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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2021

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu065760
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Analista em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Analista de Redes)

    Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente? Um robô capaz de selecionar contratados em uma empresa seria confiável? Como garantir que a tecnologia faça bem ao ser humano? Essas são algumas perguntas presentes no debate ético em torno da IA (inteligência artificial). O crescimento da área é acelerado e muitas vezes incorre em aplicações questionáveis.

    Diversos países correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares. Para isso, criam políticas nacionais a fim de fomentar a pesquisa e a criação de empresas especializadas na área. EUA, China e União Europeia são destaques nesse mundo.

    O caso chinês é o mais emblemático, com startups sendo incentivadas a desenvolver sistemas sofisticados de reconhecimento facial. O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures, população majoritariamente muçulmana. Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos. A justificativa chinesa é pautada na segurança nacional: o objetivo é coibir ataques extremistas. O sistema de vigilância já foi vendido a governos na África, como o do Zimbábue.

    A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle. Outras ferramentas poderosas já precisaram do mesmo tratamento. A bioética, que ajuda a estabelecer as regras para pesquisas em áreas como a genética, é frequentemente citada como exemplo a ser seguido. Uma boa forma de lidar com os riscos de grandes avanços sem impedir o progresso da ciência é por meio de consensos de especialistas, em congressos. Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória – para retomar a discussão no futuro, com a tecnologia mais avançada.

    Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial. Um rascunho de documento da União Europeia obtido pelo site “Politico”, em janeiro, mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos. Nesse tempo, regras mais robustas devem ser criadas.

(Raphael Hernandes. Inteligência artificial enfrenta questões éticas para ter evolução responsável. Disponível em: https://temas.folha.uol.com.br. Acesso em: 25.02.2020. Adaptado)

Os termos “sobre”, “alguma” e “por”, destacados no 4° parágrafo, estabelecem, nos contextos em que se encontram, as noções, respectivamente, de
  1. Ainclusão, incerteza e extensão.
  2. Breferência, indeterminação e duração.
  3. Cdeterminação, desconhecimento e aproximação.
  4. Dnegação, aproximação e causa.
  5. Econdição, desconhecimento e agente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — referência, indeterminação e duração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentidos de "sobre", "alguma" e "por" no 4º parágrafo

Gabarito: letra B. Os termos estabelecem, respectivamente, as noções de referência, indeterminação e duração, como se lê no 4º parágrafo: "A discussão sobre ética no ocidente...", "Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado". A questão é de semântica contextual: cada palavra ganha sentido específico no trecho em que aparece, e a alternativa correta é a única que nomeia com precisão esses sentidos.

A chave de resolução

O comando pede que você identifique as noções que os termos estabelecem nos contextos em que se encontram — ou seja, não é o sentido de dicionário, mas o efeito de sentido que cada palavra produz na frase. Vamos analisar cada uma:

  • "sobre" em "A discussão sobre ética" indica assunto, referência — a discussão a respeito de ética. É o mesmo uso de "falar sobre política", "livro sobre história".

  • "alguma" em "suspender alguma atividade" é um pronome indefinido que indica indeterminação — não se sabe qual atividade específica, apenas que uma (não determinada) será suspensa.

  • "por" em "por um período determinado" indica duração — o tempo que a suspensão vai durar. É o mesmo uso de "ficar por duas horas", "viajar por uma semana".

A banca mistura sentidos possíveis dessas palavras para criar distratores. Veja cada alternativa:

1"sobre" → referência
"discussão sobre ética"
2"alguma" → indeterminação
"suspender alguma atividade"
3"por" → duração
"por um período determinado"
Sentido contextual
LEVELsoulevel.com.br
Sentido contextual: "sobre" → referência ("discussão sobre ética"); "alguma" → indeterminação ("suspender alguma atividade"); "por" → duração ("por um período determinado")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inclusão, incerteza e extensão. "Inclusão" não se aplica a "sobre": a preposição "sobre" aqui não inclui nada, apenas referencia o assunto. "Incerteza" até se aproxima de "alguma", mas o termo técnico é indeterminação. "Extensão" não captura a noção de duração de "por". A alternativa troca os sentidos por outros possíveis, mas não os que o texto exige.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Referência, indeterminação e duração. É exatamente o que o texto mostra: "A discussão sobre ética" (referência ao tema), "suspender alguma atividade" (indeterminação, pois não se especifica qual), "por um período determinado" (duração, o tempo da suspensão). A alternativa é a única que nomeia com precisão os três efeitos de sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Determinação, desconhecimento e aproximação. "Determinação" é o oposto do que "sobre" faz — a preposição não determina, apenas referencia. "Desconhecimento" é uma leitura subjetiva de "alguma", mas o valor é de indeterminação (não se sabe qual, mas não é desconhecimento do falante). "Aproximação" não se aplica a "por" em "por um período" — aqui é duração, não aproximação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Negação, aproximação e causa. "Negação" não tem relação com "sobre". "Aproximação" não se aplica a "alguma" — o pronome indefinido indica indeterminação, não aproximação. "Causa" é um sentido possível de "por" em outros contextos ("por causa de"), mas aqui o texto usa "por" com valor de duração ("por um período determinado").

Alternativa E — ❌ Incorreta

Condição, desconhecimento e agente. "Condição" não é o sentido de "sobre" — a preposição não estabelece condição, mas referência. "Desconhecimento" repete o erro da C. "Agente" é um valor de "por" na voz passiva ("feito por alguém"), mas aqui o texto usa "por" com valor de duração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora os múltiplos sentidos de palavras comuns (sobre, alguma, por) fora do contexto, exigindo que o candidato volte ao texto para identificar o sentido exato. A alternativa D, por exemplo, usa "causa" — um sentido legítimo de "por" em outras frases, mas não neste trecho.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de sentido contextual, volte sempre ao trecho e pergunte: "que ideia essa palavra expressa aqui?" Não use o sentido de dicionário isolado. Para "por", teste se indica causa, meio, agente ou duração — o contexto decide.

Gabarito: letra B.

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