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Questão de Português — Conjunções: Relação de causa e consequência — VUNESP 2022

PortuguêsConjunções: Relação de causa e consequência
Código
vu066374
Banca
VUNESP
Órgão
CAU-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Administrativo

Leia o texto, para responder à questão.

O animal satisfeito dorme

O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.

A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece.

Um bom filme não é exatamente aquele que termina e ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?

Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.

Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.

Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”…

(Mario Sergio Cortella. Disponível em: https://www.contioutra.com. Acesso em 12.01.2020)

Na passagem “(I) Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, (II) portanto, do passado...”, as relações de sentido estabelecidas pelas conjunções nos trechos (I) e (II) são, correta e respectivamente, de
  1. Acausa e adição.
  2. Bproporção e conclusão.
  3. Cmodo e consequência.
  4. Dcondição e explicação.
  5. Ealternância e concessão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — proporção e conclusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido das conjunções em "Quanto mais... portanto..."

Gabarito: letra B. No trecho "(I) Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, (II) portanto, do passado", a conjunção (I) "quanto mais" estabelece relação de proporção (correlação proporcional: quanto mais X, mais Y), e a conjunção (II) "portanto" estabelece relação de conclusão (introduz uma conclusão lógica do que foi dito). A passagem que ancora a resposta é o próprio trecho citado no enunciado, que se lê no 4º parágrafo do texto.

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o valor semântico das conjunções no contexto em que aparecem. A chave é identificar a classe e o sentido de cada conectivo, sem confundir com relações próximas (causa, consequência, modo, condição etc.).

1(I) "Quanto mais"
Proporcional
Correlação: quanto mais X, mais Y
2(II) "Portanto"
Conclusiva
Introduz conclusão lógica
3Confusões comuns
Proporção ≠ causa
Conclusão ≠ consequência
Conjunções no trecho
LEVELsoulevel.com.br
Conjunções no trecho: (I) "Quanto mais" (Proporcional, Correlação: quanto mais X, mais Y); (II) "Portanto" (Conclusiva, Introduz conclusão lógica); Confusões comuns (Proporção ≠ causa, Conclusão ≠ consequência)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A relação de (I) não é de causa: "quanto mais" não expressa motivo, mas proporcionalidade — a ideia de que um aumento implica outro aumento. E (II) não é adição: "portanto" não soma ideias, mas conclui algo do que foi afirmado. A alternativa troca os dois valores.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

(I) "Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe" — a correlação "quanto mais... mais" é a estrutura típica das conjunções proporcionais (como "à medida que", "ao passo que"). (II) "portanto" é uma conjunção coordenativa conclusiva, que introduz a conclusão: se nasce pronto, logo é refém do passado. A banca pede exatamente esses dois valores, na ordem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

(I) não é modo: "quanto mais" não indica a maneira como algo ocorre. (II) não é consequência: "portanto" não expressa efeito físico (como "tão... que"), mas conclusão lógica — uma inferência do que foi dito, não um resultado automático.

Alternativa D — ❌ Incorreta

(I) não é condição: "quanto mais" não estabelece uma hipótese (como "se"), e sim uma correlação proporcional. (II) não é explicação: "portanto" não justifica (como "porque"), mas conclui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

(I) não é alternância: não há ideia de escolha ou exclusão (como "ou... ou"). (II) não é concessão: "portanto" não expressa quebra de expectativa (como "embora"), e sim conclusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre proporção e causa/consequência. "Quanto mais" parece indicar causa, mas é proporcional; "portanto" parece consequência, mas é conclusão. Decore a lista: proporcionais (quanto mais... mais, à medida que) e conclusivas (portanto, logo, pois posposto).

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de uma conjunção, pergunte: "que relação lógica ela cria entre as orações?" Se houver correlação de intensidade, é proporção; se houver uma inferência final, é conclusão.

Gabarito: letra B — proporção e conclusão, respectivamente.

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