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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2021

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu065762
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Analista em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Analista de Redes)

    Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente? Um robô capaz de selecionar contratados em uma empresa seria confiável? Como garantir que a tecnologia faça bem ao ser humano? Essas são algumas perguntas presentes no debate ético em torno da IA (inteligência artificial). O crescimento da área é acelerado e muitas vezes incorre em aplicações questionáveis.

    Diversos países correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares. Para isso, criam políticas nacionais a fim de fomentar a pesquisa e a criação de empresas especializadas na área. EUA, China e União Europeia são destaques nesse mundo.

    O caso chinês é o mais emblemático, com startups sendo incentivadas a desenvolver sistemas sofisticados de reconhecimento facial. O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures, população majoritariamente muçulmana. Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos. A justificativa chinesa é pautada na segurança nacional: o objetivo é coibir ataques extremistas. O sistema de vigilância já foi vendido a governos na África, como o do Zimbábue.

    A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle. Outras ferramentas poderosas já precisaram do mesmo tratamento. A bioética, que ajuda a estabelecer as regras para pesquisas em áreas como a genética, é frequentemente citada como exemplo a ser seguido. Uma boa forma de lidar com os riscos de grandes avanços sem impedir o progresso da ciência é por meio de consensos de especialistas, em congressos. Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória – para retomar a discussão no futuro, com a tecnologia mais avançada.

    Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial. Um rascunho de documento da União Europeia obtido pelo site “Politico”, em janeiro, mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos. Nesse tempo, regras mais robustas devem ser criadas.

(Raphael Hernandes. Inteligência artificial enfrenta questões éticas para ter evolução responsável. Disponível em: https://temas.folha.uol.com.br. Acesso em: 25.02.2020. Adaptado)

É correto afirmar que os segmentos destacados na passagem –
  1. A“armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos” – está empregada em sentido figurado e se refere à possibilidade de desencadear conflitos éticos. (1° parágrafo)
  2. B“Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial.” – está empregada em sentido figurado e se refere à sustação de pesquisas científicas e tecnológicas.(5° parágrafo)
  3. C“o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas” – está empregada em sentido figurado e se refere à eliminação da tecnologia de IA. (5° parágrafo)
  4. D“Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos.” – está empregada em sentido próprio e se refere ao controle do modo de caminhar das pessoas. (3° parágrafo)
  5. E“impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle.” – está empregada em sentido próprio e se refere à perda de exclusividade de uso dessa tecnologia. (4° parágrafo)
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GabaritoB — “Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial.” – está empregada em sentido figurado e se refere à sustação de pesquisas científicas e tecnológicas.(5° parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Denotação e conotação: o sentido das expressões no texto

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que acerta tanto a classificação quanto o referente: a expressão "pé no freio" está em sentido figurado (metáfora de desacelerar, conter) e se refere à sustação temporária de pesquisas/atividades científicas e tecnológicas, como se lê no 5º parágrafo: "Um rascunho de documento da União Europeia... mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos". A banca testa se você consegue separar o que é literal do que é figurado e, principalmente, se você identifica corretamente a que a expressão remete no texto.

A questão pede que você analise cada segmento destacado e verifique duas coisas: (1) se ele está empregado em sentido próprio (denotativo, literal) ou figurado (conotativo, metafórico); (2) se a interpretação dada é fiel ao que o texto realmente diz. Muitas alternativas erram justamente no segundo ponto: classificam corretamente, mas atribuem à expressão um referente que o texto não sustenta.

Sentido das expressões
  • 1Próprio (denotativo)
    • "Câmeras monitoram os passos" (D)
      • metonímia: vigilância da vida
  • 2Figurado (conotativo)
    • "Armas que disparam" (A)
      • autonomia da tecnologia
    • "Pé no freio" (B)
      • sustação temporária de pesquisas
    • "Fugir do controle" (E)
      • impor limites éticos
    • "Banir reconhecimento facial" (C)
      • sentido próprio, não figurado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos" – está empregada em sentido figurado e se refere à possibilidade de desencadear conflitos éticos.

A classificação está correta (é figurado, pois armas não "definem alvos" nem "disparam gatilhos" sozinhas), mas o referente está errado. No 1º parágrafo, a expressão ilustra a autonomia de máquinas/robôs em decisões que hoje são humanas — não "conflitos éticos". O texto pergunta: "Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente?" — a imagem é de tecnologia agindo sozinha, não de um embate ético. A alternativa extrapola ao trocar o referente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial." – está empregada em sentido figurado e se refere à sustação de pesquisas científicas e tecnológicas.

A expressão "pé no freio" é claramente metafórica (figurada): ninguém pisa literalmente em um freio ao discutir IA. Ela remete à ideia de desacelerar, conter, suspender temporariamente — exatamente o que o 5º parágrafo descreve: a União Europeia considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos, uma moratória (sustação temporária). O texto ainda conecta isso à ideia de "pé no freio" no 4º parágrafo: "Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória". Portanto, o referente é a sustação de pesquisas/atividades científicas e tecnológicas, não a eliminação definitiva. A alternativa está perfeita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas" – está empregada em sentido figurado e se refere à eliminação da tecnologia de IA.

Aqui há dois erros. Primeiro, a expressão está em sentido próprio (denotativo): "banir" significa proibir, e o texto fala literalmente de proibir o uso de reconhecimento facial em espaços públicos. Segundo, o referente está errado: não se trata de eliminar a IA, mas de suspender temporariamente (por 3 a 5 anos) uma aplicação específica — o reconhecimento facial — para criar regras mais robustas. O texto diz: "considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos". A alternativa contradiz o texto ao falar em "eliminação" e erra a classificação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos." – está empregada em sentido próprio e se refere ao controle do modo de caminhar das pessoas.

A classificação está correta (é sentido próprio: câmeras e aplicativos monitoram de fato), mas o referente está errado. "Monitorar os passos" aqui é metonímia (figura que usa a parte pelo todo): não se refere ao modo de caminhar, mas ao deslocamento e às atividades dos cidadãos — ou seja, à vigilância sobre a vida das pessoas. O texto diz: "O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias... Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos". A alternativa restringe o sentido a "modo de caminhar", o que é um erro de interpretação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle." – está empregada em sentido próprio e se refere à perda de exclusividade de uso dessa tecnologia.

A classificação está errada: a expressão "fugir do controle" é figurada (metafórica) — a IA não "foge" literalmente. E o referente também está errado: "impor limites" significa estabelecer regras/restrições éticas para evitar usos nocivos, não "perda de exclusividade de uso". O texto diz: "A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle". A alternativa troca o sentido da expressão e inventa um referente que não existe no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura classificação (figurado/próprio) com referente. Em várias alternativas, a classificação está certa, mas o referente está errado (A, D) ou a classificação está errada e o referente também (C, E). A única que acerta os dois é a B.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar expressões, faça duas perguntas: (1) o sentido é literal ou metafórico? (2) a que exatamente a expressão remete no texto? Não se contente com a primeira impressão — confira o referente no parágrafo indicado.

Gabarito: letra B.

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