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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu066420
Banca
VUNESP
Órgão
CAU-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista III - Analista Técnico em Arquitetura e Urbanismo
Leia o texto para responder à questão.

Por que manter cotas na pós-graduação?

         Deu na Folha de São Paulo que coletivos da USP estão furibundos com o Departamento de Filosofia, cuja pós-graduação ainda não adotou ações afirmativas em seu processo seletivo.
        Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade e que, quando dirigidas a grupos específicos, devem seguir critérios objetivamente mensuráveis. Reconheço, porém, que o “Zeitgeist” (espírito da época) se enamorou da reserva de vagas para minorias e gosto do resultado que essa política produz, ainda que faça restrições ao método.
        Há, contudo, um ponto que, para mim, permanece enigmático, que é a pós-graduação. Os entusiastas das cotas celebram com razão as várias pesquisas que mostraram que, na graduação, o desempenho dos alunos cotistas é tão bom quanto o dos não cotistas, às vezes até um pouquinho melhor. Diante desse diagnóstico, tenho dificuldades para entender por que a reserva de vagas deveria se estender à pós-graduação. Se a performance dos estudantes é semelhante, então uma prova de conhecimentos específicos da disciplina, que são adquiridos na graduação, torna-se um critério muito razoável para presidir ao processo seletivo.
        Até acho que podemos e devemos discutir outros tipos de ação afirmativa, como uma reserva de bolsas de estudo. Frequentemente, a dificuldade dos alunos de famílias pobres é mais manter-se estudando, isto é, sem trabalhar para ajudar a pagar os boletos, do que o processo seletivo.
         Desconheço os motivos que levaram o pessoal da filosofia, que, afinal, é a minha “alma mater”, a não instituir cotas raciais na pós, mas gostaria de acreditar que foi o apego à lógica.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 13.08.2022. Adaptado)
O autor faz referência à dificuldade dos estudantes carentes em manter-se estudando como argumento para defender a ideia de que
  1. Aesse dado justifica o contrassenso de ofertar vagas de pós-graduação a alunos que tendem a abandonar os cursos no meio do caminho.
  2. Bo método de acesso à graduação por meio de cotas precisa ser aprimorado antes de o benefício ser estendido à seleção da pós-graduação.
  3. Cas cotas para a pós-graduação precisam ser implementadas, mas devem vir acompanhadas de outras formas de assistência aos alunos.
  4. Dessa condição social resulta em baixo aproveitamento, o que justifica as cotas para inserção de alunos com tal perfil na pós-graduação.
  5. Eoutros tipos de ação afirmativa, como as voltadas para garantir a permanência nos estudos, também merecem ser debatidos.
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GabaritoE — outros tipos de ação afirmativa, como as voltadas para garantir a permanência nos estudos, também merecem ser debatidos.

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Análise do texto "Por que manter cotas na pós-graduação?"

Gabarito: letra E. O autor utiliza a dificuldade dos estudantes carentes em manter-se estudando como argumento para defender a necessidade de se debater outros tipos de ação afirmativa, como a reserva de bolsas de estudo. Essa ideia está explícita no 4º parágrafo: "Até acho que podemos e devemos discutir outros tipos de ação afirmativa, como uma reserva de bolsas de estudo. Frequentemente, a dificuldade dos alunos de famílias pobres é mais manter-se estudando [...]". Nenhuma outra alternativa encontra respaldo no texto.

Desenvolvimento: O autor do texto, Hélio Schwartsman, questiona a extensão das cotas raciais para a pós-graduação, mas reconhece que outras formas de ação afirmativa, como a reserva de bolsas, podem ser discutidas. A dificuldade de permanência dos alunos pobres é citada exatamente para defender a necessidade de se pensar em políticas que garantam a continuidade dos estudos, e não necessariamente as cotas. Portanto, a alternativa E é a única que reflete o argumento do autor.

  1. 1Dificuldade de permanência dos alunos pobres
  2. 2Defende debate de outras ações afirmativas
  3. 3Ex.: reserva de bolsas de estudo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não afirma que os estudantes carentes tendem a abandonar os cursos, nem que seria um contrassenso ofertar vagas a eles. O autor apenas menciona a dificuldade de se manter estudando, mas não conclui que isso justifique um contrassenso. Erro: extrapolação e contradição com o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O autor não defende que o método de acesso à graduação por cotas precise ser aprimorado antes de estender à pós. Ele critica a lógica das cotas na pós, mas não propõe aprimoramento das da graduação. Erro: acrescenta opinião não encontrada no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O autor é cético quanto à implementação de cotas na pós-graduação: "tenho dificuldades para entender por que a reserva de vagas deveria se estender à pós-graduação". Logo, não defende que elas precisam ser implementadas. Erro: contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto não relaciona a condição social a baixo aproveitamento, nem usa isso para justificar cotas na pós. Pelo contrário, cita pesquisas que mostram desempenho semelhante dos cotistas na graduação. Erro: extrapola e contradiz o texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme o 4º parágrafo: "Até acho que podemos e devemos discutir outros tipos de ação afirmativa, como uma reserva de bolsas de estudo. Frequentemente, a dificuldade dos alunos de famílias pobres é mais manter-se estudando [...]". O autor defende exatamente que outros tipos de ação afirmativa, voltados para a permanência, merecem ser debatidos.

Conclusão: A alternativa E é a única plenamente amparada pelo texto. As demais ou extrapolam, contradizem ou acrescentam ideias alheias ao autor.

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