Com a escalada da inflação e dos juros nos Estados Unidos e na Europa, num contexto de tensões geopolíticas em
ascensão, crescem os riscos de uma recessão global. Em
paralelo, há dúvidas sobre a atividade na China, que passa
por um momento de desaceleração e crise no mercado imobiliário.
A combinação de fatores negativos nos três principais
motores do mundo torna o cenário especialmente incerto. No
tema inflacionário, as pressões se comparam às da década
de 1970, ocasionadas por duas crises de oferta de petróleo.
No caso americano, que dá o tom para o mercado financeiro mundial, a inflação acumulada nos doze meses encerrados em junho chegou a 9,1%, resultado dos choques da
pandemia e dos inéditos estímulos fiscais e monetários, que
impulsionaram a demanda além da capacidade de produção.
Com o desemprego próximo das mínimas históricas nas
duas regiões e altas dos salários acima da produtividade, tem-
-se pela primeira vez em décadas o risco de uma espiral inflacionária de difícil controle. Daí a resposta rápida, ainda que
tardia, dos bancos centrais. Combater a inflação o quanto antes é crucial para evitar uma recessão mais profunda adiante.
Mas o processo não é indolor. Desde que o Fed (Banco
Central Norte-Americano) iniciou o ciclo de aperto na política
monetária, a expectativa para os juros disparou, de pouco
mais de 1% para 3,5% no final de 2022, com forte queda dos
mercados de títulos públicos, crédito privado e ações – uma
perda de capital de US$ 20 trilhões.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 23.07.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão.
AO momento de desaceleração do país e a crise no mercado imobiliário faz com que paire dúvidas sobre a atividade na China.
BAumenta-se os riscos de uma recessão global com a escalada da inflação e dos juros nos Estados Unidos e na Europa.
COs juros, que era de pouco mais de 1%, tem a expectativa de chegar a 3,5% no final de 2022, trazendo perda de capital.
DEsperam-se que os bancos centrais deem uma resposta rápida ao risco de uma espiral inflacionária de difícil controle.
ENo caso americano, coube aos inéditos estímulos fiscais e monetários impulsionar a demanda além da capacidade de produção.
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GabaritoE — No caso americano, coube aos inéditos estímulos fiscais e monetários impulsionar a demanda além da capacidade de produção.
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Concordância verbal: o verbo concorda com o núcleo do sujeito
Gabarito: letra E. A única alternativa em que a concordância verbal segue a norma-padrão é a E, pois o verbo "coube" concorda com o núcleo do sujeito "impulsionar a demanda além da capacidade de produção" — uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, que exige verbo no singular. Como se lê no texto: "resultado dos choques da pandemia e dos inéditos estímulos fiscais e monetários, que impulsionaram a demanda além da capacidade de produção" — a reescrita da alternativa E mantém o sentido e a correção gramatical.
A questão cobra concordância verbal (Sintaxe). O comando pede a alternativa em que a concordância está de acordo com a norma-padrão — ou seja, precisamos analisar cada frase e identificar o sujeito de cada verbo, verificando se a flexão de número/pessoa está correta. A banca mistura casos especiais: sujeito composto, voz passiva sintética, sujeito oracional e sujeito posposto.
"O momento de desaceleração do país e a crise no mercado imobiliário faz com que paire dúvidas sobre a atividade na China."
O sujeito do verbo "faz" é composto: "O momento de desaceleração do país e a crise no mercado imobiliário". Com sujeito composto, o verbo deve ir para o plural: "fazem". A forma "faz" (singular) está errada. Além disso, o verbo "paire" deveria concordar com "dúvidas" (plural): "pairam dúvidas". A alternativa erra em dois pontos: concordância com sujeito composto e concordância com sujeito posposto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Aumenta-se os riscos de uma recessão global com a escalada da inflação e dos juros nos Estados Unidos e na Europa."
Aqui temos voz passiva sintética (verbo + partícula "se" apassivadora). O sujeito é "os riscos de uma recessão global" (plural). Na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito: "Aumentam-se os riscos". A forma "Aumenta-se" (singular) está errada. A banca explora a confusão com o índice de indeterminação do sujeito, que ocorre com verbos intransitivos ou transitivos indiretos (ex.: "Precisa-se de funcionários"), caso em que o verbo fica no singular. Mas aqui o verbo "aumentar" é transitivo direto, então o "se" é apassivador e exige concordância.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Os juros, que era de pouco mais de 1%, tem a expectativa de chegar a 3,5% no final de 2022, trazendo perda de capital."
O pronome relativo "que" retoma "Os juros" (plural). O verbo da oração adjetiva deve concordar com o antecedente: "que eram". Além disso, o verbo "tem" tem como sujeito "Os juros" (plural), então deveria ser "têm" (com acento diferencial de plural). A alternativa erra na concordância com o pronome relativo e na flexão de número do verbo "ter".
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Esperam-se que os bancos centrais deem uma resposta rápida ao risco de uma espiral inflacionária de difícil controle."
Aqui o "se" é índice de indeterminação do sujeito? Não. O verbo "esperar" é transitivo direto, e a oração "que os bancos centrais deem uma resposta rápida..." funciona como objeto direto (oração subordinada substantiva objetiva direta). O sujeito é oracional (a oração inteira), e o verbo deve ficar no singular: "Espera-se que...". A forma "Esperam-se" está errada. A banca explora a confusão: como há um "se", o candidato pode pensar em voz passiva sintética, mas aqui o "se" é partícula apassivadora? Não — o sujeito é a oração, e o verbo fica no singular.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"No caso americano, coube aos inéditos estímulos fiscais e monetários impulsionar a demanda além da capacidade de produção."
O sujeito do verbo "coube" é a oração "impulsionar a demanda além da capacidade de produção" (oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo). Quando o sujeito é uma oração, o verbo fica no singular: "coube". A concordância está correta. O texto-base confirma o sentido: "resultado dos choques da pandemia e dos inéditos estímulos fiscais e monetários, que impulsionaram a demanda além da capacidade de produção" — a alternativa E reescreve essa ideia com a concordância adequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura casos especiais e explora a confusão entre voz passiva sintética (verbo concorda com o sujeito) e índice de indeterminação do sujeito (verbo fica no singular). Na B, o "se" é apassivador; na D, o sujeito é oracional. Identifique a função do "se" e o tipo de sujeito antes de julgar.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" — a resposta é o sujeito. Se o sujeito for uma oração, o verbo fica no singular. Se for composto, vai para o plural. Desconfie de "se": verifique se é apassivador (concorda) ou indeterminador (singular).