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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2021

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu065823
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Comunicação e Processamento de Dados Judiciário (Desenvolvedor)

Leia o texto, para responder à questão.


Diamantes no deserto


    Vales marcados pela intensa aridez parecem ter se tornado ambientes ideais para o florescimento de frutos típicos do século XXI: os produtos tecnológicos. O maior centro de inovação do planeta se encontra em uma região seca da Califórnia. Todos os anos, o Vale do Silício concentra 50 bilhões de dólares de investimentos de alto risco, usualmente destinados a startups – quase metade do montante movimentado dentro dos Estados Unidos –, além de 15% da produção de patentes desse país.

    A mais de 10 000 quilômetros de distância de lá, no Oriente Médio, o Deserto de Nevegue, em Israel, vê crescer, sobre seu solo abrasador, um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen pelo posto de maior polo de inovação do mundo. No oásis tecnológico proliferam companhias de ponta, que se espalham ainda pela costa litorânea, nos arredores de Tel-Aviv, fazendo dessa pequeníssima nação, com menos de 10% da área do Estado de São Paulo e população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro, um sinônimo de progresso.

    Como Israel transformou um deserto árido em centro de inovação mundial? Responde Ran Natanzon, especialista em vender tal faceta do país: “Trata-se de uma combinação dos seguintes fatores, todos igualmente essenciais: somos uma nação altamente militarizada; mantemos a indústria em ligação com as pesquisas acadêmicas; o governo atua para fomentar o setor; há operação ativa de fundos de investimentos e multinacionais; e existe uma proliferação de startups”.

    Todo israelense, homem ou mulher, é obrigado a servir no Exército ao completar 18 anos. O que não quer dizer, no entanto, que o contingente completo vá para a linha de frente. Há, por exemplo, uma unidade, a 8 200, integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. “Essa tropa fornece veteranos hábeis em trabalhar com segurança de dados digitais e em outras áreas do mercado da tecnologia”, explicou o engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, que chefia uma divisão que mescla agentes ligados ao governo e representantes de empresas parceiras, como a IBM, em ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel ou, como vem sendo mais frequente, sistemas de companhias privadas.

(Filipe Vilicic. Veja, 12.02.2020. Adaptado)

Os dados referentes ao Estado de São Paulo e à cidade do Rio de Janeiro (2ª parágrafo) têm como efeito de sentido
  1. Adestacar a pujança dos feitos de Israel na área de tecnologia.
  2. Blevar o leitor a estabelecer vínculos entre as tecnologias dos dois países.
  3. Csugerir que, no âmbito da tecnologia, qualquer comparação se descarta.
  4. Dverificar a taxa de natalidade das populações mencionadas.
  5. Eequiparar o grau de desenvolvimento tecnológico das capitais brasileiras.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — destacar a pujança dos feitos de Israel na área de tecnologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Efeito de sentido da comparação com São Paulo e Rio de Janeiro

Gabarito: letra A. Os dados sobre o Estado de São Paulo e a cidade do Rio de Janeiro servem para destacar a pujança dos feitos de Israel na área de tecnologia, pois o autor os usa como termo de comparação para dimensionar o tamanho diminuto do país e, ainda assim, seu enorme progresso tecnológico. Como se lê no 2º parágrafo: "fazendo dessa pequeníssima nação, com menos de 10% da área do Estado de São Paulo e população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro, um sinônimo de progresso".

A chave de resolução está em perceber que a comparação não cria vínculo tecnológico entre os lugares, mas sim um contraste de proporção: um país minúsculo (menor que SP, com população pouco maior que a do Rio) consegue ser "sinônimo de progresso" — isso realça a grandeza do feito israelense.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque o texto usa os dados geográficos e populacionais apenas como medida comparativa para enfatizar o contraste entre o tamanho físico de Israel e sua relevância tecnológica. O trecho "fazendo dessa pequeníssima nação... um sinônimo de progresso" mostra que a intenção é engrandecer as conquistas israelenses: mesmo sendo pequeno, o país se destaca. O efeito de sentido é, portanto, destacar a pujança (força, grandiosidade) dos feitos de Israel.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola o texto. O autor não estabelece nenhum vínculo entre as tecnologias de Israel e as do Brasil; ele apenas usa São Paulo e Rio como referências de tamanho e população. Não há qualquer menção a relações tecnológicas entre os países. O erro é do tipo extrapolação (acrescenta informação que não está no texto).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa contradiz o texto. Longe de descartar comparações, o autor faz uma comparação explícita (área e população) para realçar o contraste. A palavra "qualquer" torna a afirmação absoluta e falsa, pois o texto compara sim, mas em termos de dimensão, não de tecnologia. Erro: contradiz o texto e generaliza indevidamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa foge ao tema e extrapola. O texto menciona "população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro", mas isso é apenas um dado demográfico usado como comparação; não há qualquer discussão sobre taxa de natalidade. O autor não aborda esse assunto. Erro: fuga ao tema (tangencia o dado, mas trata de aspecto não mencionado).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola e inverte o sentido. O texto não equipara o desenvolvimento tecnológico de Israel ao das capitais brasileiras; pelo contrário, usa SP e Rio apenas como parâmetros de tamanho para mostrar que Israel é pequeno e, mesmo assim, avançado. Não há comparação de desenvolvimento tecnológico entre os lugares. Erro: extrapolação com inversão de foco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação: alternativas que criam vínculos ou comparações que o texto não estabelece (B, E) ou que fogem ao tema (D). A correta exige perceber que a comparação é apenas de proporção, não de tecnologia.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver dados comparativos (área, população), pergunte-se: para que o autor os usa? Se for para dimensionar algo, o efeito é de contraste/ênfase, não de vínculo real entre os lugares.

Gabarito: letra A.

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