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Questão de Português — Regência — VUNESP 2021

PortuguêsRegência
Código
vu065759
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Analista em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Analista de Redes)

    Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente? Um robô capaz de selecionar contratados em uma empresa seria confiável? Como garantir que a tecnologia faça bem ao ser humano? Essas são algumas perguntas presentes no debate ético em torno da IA (inteligência artificial). O crescimento da área é acelerado e muitas vezes incorre em aplicações questionáveis.

    Diversos países correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares. Para isso, criam políticas nacionais a fim de fomentar a pesquisa e a criação de empresas especializadas na área. EUA, China e União Europeia são destaques nesse mundo.

    O caso chinês é o mais emblemático, com startups sendo incentivadas a desenvolver sistemas sofisticados de reconhecimento facial. O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures, população majoritariamente muçulmana. Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos. A justificativa chinesa é pautada na segurança nacional: o objetivo é coibir ataques extremistas. O sistema de vigilância já foi vendido a governos na África, como o do Zimbábue.

    A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle. Outras ferramentas poderosas já precisaram do mesmo tratamento. A bioética, que ajuda a estabelecer as regras para pesquisas em áreas como a genética, é frequentemente citada como exemplo a ser seguido. Uma boa forma de lidar com os riscos de grandes avanços sem impedir o progresso da ciência é por meio de consensos de especialistas, em congressos. Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória – para retomar a discussão no futuro, com a tecnologia mais avançada.

    Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial. Um rascunho de documento da União Europeia obtido pelo site “Politico”, em janeiro, mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos. Nesse tempo, regras mais robustas devem ser criadas.

(Raphael Hernandes. Inteligência artificial enfrenta questões éticas para ter evolução responsável. Disponível em: https://temas.folha.uol.com.br. Acesso em: 25.02.2020. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o enunciado entre colchetes substitui a construção original, com sentido compatível e de acordo com a norma-padrão de regência verbal.
  1. ASerá boa ideia ter armas …[apropriar-se de armas]
  2. Bimpor limites [instituir por limites]
  3. Cretomar a discussão [resgatar da discussão]
  4. Dimpedir o progresso [obstaculizar ao progresso]
  5. Emonitoram os passos [controlam aos passos]
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Será boa ideia ter armas …[apropriar-se de armas]

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal: substituição com sentido compatível e norma-padrão

Gabarito: letra A. A única substituição que preserva o sentido e respeita a regência é “apropriar-se de armas”, pois o verbo apropriar-se rege a preposição de, formando objeto indireto — exatamente como o original “ter armas” (ter algo). As demais alternativas ou trocam a regência (exigindo preposição indevida) ou alteram o sentido da construção original.

A questão cobra regência verbal — a relação de subordinação entre o verbo e seus complementos. O comando pede que a substituição entre colchetes seja compatível em sentido e de acordo com a norma-padrão de regência. Ou seja: o verbo substituto deve reger o complemento da mesma forma que o original, sem criar objeto indireto onde não há, e sem mudar o significado.

Verbo original

Verbo substituto

Regência correta

Análise

Ter (VTD)

Apropriar-se de (VTI)

de — exigida

✅ Sentido e regência corretos

Impor (VTD/VTI)

Instituir por

por — indevida

❌ Preposição errada e sentido alterado

Retomar (VTD)

Resgatar da

de — indevida

❌ Preposição errada e sentido alterado

Impedir (VTD)

Obstaculizar ao

a — indevida

❌ Preposição errada

Monitorar (VTD)

Controlar aos

a — indevida

❌ Preposição errada

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Será boa ideia ter armas …[apropriar-se de armas]”

O verbo ter é transitivo direto: “ter armas” (objeto direto, sem preposição). O verbo apropriar-se é transitivo indireto, exigindo a preposição de: “apropriar-se de armas”. A substituição mantém o sentido de posse/obtenção e a regência está correta. É a única alternativa que atende aos dois requisitos do comando: sentido compatível e norma-padrão de regência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“impor limites [instituir por limites]”

O verbo impor é transitivo direto: “impor limites” (objeto direto, sem preposição). O verbo instituir também é transitivo direto: “instituir limites”. A substituição instituir por limites introduz a preposição por, que não é exigida pelo verbo — o correto seria “instituir limites”. Além disso, o sentido de “impor” (obrigar, fazer aceitar) não é exatamente o de “instituir” (estabelecer, criar). Erro: preposição indevida e leve alteração de sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“retomar a discussão [resgatar da discussão]”

O verbo retomar é transitivo direto: “retomar a discussão” (objeto direto, sem preposição). O verbo resgatar também é transitivo direto: “resgatar a discussão”. A substituição resgatar da discussão usa a preposição de, que não é exigida — o correto seria “resgatar a discussão”. Além disso, o sentido de “retomar” (continuar, reassumir) difere de “resgatar” (recuperar algo perdido). Erro: preposição indevida e alteração de sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“impedir o progresso [obstaculizar ao progresso]”

O verbo impedir é transitivo direto: “impedir o progresso” (objeto direto, sem preposição). O verbo obstaculizar também é transitivo direto: “obstaculizar o progresso”. A substituição obstaculizar ao progresso usa a preposição a, que não é exigida — o correto seria “obstaculizar o progresso”. Erro: preposição indevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“monitoram os passos [controlam aos passos]”

O verbo monitorar é transitivo direto: “monitoram os passos” (objeto direto, sem preposição). O verbo controlar também é transitivo direto: “controlam os passos”. A substituição controlam aos passos usa a preposição a, que não é exigida — o correto seria “controlam os passos”. Erro: preposição indevida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você percebe que verbos como instituir, resgatar, obstaculizar e controlar são transitivos diretos, assim como os originais — a preposição acrescentada nas alternativas B, C, D e E é um erro de regência. A única que exige preposição é apropriar-se de.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um verbo, verifique se o novo verbo exige a mesma preposição que o original. Se o original é transitivo direto (sem preposição), o substituto também deve ser, a menos que seja um verbo pronominal como apropriar-se.

Gabarito: letra A.

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