacional: o objetivo é coibir ataques extremistas. O sistema de vigilância já foi vendido a governos na África, como o do Zimbábue.

    A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle. Outras ferramentas poderosas já precisaram do mesmo tratamento. A bioética, que ajuda a estabelecer as regras para pesquisas em áreas como a genética, é frequentemente citada como exemplo a ser seguido. Uma boa forma de lidar com os riscos de grandes avanços sem impedir o progresso da ciência é por meio de consensos de especialistas, em congressos. Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória – para retomar a discussão no futuro, com a tecnologia mais avançada.

    Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial. Um rascunho de documento da União Europeia obtido pelo site “Politico”, em janeiro, mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos. Nesse tempo, regras mais robustas devem ser criadas.

(Raphael Hernandes. Inteligência artificial enfrenta questões éticas para ter evolução responsável. Disponível em: https://temas.folha.uol.com.br. Acesso em: 25.02.2020. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a construção entre colchetes substitui a original, de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação do pronome.
  1. AO governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias [lhes rastrear]
  2. B… ter armas que definem seus alvos [definem-nos]
  3. C… armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos [disparam-nos]
  4. D… criam políticas nacionais [criam-as]
  5. E…para retomar a discussão no futuro [retomar-lhe]
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GabaritoC — … armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos [disparam-nos]

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego e colocação dos pronomes oblíquos: substituindo termos sem ferir a norma

Gabarito: letra C. A construção disparam-nos substitui corretamente disparam os gatilhos, pois o pronome oblíquo átono "nos" (forma de "os") retoma o objeto direto "os gatilhos" e se posiciona após o verbo (ênclise), conforme a norma-padrão. As demais alternativas falham por usar o pronome inadequado (lhe para objeto direto), por desrespeitar a próclise obrigatória após pronome relativo, ou por trocar o objeto direto por um pronome de objeto indireto.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a alternativa em que a substituição do trecho original pelo pronome entre colchetes está de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação do pronome. Isso significa que você deve avaliar dois aspectos simultaneamente:

  1. Emprego: o pronome oblíquo deve ser compatível com a função sintática do termo substituído (objeto direto → o, a, os, as; objeto indireto → lhe, lhes).

  2. Colocação: a posição do pronome (próclise, ênclise, mesóclise) deve obedecer às regras da norma culta.

A questão é de gramática aplicada ao texto, não de interpretação. Você precisa analisar cada trecho original e verificar se a substituição mantém o sentido e respeita a sintaxe.

O texto e o ponto de ancoragem

O texto-base trata do debate ético em torno da inteligência artificial. O trecho relevante para a questão está no primeiro parágrafo:

"Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente?"

Aqui, o verbo disparar é transitivo direto: disparam algo, e esse algo é os gatilhos. Portanto, o pronome que substitui "os gatilhos" deve ser os (ou sua forma -nos após verbo terminado em -m), nunca lhes, que é exclusivo de objeto indireto. Além disso, o verbo disparar está na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo, terminado em -m, o que exige a forma -nos na ênclise.

A técnica que decide

Para resolver, siga este roteiro em cada alternativa:

  1. Identifique a transitividade do verbo: é transitivo direto (pede objeto sem preposição) ou indireto (pede objeto com preposição)?

  2. Escolha o pronome adequado: objeto direto → o, a, os, as; objeto indireto → lhe, lhes.

  3. Verifique a colocação: se houver palavra atrativa (como pronome relativo que), a próclise é obrigatória; caso contrário, a ênclise é a posição padrão.

A pegadinha central da banca é a troca de objeto direto por indireto: usar lhe onde deveria ser o/os, ou vice-versa. Outra armadilha é ignorar a próclise obrigatória após pronome relativo, como em "que definem seus alvos" — aqui, o pronome deve vir antes do verbo, e não depois.

Análise das alternativas

Pronome oblíquo átono
  • 1Emprego (função sintática)
    • Objeto direto → o, a, os, as
    • Objeto indireto → lhe, lhes
  • 2Colocação
    • Próclise (palavra atrativa)
      • Pronome relativo (que, quem, cujo)
      • Negação, advérbio, conjunção
    • Ênclise (posição padrão)
      • Verbo no início da oração
      • Após conjunção coordenativa (e, mas)
  • 3Formas especiais
    • Após -r, -s, -z → -lo, -la, -los, -las
    • Após -m, -ão, -õe → -no, -na, -nos, -nas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de objeto direto por indireto.

No trecho original, "rastrear algumas minorias" — o verbo rastrear é transitivo direto (rastreia-se algo). O pronome correto para substituir "algumas minorias" é as (ou -las após verbo terminado em -r), nunca lhes, que é exclusivo de objeto indireto. A forma "lhes rastrear" está duplamente errada: emprega pronome de objeto indireto para um objeto direto e ainda desrespeita a próclise (não há palavra atrativa, então o correto seria "rastreá-las").

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: desrespeito à próclise obrigatória após pronome relativo.

No trecho "armas que definem seus alvos", o pronome relativo que atrai o pronome oblíquo para antes do verbo (próclise obrigatória). A forma "definem-nos" usa ênclise, o que é proibido nesse contexto. O correto seria "que as definem" (ou "que os definem", dependendo do referente). A banca explora exatamente essa regra: após pronome relativo, a próclise é obrigatória.

Alternativa C — ✅ Correta

Emprego e colocação corretos.

No trecho "armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos", o verbo disparar é transitivo direto, e "os gatilhos" é objeto direto. O pronome os é o adequado. Como o verbo está na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo (terminado em -m), a forma correta na ênclise é -nos: disparam-nos. Não há palavra atrativa antes do verbo (o "e" é conjunção coordenativa, não atrai próclise), então a ênclise é a posição padrão. A substituição mantém o sentido e respeita a norma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: desrespeito à próclise obrigatória após pronome relativo.

No trecho "criam políticas nacionais", o verbo criar é transitivo direto, e "políticas nacionais" é objeto direto. O pronome correto seria as (ou -nas após verbo terminado em -m). A forma "criam-as" usa ênclise, mas o contexto exige próclise? Não há palavra atrativa imediata, mas a oração é subordinada? Na verdade, o trecho original é "criam políticas nacionais" — sem atrativo, a ênclise seria aceitável, mas a forma correta seria criam-nas (e não "criam-as"). A alternativa apresenta "criam-as", que está incorreta porque, após verbo terminado em -m, o pronome as assume a forma -nas. Portanto, o erro é de forma, não de colocação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de objeto direto por indireto.

No trecho "retomar a discussão no futuro", o verbo retomar é transitivo direto (retoma-se algo). O pronome correto para substituir "a discussão" é a (ou -la após verbo terminado em -r), nunca lhe, que é exclusivo de objeto indireto. A forma "retomar-lhe" está errada porque emprega pronome de objeto indireto para um objeto direto. O correto seria retomá-la.

Conclusão

A única alternativa que respeita simultaneamente o emprego (pronome adequado à função sintática) e a colocação (posição correta) é a letra C. As demais erram por usar lhe para objeto direto (A e E) ou por desrespeitar a próclise obrigatória após pronome relativo (B) ou por forma inadequada do pronome (D).

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um termo por pronome, pergunte-se: o verbo pede objeto direto (sem preposição) ou indireto (com preposição)? Isso define se o pronome será o/a/os/as ou lhe/lhes. E lembre-se: após pronome relativo (que, quem, cujo), a próclise é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar objeto direto por indireto, usando lhe onde deveria ser o/os. Fique atento à transitividade do verbo — é o critério que decide.

Gabarito: letra C

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