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Questão de Português — Regência — VUNESP 2022

PortuguêsRegência
Código
vu066892
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Suzano - SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Agente Parlamentar
Leia a crônica de Rubem Braga para responder a questão.

Cafezinho

        Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

        Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase:

        – Ele foi tomar café.

        A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante.

        Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:

        – Bem, cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

        Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:

        – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

        Quando a bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:

        – Ele está?

        – Alguém dará o nosso recado sem endereço.

        Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo:

        – Ele disse que ia tomar um cafezinho...

        Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão:

        – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...

        Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

       Quando vier a grande hora de nosso destino, nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

(Rubem Braga.https://www.culturagenial.com/ cronicas-famosas-comentadas/Acesso: 18.11.2021)
A frase formulada a partir do texto obedece à norma padrão da regência na alternativa:
  1. AO repórter tinha certeza de que não conseguiria a informação desejada.
  2. BO repórter ficou ciente que o delegado estava tomando um cafezinho.
  3. CO repórter concluiu de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.
  4. DO café é a bebida que o brasileiro, principalmente o carioca, mais gosta.
  5. EA reclamação do repórter era compreensível do autor da crônica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — O repórter tinha certeza de que não conseguiria a informação desejada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência nominal e verbal na crônica "Cafezinho"

Gabarito: letra A. A única frase que obedece à norma padrão da regência é "O repórter tinha certeza de que não conseguiria a informação desejada", pois o substantivo certeza rege a preposição de (certeza de algo), e a oração subordinada substantiva completiva nominal é introduzida por "de que". As demais alternativas apresentam erros de regência: omissão da preposição exigida, uso indevido de preposição ou troca de regência verbal.

A questão cobra regência nominal e verbal — a relação de subordinação entre um termo regente (nome ou verbo) e seu complemento. O comando pede a frase que "obedece à norma padrão da regência", ou seja, é uma questão de gramática normativa aplicada ao texto, não de interpretação. Vamos analisar cada alternativa.

Termo regente

Classe

Regência correta

Erro na alternativa

Certeza

Substantivo

de que (completiva nominal)

— (A correta)

Ciente

Adjetivo

de que

B: omitiu "de"

Concluir

Verbo TD

que (sem preposição)

C: usou "de" (dequeísmo)

Gostar

Verbo TI

de que

D: omitiu "de"

Compreensível

Adjetivo

para alguém

E: usou "de" no lugar de "para"

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "O repórter tinha certeza de que não conseguiria a informação desejada" está correta. O substantivo certeza exige a preposição de (certeza de algo), e a oração "que não conseguiria a informação desejada" funciona como complemento nominal, sendo introduzida por "de que".

"Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho."

O texto mostra que o repórter tinha certeza de que o delegado não voltaria ("Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café"). A regência nominal de "certeza" é com "de", e a oração completiva nominal exige a preposição "de" antes do "que". Portanto, a alternativa A está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A frase "O repórter ficou ciente que o delegado estava tomando um cafezinho" está incorreta quanto à regência nominal. O adjetivo ciente exige a preposição de (ciente de algo). O correto seria "ciente de que o delegado estava tomando um cafezinho". A omissão da preposição "de" é um erro de regência nominal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase "O repórter concluiu de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café" está incorreta quanto à regência verbal. O verbo concluir é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto seria "concluiu que o funcionário passou o dia inteiro tomando café". O uso indevido da preposição "de" antes do "que" é um erro de regência verbal (o chamado "dequeísmo").

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase "O café é a bebida que o brasileiro, principalmente o carioca, mais gosta" está incorreta quanto à regência verbal. O verbo gostar é transitivo indireto, exigindo a preposição de. O correto seria "a bebida de que o brasileiro mais gosta". A omissão da preposição "de" antes do pronome relativo "que" é um erro de regência verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A frase "A reclamação do repórter era compreensível do autor da crônica" está incorreta quanto à regência nominal. O adjetivo compreensível rege a preposição para (compreensível para alguém). O correto seria "compreensível para o autor da crônica". O uso da preposição "de" no lugar de "para" é um erro de regência nominal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura regência nominal e verbal, trocando preposições (de/para) e omitindo-as indevidamente. A alternativa A é a única que usa corretamente a preposição exigida pelo nome "certeza".

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar regência, identifique o termo regente (verbo ou nome) e verifique qual preposição ele exige. Desconfie de frases com "que" sem preposição quando o verbo/nome pedir preposição, e vice-versa.

Gabarito: letra A.

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