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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2021

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu066023
Banca
VUNESP
Órgão
SES-PB
Ano
2021
Nível
Médio

Leia a crônica de Marcos Rey para responder à questão.


Salas de espera

   Mesmo com decoração agradável, ar-refrigerado, sorrisos de uma atendente sexy, ficar plantado numa sala de espera é mais chato do que campeonato de boliche. Seus personagens não são muito variados: crianças que não param de se mexer; enxeridos loucos pela intimidade das pessoas; leitores compulsivos de revistas...
   Mas houve uma sala de espera terrível na minha vida. Precisava de emprego. Desesperadamente. Não fora o primeiro a chegar, sempre há os que chegam antes. Fiquei horas com os olhos fixos na porta da esperança. O mais madrugador entrou como se fosse dono do emprego, saiu de cabeça baixa, perdidão. O segundo, que levava à mão um currículo enorme, deixou a entrevista picando-o com ódio em mil pedacinhos.
   Minha vez. Entrei trêmulo, pálido, derrotado. O empresário abriu os braços, sorrindo. Conhecia-me. Conhecia-o. Rodolfo! Não o sabia também dono daquilo! Meu dia de sorte! 
   – É você? Aqui está seu maior fã! Li dois livros seus. Minha mulher disse que sairá outro. Serei o primeiro a comprar.
   Abraçados, senti que o mundo afinal acolhia este aquariano.
   – Estava na sala de espera desde as 2, Rodolfo.
   – Por que não mandou me avisar? Eu o receberia imediatamente. Não calcula como o admiro.
   – Agora estou precisando de um emprego, amigo. A vida está dura.
   – Dura? Está duríssima! Insuportável – confirmou, com uma pequena ressalva – mas não para os artistas. Vocês não sofrem nossos problemas. Devem rir da gente, reles homens de negócio. Como gostaria de ter talento para escrever! Viveria com pouco dinheiro, porém feliz. Eu aqui sou um mártir dos números.
   – O que poderia me arranjar, Rodolfo? Estou encalacrado. Qualquer coisa serve – revelei humilde.
   Ele lançou-me um olhar mais sábio do que compadecido:
   – Eu não o desviaria de sua vocação com um empreguinho. Conserve-se fora da maldita engrenagem.
   E confessou:
   – Hoje ganhei o dia, vendo-o. Vou acompanhá-lo ao elevador.
   – Mas Rodolfo...
   – Faço questão.
(Coleção melhores crônicas – Marcos Rey.
Seleção Anna Maria Martins. Global, 2010. Adaptado)
No quarto parágrafo, Rodolfo declara que, além de ser fã do autor, vai comprar o livro a ser lançado por este.Em conformidade com o emprego dos pronomes estabelecido pela norma-padrão, o empresário também poderia ter dito:
  1. ASerei o primeiro a comprá-lo para mim ler suas novas crônicas.
  2. BSerei o primeiro a comprá-lo para eu ler suas novas crônicas.
  3. CSerei o primeiro a comprá-los para eu ler suas novas crônicas.
  4. DSerei o primeiro a comprar ele para mim ler suas novas crônicas.
  5. ESerei o primeiro a comprar eles para eu ler suas novas crônicas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Serei o primeiro a comprá-lo para eu ler suas novas crônicas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego dos pronomes pessoais: reto × oblíquo na norma-padrão

Gabarito: letra B. A única reescrita plenamente conforme a norma-padrão é "Serei o primeiro a comprá-lo para eu ler suas novas crônicas" — porque, após o verbo no infinitivo, o pronome oblíquo átono "o" é obrigatório como objeto direto (nunca o reto "ele"), e, antes do verbo "ler", o sujeito deve ser o pronome reto "eu" (nunca o oblíquo "mim"). A banca testa exatamente essa distinção clássica entre pronomes retos (função de sujeito) e oblíquos (função de complemento), como se vê no trecho do texto em que Rodolfo diz: "Serei o primeiro a comprar" — o objeto direto implícito é o livro do autor, que, na reescrita, deve ser retomado por "o".

A questão é de gramática normativa (emprego dos pronomes), não de interpretação: o texto apenas fornece a situação — Rodolfo promete comprar o livro que o autor lançará. O comando pede a reescrita que respeite a norma-padrão, então o critério é puramente morfossintático.

Pronomes pessoais
  • 1Retos (sujeito)
    • eu, tu, ele, nós, vós, eles
    • Antes de verbo: "para eu ler"
  • 2Oblíquos (complemento)
    • Átonos: o, a, os, as, me, te, lhe
      • Objeto direto: "comprá-lo"
    • Tônicos: mim, ti, si
      • "mim" nunca é sujeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: "para mim ler" — o pronome oblíquo tônico "mim" não pode ser sujeito de verbo no infinitivo. Na norma-padrão, o sujeito de "ler" deve ser o pronome reto "eu": "para eu ler". A construção "para mim ler" é típica da fala coloquial e rejeitada pela gramática normativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Perfeita: "comprá-lo" — o pronome oblíquo átono "o" retoma o livro (objeto direto de "comprar"), e "para eu ler" — o pronome reto "eu" exerce a função de sujeito do verbo "ler". Exatamente o que a norma exige.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: "comprá-los" — o plural "os" não tem referente no texto: Rodolfo fala de um livro ("sairá outro", "Serei o primeiro a comprar"). O pronome deve ficar no singular, retomando o livro único. Pluralizar é extrapolar o que o texto afirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro duplo: "comprar ele" — pronome reto "ele" não pode ser objeto direto; exige-se o oblíquo "o" (comprá-lo). E repete o erro de "para mim ler" (sujeito com oblíquo tônico).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro duplo: "comprar eles" — pronome reto "eles" como objeto direto (o correto seria "comprá-los"), e "para eu ler" está certo, mas o plural "eles" já invalida a alternativa — o livro é um só.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronome reto e oblíquo — o candidato que fala "para mim ler" no dia a dia tende a achar natural, mas a norma exige "para eu ler". Fique atento: "mim" nunca é sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver rápido, teste cada pronome: (1) depois de verbo no infinitivo, o objeto direto é oblíquo átono (o, a, os, as); (2) antes de verbo no infinitivo, o sujeito é reto (eu, tu, ele...). Se a frase tiver "para" + verbo, use "para eu" (sujeito) — "para mim" só se não houver verbo depois.

Gabarito: letra B.

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