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Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2021

PortuguêsMorfologia
Código
vu065984
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Jaguariúna - SP
Ano
2021
Nível
Superior
Leia o texto, para responder à questão.

   A psicanalista Maria Homem diz que o ressentimento é a palavra-chave para ousar compreender o mundo hoje. Luiz Filipe Pondé acredita que o ressentimento faz de nós incapazes de ver algo simples: o universo é indiferente aos nossos desejos; além de destruir em nós a capacidade de pensar e compreender a realidade.
   Ressentir-se significa atribuir ao outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer. Como se a culpa do que não somos ou não podemos ser fosse sempre do outro, esse bode expiatório que escolhemos quando não podemos nos haver com nossos próprios limites. Ressentir-se é uma impossibilidade de esquecer ou superar um agravo. Seria uma impossibilidade ou uma recusa?
   O ressentido não é alguém incapaz de perdoar ou esquecer, é alguém que não quer esquecer, não quer perdoar, nem superar o mal que o vitimou. O filósofo Max Scheler classifica como “auto envenenamento psicológico” o estado emocional do ressentido, um ser introspectivo ocupado com ruminações acusadoras e fantasias vingativas.
   O ressentido é um escravo de sua impossibilidade de esquecer, vivendo em função de sua vingança adiada, de maneira que em sua vida não é possível abrir lugar para o novo; trata-se de um vingativo passivo, e suas queixas contínuas mobilizam, no outro, confusos sentimentos de culpa. Na verdade, ele acusa, mas não está seriamente interessado em ser ressarcido do agravo que sofreu. No ressentido, permanece uma dívida impagável, a compensação reivindicada é da ordem de uma vingança projetada no futuro. O ressentido é um covarde, pois não concede a si mesmo os prazeres da vingança pelo exercício da ação. Esse desejo de vingança recusado é o núcleo doentio do ressentimento nietzschiano. Uma vez que não se permite reagir, só resta ao fraco ressentir.
   Por não esquecer, o ressentido não consegue entregar-se ao fluxo da vida presente. A memória é como uma doença, o tempo não pode ser detido, a vontade não pode “querer pra trás”, ou seja, corrigir o curso de suas escolhas passadas.
   A solução para o ressentimento não é negá-lo, mas nomeá-lo, informar-se sobre ele, perceber que é impossível não o ter em nós em alguma medida. “Conhece-te a ti mesmo”, foi o conselho dado pelo sábio filósofo Sócrates, no século V a.C. Quem sabe tenhamos a coragem e as ferramentas para compreender essa emoção, e, com isso, podermos nos colocar além do ressentimento. Talvez possamos um dia transformar esse sentimento e, assim, criar um novo modo de estar com o outro.
(Luciana Ribeiro Soubhia, Ressentimento.
Revista Bem-estar, 04-07-2021. Adaptado)
Nas passagens – O ressentido é um covarde, pois não concede a si mesmo os prazeres da vingança pelo exercício da ação. / Por não esquecer, o ressentido não consegue entregar-se ao fluxo da vida presente. –, os termos destacados imprimem, nos respectivos contextos, relação de sentido de
  1. Aagente e meio.
  2. Bmodo e meio.
  3. Ccausa e consequência.
  4. Dconsequência e modo.
  5. Emeio e causa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — meio e causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: meio, causa e consequência

Gabarito: letra E. Na primeira passagem, "pelo exercício da ação" indica o meio pelo qual o ressentido não se concede os prazeres da vingança; na segunda, "Por não esquecer" expressa a causa de o ressentido não conseguir se entregar ao fluxo da vida presente. A banca pede que você identifique a relação semântica que os termos destacados imprimem nos respectivos contextos — e a única alternativa que espelha exatamente essa ordem é a E (meio e causa).

