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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu066897
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Suzano - SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Agente Parlamentar
Leia a crônica de Rubem Braga para responder a questão.

Cafezinho

        Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

        Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase:

        – Ele foi tomar café.

        A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante.

        Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:

        – Bem, cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

        Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:

        – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

        Quando a bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:

        – Ele está?

        – Alguém dará o nosso recado sem endereço.

        Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo:

        – Ele disse que ia tomar um cafezinho...

        Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão:

        – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...

        Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

       Quando vier a grande hora de nosso destino, nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

(Rubem Braga.https://www.culturagenial.com/ cronicas-famosas-comentadas/Acesso: 18.11.2021)
Na passagem – Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. (1º parágrafo) – as palavras em destaque referem-se, correta e respectivamente, a:
  1. Adelegado e repórter.
  2. Bdelegado e funcionário.
  3. Cfuncionário e repórter.
  4. Ddelegado e delegado.
  5. Erepórter e delegado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — repórter e delegado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: rastreando os referentes de "lhe" e "que"

Gabarito: letra E. Na passagem, o pronome "lhe" refere-se ao repórter (a pessoa a quem disseram que o delegado saiu) e o pronome relativo "que" refere-se ao delegado (o homem que havia ido tomar café). A prova está no próprio texto:

"Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho."

A questão é de compreensão (localizar referentes) e exige rastrear os pronomes no trecho. Vamos analisar cada um:

  • "lhe": pronome oblíquo átono que funciona como objeto indireto. Quem recebe a informação? O repórter. Ele é quem "precisava falar com um delegado" e, por isso, "lhe disseram" (disseram a ele, ao repórter) que o delegado saiu. O "lhe" retoma "repórter".

  • "que": pronome relativo que retoma o termo imediatamente anterior, "o homem". Mas quem é "o homem"? No contexto, é o delegado, pois a frase diz "o homem havia ido tomar um cafezinho" — e o delegado é quem saiu para o café. Portanto, "que" refere-se ao delegado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inverte a ordem: diz que "lhe" = delegado e "que" = repórter. O texto mostra o contrário: quem recebe a informação é o repórter ("lhe"), e quem saiu é o delegado ("que"). Erro: troca de referentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Atribui "lhe" ao delegado e "que" ao funcionário. O "funcionário" nem aparece no trecho; o texto fala em "delegado" e "homem". Além disso, inverte o referente de "lhe". Erro: troca de referentes e introduz termo ausente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que "lhe" = funcionário e "que" = repórter. O "funcionário" não está no trecho, e "que" não retoma o repórter (que é o sujeito da oração relativa "que precisava falar"). Erro: troca de referentes e termo ausente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que ambos se referem ao delegado. O "lhe" não pode ser delegado, pois quem recebe a informação é o repórter. Erro: atribui o mesmo referente a pronomes com funções distintas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Confirma a análise: "lhe" = repórter, "que" = delegado. É a única que respeita a cadeia coesiva do trecho. Correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os referentes dos pronomes, oferecendo combinações que invertem quem recebe a informação e quem sai para o café. A armadilha está em não perceber que "lhe" é objeto indireto (a quem se diz) e "que" é sujeito da oração relativa (quem saiu).

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar referentes, pergunte: quem pratica a ação? Quem recebe a ação? No caso, "disseram a ele" (repórter) e "o homem que saiu" (delegado).

Gabarito: letra E

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