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Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2022

PortuguêsMorfologia
Código
vu066418
Banca
VUNESP
Órgão
CAU-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista III - Analista Técnico em Arquitetura e Urbanismo
Leia o texto para responder à questão.

Por que manter cotas na pós-graduação?

         Deu na Folha de São Paulo que coletivos da USP estão furibundos com o Departamento de Filosofia, cuja pós-graduação ainda não adotou ações afirmativas em seu processo seletivo.
        Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade e que, quando dirigidas a grupos específicos, devem seguir critérios objetivamente mensuráveis. Reconheço, porém, que o “Zeitgeist” (espírito da época) se enamorou da reserva de vagas para minorias e gosto do resultado que essa política produz, ainda que faça restrições ao método.
        Há, contudo, um ponto que, para mim, permanece enigmático, que é a pós-graduação. Os entusiastas das cotas celebram com razão as várias pesquisas que mostraram que, na graduação, o desempenho dos alunos cotistas é tão bom quanto o dos não cotistas, às vezes até um pouquinho melhor. Diante desse diagnóstico, tenho dificuldades para entender por que a reserva de vagas deveria se estender à pós-graduação. Se a performance dos estudantes é semelhante, então uma prova de conhecimentos específicos da disciplina, que são adquiridos na graduação, torna-se um critério muito razoável para presidir ao processo seletivo.
        Até acho que podemos e devemos discutir outros tipos de ação afirmativa, como uma reserva de bolsas de estudo. Frequentemente, a dificuldade dos alunos de famílias pobres é mais manter-se estudando, isto é, sem trabalhar para ajudar a pagar os boletos, do que o processo seletivo.
         Desconheço os motivos que levaram o pessoal da filosofia, que, afinal, é a minha “alma mater”, a não instituir cotas raciais na pós, mas gostaria de acreditar que foi o apego à lógica.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 13.08.2022. Adaptado)
Considere a passagem do 2º parágrafo:Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade…Assinale a alternativa que explicita, com uma conjunção adequada, a relação de sentido de causa que há entre as duas partes da passagem.
  1. AEnquanto ainda estou preso a ideias como a de que (…), não sou o maior fã das cotas raciais.
  2. BApesar de ainda estar preso a ideias como a de que (…), não sou o maior fã das cotas raciais.
  3. CÀ medida que ainda estou preso a ideias como a de que (…), não sou o maior fã das cotas raciais.
  4. DComo ainda estou preso a ideias como a de que (…), não sou o maior fã das cotas raciais.
  5. EConforme ainda estou preso a ideias como a de que (…), não sou o maior fã das cotas raciais.
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GabaritoD — Como ainda estou preso a ideias como a de que (…), não sou o maior fã das cotas raciais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção causal – "Como" como causa

Gabarito: letra D. A passagem do 2º parágrafo estabelece uma relação de causa: a razão de o autor não ser "o maior fã das cotas raciais" é o fato de ainda estar "preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade". A conjunção "como" (alternativa D) é a única que expressa corretamente essa relação causal, equivalendo a "porque" ou "já que".

"Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade…"

Veja que a segunda oração justifica a primeira: o apego ao princípio da universalidade é a causa da restrição às cotas. Portanto, a alternativa D é a resposta.

1Causais
porque, já que, como
"Como" → causa (gabarito D)
2Concessivas
embora, apesar de
"Apesar de" → oposição (pegadinha B)
3Temporais
quando, enquanto
"Enquanto" → simultaneidade (A)
4Proporcionais
à medida que, à proporção que
"À medida que" → proporção (C)
5Conformativas
conforme, segundo
"Conforme" → modo/conformidade (E)
Conjunções subordinativas
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Conjunções subordinativas: Causais (porque, já que, como, "Como" → causa (gabarito D)); Concessivas (embora, apesar de, "Apesar de" → oposição (pegadinha B)); Temporais (quando, enquanto, "Enquanto" → simultaneidade (A)); Proporcionais (à medida que, à proporção que, "À medida que" → proporção (C)); Conformativas (conforme, segundo, "Conforme" → modo/conformidade (E))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Enquanto" indica simultaneidade ou tempo, não causa. A frase ficaria com sentido de "ao mesmo tempo em que estou preso a essas ideias, não sou fã", e não de causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Apesar de” expressa concessão (oposição). A frase diria que, mesmo estando preso a ideias universalistas, ele não é fã das cotas — o que inverte a lógica do texto, pois o autor usa essas ideias como justificativa, não como obstáculo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca causa por concessão. O aluno que confunde “apesar de” (concessivo) com “como” (causal) cai na armadilha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"À medida que" estabelece proporcionalidade (à proporção que). Não há noção de proporção entre estar preso às ideias e não ser fã; a relação é de causa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Como" é conjunção subordinativa causal. Reestrutura a frase mantendo o sentido original: o apego a ideias universalistas é a causa de não ser fã das cotas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Conforme" indica conformidade ou modo (de acordo com). Não expressa causa; a frase ficaria com sentido de "na medida em que" ou "segundo", que não se encaixa na relação lógica do texto.

Conclusão: A única conjunção que preserva a relação de causa entre as duas partes é "como", reafirmando o gabarito D.

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