O comando

A questão é de semântica contextual: não pergunta o que as palavras significam isoladamente, mas que relação de sentido elas estabelecem no trecho em que aparecem. Isso muda tudo: você não deve decorar que "pelo" é sempre meio ou que "por" é sempre causa — deve ler o período e ver o papel lógico que o termo desempenha ali. O verbo do enunciado é "imprimem" (relação de sentido), ou seja, a tarefa é interpretar a função dos termos destacados, não classificá-los morfologicamente.

O texto

O texto discute o ressentimento como um estado emocional em que o sujeito se recusa a esquecer e a perdoar, vivendo em função de uma vingança adiada. No trecho citado, o autor afirma que o ressentido é um covarde porque não se permite os prazeres da vingança pelo exercício da ação — ou seja, ele não age, não se vinga ativamente. Em seguida, diz que por não esquecer, o ressentido não consegue se entregar ao fluxo da vida presente.

A técnica que decide

A distinção central é entre meio e causa:

  • Meio = o instrumento, o caminho, o recurso pelo qual algo se realiza. Responde à pergunta "por meio de quê?" ou "como?".

  • Causa = o motivo, a razão, o fator que desencadeia um efeito. Responde à pergunta "por quê?" ou "em razão de quê?".

No primeiro trecho, "pelo exercício da ação" é o meio pelo qual o ressentido não se concede os prazeres da vingança: ele não se vinga por meio da ação (agindo). A preposição "por" + artigo "o" forma "pelo", que aqui tem valor de instrumento/meio. Já no segundo, "Por não esquecer" é a causa de o ressentido não conseguir se entregar ao fluxo da vida presente: o fato de não esquecer é o motivo, a razão. A preposição "por" + infinitivo tem valor causal.

"O ressentido é um covarde, pois não concede a si mesmo os prazeres da vingança pelo exercício da ação."

Aqui, "pelo exercício da ação" responde a "como?": o ressentido não se vinga por meio da ação. É o instrumento que ele não utiliza.

"Por não esquecer, o ressentido não consegue entregar-se ao fluxo da vida presente."

Aqui, "Por não esquecer" responde a "por quê?": é a causa de ele não conseguir se entregar ao presente.

Análise das alternativas

1Meio
Instrumento/caminho
Pergunta: "por meio de quê?"
Ex.: "pelo exercício da ação"
2Causa
Motivo/razão
Pergunta: "por quê?"
Ex.: "Por não esquecer"
3Consequência
Efeito resultante
Pergunta: "o que resulta?"
Relações de sentido
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Relações de sentido: Meio (Instrumento/caminho, Pergunta: "por meio de quê?", Ex.: "pelo exercício da ação"); Causa (Motivo/razão, Pergunta: "por quê?", Ex.: "Por não esquecer"); Consequência (Efeito resultante, Pergunta: "o que resulta?")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Agente e meio. O primeiro termo não é agente (quem pratica a ação), e o segundo não é meio. "Pelo exercício da ação" é meio, mas "Por não esquecer" é causa, não meio. A alternativa troca o segundo termo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Modo e meio. O primeiro termo não é modo (maneira como se faz), é meio (instrumento). O segundo não é meio, é causa. A alternativa erra nos dois.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Causa e consequência. O primeiro termo não é causa, é meio. O segundo é causa, não consequência. A alternativa inverte a ordem e erra o segundo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Consequência e modo. O primeiro termo não é consequência, é meio. O segundo não é modo, é causa. A alternativa erra nos dois.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Meio e causa. Exatamente o que o texto mostra: "pelo exercício da ação" = meio; "Por não esquecer" = causa. A alternativa espelha a ordem e os valores corretos.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir relações semânticas no contexto. A pegadinha é a proximidade entre "meio" e "causa" — mas a pergunta "como?" (meio) versus "por quê?" (causa) resolve. Gabarito: letra E.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar relações de sentido, pergunte-se: "por meio de quê?" (meio) ou "por quê?" (causa). Isso separa as alternativas na hora.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "meio" e "causa" — termos que, em contextos diferentes, podem se aproximar, mas aqui são claramente distintos.

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