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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu065764
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Analista em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Analista de Redes)

    Será uma boa ideia ter armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente? Um robô capaz de selecionar contratados em uma empresa seria confiável? Como garantir que a tecnologia faça bem ao ser humano? Essas são algumas perguntas presentes no debate ético em torno da IA (inteligência artificial). O crescimento da área é acelerado e muitas vezes incorre em aplicações questionáveis.

    Diversos países correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares. Para isso, criam políticas nacionais a fim de fomentar a pesquisa e a criação de empresas especializadas na área. EUA, China e União Europeia são destaques nesse mundo.

    O caso chinês é o mais emblemático, com startups sendo incentivadas a desenvolver sistemas sofisticados de reconhecimento facial. O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures, população majoritariamente muçulmana. Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos. A justificativa chinesa é pautada na segurança nacional: o objetivo é coibir ataques extremistas. O sistema de vigilância já foi vendido a governos na África, como o do Zimbábue.

    A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle. Outras ferramentas poderosas já precisaram do mesmo tratamento. A bioética, que ajuda a estabelecer as regras para pesquisas em áreas como a genética, é frequentemente citada como exemplo a ser seguido. Uma boa forma de lidar com os riscos de grandes avanços sem impedir o progresso da ciência é por meio de consensos de especialistas, em congressos. Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória – para retomar a discussão no futuro, com a tecnologia mais avançada.

    Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial. Um rascunho de documento da União Europeia obtido pelo site “Politico”, em janeiro, mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de três a cinco anos. Nesse tempo, regras mais robustas devem ser criadas.

(Raphael Hernandes. Inteligência artificial enfrenta questões éticas para ter evolução responsável. Disponível em: https://temas.folha.uol.com.br. Acesso em: 25.02.2020. Adaptado)

No conjunto de argumentos do texto, as referências às aplicações da IA na China são apresentadas como
  1. Adados objetivos que explicam a importância da IA para o progresso das nações.
  2. Bações do poder público para garantir a liberdade de ir e vir dos cidadãos.
  3. Cexemplos que justificam a necessidade de debates éticos sobre essa tecnologia.
  4. Dmedidas efetivas de relações comerciais entre os países por meio da IA.
  5. Ecasos bem-sucedidos de integração de ações, para debates em congressos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — exemplos que justificam a necessidade de debates éticos sobre essa tecnologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aplicações da IA na China: exemplos que sustentam o debate ético

Gabarito: letra C. As referências às aplicações da IA na China são apresentadas como exemplos que justificam a necessidade de debates éticos sobre essa tecnologia. O texto usa o caso chinês — reconhecimento facial, vigilância de minorias, monitoramento de cidadãos — como evidência concreta dos riscos que motivam a discussão ética, como se lê no 3º parágrafo: "O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures... Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos." Essa descrição não é neutra: ela ilustra o tipo de aplicação questionável que o 1º parágrafo anuncia ("muitas vezes incorre em aplicações questionáveis") e que o 4º parágrafo responde com a proposta de limites éticos.

A chave de resolução está no comando: a questão pede a função argumentativa das referências à China — não o que elas dizem literalmente, mas o papel que cumprem no conjunto dos argumentos. O texto é dissertativo-argumentativo: abre com perguntas éticas, apresenta o caso chinês como exemplo problemático e conclui defendendo moratórias e consensos de especialistas. O caso chinês é, portanto, um argumento de exemplo a favor da tese de que a IA precisa de regulação ética.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa diz que as referências "explicam a importância da IA para o progresso das nações". O texto menciona que países "correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares" (2º parágrafo), mas não apresenta o caso chinês como exemplo de progresso. Pelo contrário, o foco é o uso questionável (vigilância de minorias). A palavra "progresso" embute um juízo positivo que o texto não externa — é opinião acrescentada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que as ações do governo chinês "garantem a liberdade de ir e vir dos cidadãos". O texto diz exatamente o oposto: "Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos" — ou seja, vigilância e controle, não liberdade. A banca troca o sentido por um antônimo sedutor.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa é uma paráfrase fiel da função argumentativa do caso chinês. O 1º parágrafo levanta as perguntas éticas e afirma que o crescimento da IA "incorre em aplicações questionáveis". O 3º parágrafo exemplifica essa afirmação com o caso chinês: rastreamento de minorias, monitoramento por câmeras e aplicativos. O 4º parágrafo, então, propõe "impor limites à inteligência artificial" — exatamente o debate ético que o exemplo justifica. A relação é de exemplo → tese: o caso concreto sustenta a necessidade do debate.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema. A alternativa fala em "medidas efetivas de relações comerciais entre os países por meio da IA". O texto menciona que o sistema de vigilância chinês "já foi vendido a governos na África, como o do Zimbábue" (3º parágrafo), mas isso é uma venda de tecnologia, não uma "relação comercial entre países" no sentido de cooperação. Além disso, o foco do trecho é a vigilância, não o comércio. A alternativa tangencia o assunto, desviando para um aspecto secundário e mal caracterizado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação + restrição. A alternativa diz que os casos são "bem-sucedidos" e servem "para debates em congressos". O texto não avalia o caso chinês como "bem-sucedido" — pelo contrário, o apresenta como problemático (vigilância de minorias). Além disso, o texto propõe "consensos de especialistas, em congressos" (4º parágrafo) como forma de lidar com os riscos, mas não diz que o caso chinês é um exemplo de integração para esses debates. A alternativa restringe o alcance do exemplo e inverte o juízo de valor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fato verdadeiro ausente ("progresso", "liberdade", "bem-sucedido") e a troca de vocábulo que inverte o sentido ("monitoram" → "liberdade de ir e vir"). A correta exige perceber a função argumentativa do exemplo, não o conteúdo isolado.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "função" ou "papel" de um trecho, pergunte: para que o autor usou isso? O caso chinês não está lá para elogiar a China, mas para sustentar a tese de que a IA precisa de limites éticos.

Gabarito: letra C.

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