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Questão de Português — Regência — VUNESP 2021

PortuguêsRegência
Código
vu065819
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Desenvolvedor)

Leia o texto, para responder à questão.


Diamantes no deserto


    Vales marcados pela intensa aridez parecem ter se tornado ambientes ideais para o florescimento de frutos típicos do século XXI: os produtos tecnológicos. O maior centro de inovação do planeta se encontra em uma região seca da Califórnia. Todos os anos, o Vale do Silício concentra 50 bilhões de dólares de investimentos de alto risco, usualmente destinados a startups – quase metade do montante movimentado dentro dos Estados Unidos –, além de 15% da produção de patentes desse país.

    A mais de 10 000 quilômetros de distância de lá, no Oriente Médio, o Deserto de Nevegue, em Israel, vê crescer, sobre seu solo abrasador, um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen pelo posto de maior polo de inovação do mundo. No oásis tecnológico proliferam companhias de ponta, que se espalham ainda pela costa litorânea, nos arredores de Tel-Aviv, fazendo dessa pequeníssima nação, com menos de 10% da área do Estado de São Paulo e população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro, um sinônimo de progresso.

    Como Israel transformou um deserto árido em centro de inovação mundial? Responde Ran Natanzon, especialista em vender tal faceta do país: “Trata-se de uma combinação dos seguintes fatores, todos igualmente essenciais: somos uma nação altamente militarizada; mantemos a indústria em ligação com as pesquisas acadêmicas; o governo atua para fomentar o setor; há operação ativa de fundos de investimentos e multinacionais; e existe uma proliferação de startups”.

    Todo israelense, homem ou mulher, é obrigado a servir no Exército ao completar 18 anos. O que não quer dizer, no entanto, que o contingente completo vá para a linha de frente. Há, por exemplo, uma unidade, a 8 200, integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. “Essa tropa fornece veteranos hábeis em trabalhar com segurança de dados digitais e em outras áreas do mercado da tecnologia”, explicou o engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, que chefia uma divisão que mescla agentes ligados ao governo e representantes de empresas parceiras, como a IBM, em ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel ou, como vem sendo mais frequente, sistemas de companhias privadas.

(Filipe Vilicic. Veja, 12.02.2020. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a substituição do trecho destacado pelo trecho entre colchetes atende à norma-padrão de regência e emprego do pronome relativo.
  1. A... uma unidade, a 8 200, integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. [a cujos membros se deu a incumbência de]
  2. BNo oásis tecnológico proliferam companhias de ponta, que se espalham ainda pela costa litorânea... [das quais se dispersam]
  3. C... um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen... [aonde situa]
  4. D... explicou o engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, que chefia uma divisão... [a quem se ocupa da chefia de]
  5. E... ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel... [aos quais miram em]
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GabaritoA — ... uma unidade, a 8 200, integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. [a cujos membros se deu a incumbência de]

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência e pronome relativo: a substituição que preserva a norma-padrão

Gabarito: letra A. A única substituição que atende à norma-padrão de regência e emprego do pronome relativo é a da alternativa A, pois o trecho original — "cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador" — exige a preposição a (quem se dedica, dedica-se a algo), e a reescrita "a cujos membros se deu a incumbência de" mantém essa mesma regência, agora regida pelo nome incumbência (quem tem incumbência, tem incumbência de algo). As demais alternativas ou trocam a regência do verbo, ou usam pronome relativo inadequado, ou alteram o sentido original.

A questão pede que você avalie substituições de trechos do texto, verificando se a nova construção respeita a regência (verbal ou nominal) e o uso correto do pronome relativo. O segredo é: identifique o termo regente (verbo ou nome) e veja qual preposição ele exige; depois, confira se o pronome relativo (que, cujo, onde, aonde) está introduzido por essa preposição, quando necessário.

Regência e pronome relativo
  • 1Verbo/nome regente define a preposição
    • Quem se dedica → dedica-se a
    • Quem se ocupa → ocupa-se de
    • Quem mira → mira algo (sem preposição)
  • 2Pronome relativo recebe a preposição
    • cujo (concorda com o possuidor)
    • aonde (lugar + verbo com a)
    • quem (preposição exigida pelo verbo)
  • 3Erros comuns
    • Trocar a preposição (por/de/a)
    • Usar pronome inadequado ao antecedente
    • Alterar o sentido original
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No texto:

"... uma unidade, a 8 200, integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador."

O verbo dedicar-se rege a preposição a (quem se dedica, dedica-se a algo). Na substituição, "a cujos membros se deu a incumbência de" — o nome incumbência exige a preposição de (incumbência de algo), e o pronome cujo concorda com membros e recebe a preposição a exigida pelo verbo dar (deu a alguém). A construção está correta e preserva o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

No texto:

"No oásis tecnológico proliferam companhias de ponta, que se espalham ainda pela costa litorânea..."

O verbo espalhar-se rege a preposição por (espalham-se por algum lugar). A substituição "das quais se dispersam" usa a preposição de, que não é a exigida — quem se dispersa, dispersa-se por algum lugar, não de. Além disso, dispersar e espalhar não são exatamente sinônimos no contexto, alterando o sentido. Erro: troca de preposição e mudança de sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No texto:

"... um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen..."

O verbo pôr é transitivo direto (põe algo), sem preposição. A substituição "aonde situa" usa o pronome aonde, que indica lugar e exige verbo que peça a preposição a (como chegar, ir). O verbo situar é transitivo direto (situa algo), não pede a, e aonde não se aplica a um antecedente que não seja lugar. Erro: pronome relativo inadequado e regência verbal incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

No texto:

"... explicou o engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, que chefia uma divisão..."

O verbo chefiar é transitivo direto (chefia algo), sem preposição. A substituição "a quem se ocupa da chefia de" usa o pronome quem precedido de preposição a, mas o verbo ocupar-se rege a preposição de (ocupa-se de algo). A construção "a quem se ocupa" está incorreta — o correto seria "de quem se ocupa" ou "que se ocupa da chefia de". Erro: preposição inadequada ao verbo ocupar-se.

Alternativa E — ❌ Incorreta

No texto:

"... ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel..."

O verbo ter é transitivo direto (têm algo como alvo), sem preposição. A substituição "aos quais miram em" usa o pronome os quais precedido de a, mas o verbo mirar no sentido de "ter como alvo" é transitivo direto (mira algo), não pede a. Além disso, "mirar em" é construção coloquial, não padrão. Erro: regência verbal incorreta (mirar não rege a preposição a).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos que mudam de regência conforme o sentido (como aspirar, assistir, visar) e a necessidade de a preposição do pronome relativo ser a exigida pelo termo regente. Aqui, a pegadinha está em trocar a preposição (por/de/a) sem perceber que ela altera a correção gramatical.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um trecho, sublinhe o verbo ou nome que rege o complemento e pergunte: "quem...?" — a resposta indica a preposição. Ex.: quem se dedica, dedica-se a; quem se ocupa, ocupa-se de; quem mira, mira algo (sem preposição).

Gabarito: letra A.

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