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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu066421
Banca
VUNESP
Órgão
CAU-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista III - Analista Técnico em Arquitetura e Urbanismo
Leia o texto para responder à questão.

Por que manter cotas na pós-graduação?

         Deu na Folha de São Paulo que coletivos da USP estão furibundos com o Departamento de Filosofia, cuja pós-graduação ainda não adotou ações afirmativas em seu processo seletivo.
        Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade e que, quando dirigidas a grupos específicos, devem seguir critérios objetivamente mensuráveis. Reconheço, porém, que o “Zeitgeist” (espírito da época) se enamorou da reserva de vagas para minorias e gosto do resultado que essa política produz, ainda que faça restrições ao método.
        Há, contudo, um ponto que, para mim, permanece enigmático, que é a pós-graduação. Os entusiastas das cotas celebram com razão as várias pesquisas que mostraram que, na graduação, o desempenho dos alunos cotistas é tão bom quanto o dos não cotistas, às vezes até um pouquinho melhor. Diante desse diagnóstico, tenho dificuldades para entender por que a reserva de vagas deveria se estender à pós-graduação. Se a performance dos estudantes é semelhante, então uma prova de conhecimentos específicos da disciplina, que são adquiridos na graduação, torna-se um critério muito razoável para presidir ao processo seletivo.
        Até acho que podemos e devemos discutir outros tipos de ação afirmativa, como uma reserva de bolsas de estudo. Frequentemente, a dificuldade dos alunos de famílias pobres é mais manter-se estudando, isto é, sem trabalhar para ajudar a pagar os boletos, do que o processo seletivo.
         Desconheço os motivos que levaram o pessoal da filosofia, que, afinal, é a minha “alma mater”, a não instituir cotas raciais na pós, mas gostaria de acreditar que foi o apego à lógica.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 13.08.2022. Adaptado)
O autor do texto discute
  1. Aa denúncia de estudantes sobre os critérios obscuros de acesso à pós-graduação no Departamento de Filosofia da USP.
  2. Ba criação de novos mecanismos de acesso às universidades públicas que podem inviabilizar de vez as políticas afirmativas.
  3. Ca urgência de universidades públicas como a USP reavaliarem a manutenção de cursos cuja finalidade prática é questionável.
  4. Da incoerência de se defenderem critérios de seleção distintos para pós-graduação a candidatos com desempenho semelhante.
  5. Ea queda substancial na qualidade dos cursos de pósgraduação que passaram a ser frequentados por estudantes cotistas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a incoerência de se defenderem critérios de seleção distintos para pós-graduação a candidatos com desempenho semelhante.

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Análise da discussão sobre cotas na pós-graduação

Gabarito: letra D. O autor discute a incoerência de se defenderem critérios de seleção distintos (cotas raciais) para a pós-graduação quando os candidatos têm desempenho semelhante na graduação. Como se lê no texto: "Se a performance dos estudantes é semelhante, então uma prova de conhecimentos específicos da disciplina… torna-se um critério muito razoável." A tese central é essa contradição: o mesmo desempenho justificaria tratamento igual, mas as cotas propõem tratamento diferenciado.

O texto de Hélio Schwartsman parte de uma notícia sobre o Departamento de Filosofia da USP que ainda não adotou cotas na pós-graduação. O autor assume uma posição cética em relação às cotas raciais em geral, mas reconhece que elas produzem resultados positivos. Contudo, ele se concentra em um ponto específico: a extensão das cotas para a pós-graduação. O argumento-chave é que, se na graduação os alunos cotistas têm desempenho igual ou melhor que os não cotistas, então o processo seletivo da pós-graduação, baseado em conhecimentos adquiridos na graduação, deveria ser o mesmo para todos. Defender cotas na pós-graduação seria incoerente com esse diagnóstico.

As demais alternativas ou extrapolam ou contradizem o texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto menciona que coletivos da USP estão "furibundos" com o Departamento de Filosofia, mas não há denúncia sobre critérios obscuros. A alternativa extrapola ao acrescentar uma informação (critérios obscuros) que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O autor não discute a criação de novos mecanismos de acesso que inviabilizariam políticas afirmativas. O foco é especificamente sobre a extensão das cotas para a pós-graduação. A alternativa tangencia o tema principal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há menção a "urgência de reavaliar cursos cuja finalidade prática é questionável". O texto não trata da qualidade ou finalidade dos cursos. A alternativa está fora do escopo do texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O autor expressa claramente sua dificuldade em entender a defesa de cotas na pós-graduação dado o desempenho semelhante dos alunos na graduação. Ele afirma: "tenho dificuldades para entender por que a reserva de vagas deveria se estender à pós-graduação. Se a performance dos estudantes é semelhante, então uma prova de conhecimentos específicos da disciplina… torna-se um critério muito razoável." Isso revela a incoerência apontada na alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto contradiz essa afirmação: diz que "o desempenho dos alunos cotistas é tão bom quanto o dos não cotistas, às vezes até um pouquinho melhor". Portanto, não há queda na qualidade. A alternativa contradiz o texto.

Conclusão: Apenas a alternativa D parafraseia corretamente a tese central. As demais ou se afastam do tema ou contradizem o texto.

Gabarito: letra D

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