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Questão de Português — Coesão e coerência — VUNESP 2022

PortuguêsCoesão e coerência
Código
vu066931
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Suzano - SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Telefonista

Investimento em educação na primeira

infância como “estratégia anticrime”


            James Heckman já era vencedor do Nobel de Economia quando começou a se dedicar ao assunto pelo qual passaria a ser realmente conhecido: a primeira infância (de 0 a 5 anos de idade), sua relação com a desigualdade social e o potencial que há nessa fase da vida para mudanças que possam tirar pessoas da pobreza.

            Em grande parte por causa de seus estudos, o assunto tem ganhado mais atenção nos últimos anos. Heckman concluiu que o investimento na primeira infância é uma estratégia eficaz para o crescimento econômico. Ele calcula que o retorno financeiro para cada dólar gasto é dos mais altos.

            Isso ocorre porque, na etapa entre o nascimento e os cinco anos de idade, o cérebro se desenvolve rapidamente e é mais maleável. Assim, é mais fácil incentivar habilidades cognitivas e de personalidade – atenção, motivação, autocontrole e sociabilidade – necessárias para o sucesso na escola, saúde, carreira e na vida.

            No início dos anos 2000, Heckman começou a se debruçar sobre os dados do Perry Preschool Project, experimento social que mudou a vida de seus participantes. Ele funcionou assim: em 1962, na pequena cidade de Ypslanti, no Estado do Michigan, nos Estados Unidos, 123 alunos da mesma escola foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um deles, com 58 crianças, recebeu uma educação pré-escolar de alta qualidade, e o outro, com 65, não participou das mesmas atividades – este último é o grupo de controle. A proposta era testar se o acesso a uma boa educação infantil melhoraria a capacidade de crianças desfavorecidas de obter sucesso na escola e na vida.

            “O consenso quando comecei a analisar os dados era de que o programa não tinha sido bem-sucedido porque o QI dos participantes era igual ao de não participantes”, lembra ele, anos depois, em conversa com a BBC News Brasil.

            Heckman e colegas resolveram analisar os resultados do experimento por outro ângulo. “Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida e vimos que o programa era, na verdade, muito mais bem-sucedido do que as pessoas achavam. Constatamos que os participantes tinham mais probabilidade de estarem empregados e tinham muito menos chance de ter cometido crimes”, diz o economista.

            Sua análise do programa Perry chegou à conclusão de que houve um retorno sobre o investimento de 7 a 10% ao ano, com base no aumento da escolaridade e do desempenho profissional, além da redução dos custos com reforço escolar, saúde e gastos do sistema penal.

(Luiza Franco. BBC News Brasil. 21 de maio de 2019. Adaptado)

No trecho do 6º parágrafo do texto “Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida...”, a expressão em destaque pode ser substituída corretamente por:
  1. Ade que os participantes dispunham.
  2. Bàs quais os participantes expuseram.
  3. Ca que os participantes usufruíam.
  4. Dcom que os participantes apresentaram.
  5. Ecujos participantes desenvolveram.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — de que os participantes dispunham.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição do pronome relativo "que" — regência verbal

Gabarito: letra A. A expressão "que os participantes demonstraram" pode ser substituída por "de que os participantes dispunham" porque o verbo dispor, no sentido de "ter à disposição", rege a preposição de — e o pronome relativo "que" deve vir precedido dessa preposição. A passagem original do 6º parágrafo é:

"Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida"

A substituição correta mantém o sentido de posse/capacidade: as habilidades de que os participantes dispunham = habilidades que eles tinham. As demais alternativas ou trocam a regência do verbo (exigindo preposição diferente) ou usam verbos incompatíveis com o sentido do texto.

A chave da questão: regência do pronome relativo

O pronome relativo "que" retoma o antecedente "habilidades sociais e emocionais". Na reescrita, o verbo escolhido determina a preposição que deve anteceder o "que". É preciso testar cada verbo com o antecedente:

  • dispor de algo → "habilidades de que os participantes dispunham" ✅

  • expor-se a algo → "habilidades às quais os participantes se expuseram" (faltou o pronome reflexivo "se")

  • usufruir de algo → "habilidades de que os participantes usufruíam" (a preposição correta é de, não a)

  • apresentar com algo → "habilidades com que os participantes apresentaram" (o verbo apresentar é transitivo direto, não rege "com")

  • desenvolver algo → "habilidades que os participantes desenvolveram" (o pronome "cujos" indica posse, não caberia aqui)

1Dispor de algo
"de que os participantes dispunham"
2Expor-se a algo
"às quais se expuseram" (faltou o "se")
3Usufruir de algo
"de que usufruíam" (preposição errada: "a")
4Apresentar algo (VTD)
"com que apresentaram" (preposição indevida)
5Desenvolver algo (VTD)
"cujos" (ordem/sentido invertidos)
Pronome relativo "que" — regência verbal
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Pronome relativo "que" — regência verbal: Dispor de algo ("de que os participantes dispunham"); Expor-se a algo ("às quais se expuseram" (faltou o "se")); Usufruir de algo ("de que usufruíam" (preposição errada: "a")); Apresentar algo (VTD) ("com que apresentaram" (preposição indevida)); Desenvolver algo (VTD) ("cujos" (ordem/sentido invertidos))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O verbo dispor rege a preposição de: "dispor de algo" = ter algo à disposição. Assim, o relativo "que" vira "de que", e a oração fica "habilidades de que os participantes dispunham". O sentido é idêntico ao original: os participantes tinham aquelas habilidades. A regência está correta e a substituição é perfeita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O verbo expor rege a preposição a e exige o pronome reflexivo: "expor-se a algo". A forma correta seria "habilidades às quais os participantes se expuseram". A alternativa omitiu o "se", tornando a construção agramatical. Além disso, o sentido de "expor-se" (submeter-se, arriscar-se) não combina com "habilidades" no contexto — as habilidades não são algo a que alguém se expõe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O verbo usufruir rege a preposição de: "usufruir de algo". Portanto, o correto seria "habilidades de que os participantes usufruíam", e não "a que". A preposição trocada quebra a regência. Além disso, "usufruir" sugere aproveitar um benefício, o que não é exatamente o sentido de "demonstrar habilidades" — o texto fala em habilidades que os participantes mostraram, não que desfrutaram.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O verbo apresentar é transitivo direto: apresenta-se algo, sem preposição. A construção "com que os participantes apresentaram" é agramatical — não existe "apresentar com algo". O correto seria "habilidades que os participantes apresentaram". A preposição "com" foi acrescentada indevidamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O pronome cujos indica posse e exige que o termo possuído venha logo depois: "cujas habilidades os participantes desenvolveram" (ou "cujos participantes desenvolveram habilidades" — o que inverteria o sentido). A forma "cujos participantes desenvolveram" está com a ordem invertida e o sentido alterado: daria a entender que os participantes possuíam as habilidades e as desenvolveram, mas o texto diz que os participantes demonstraram as habilidades — não que as desenvolveram naquele momento. Além disso, a regência de "desenvolver" é direta, sem preposição, o que tornaria o "cujos" desnecessário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a regência verbal — cada verbo exige uma preposição diferente. O candidato que não conhece a regência de "dispor" (de), "expor-se" (a), "usufruir" (de) e "apresentar" (direto) cai na armadilha de escolher por "sonoridade" ou por proximidade com o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um pronome relativo, teste a regência do verbo com o antecedente: pergunte "dispor de quê?", "expor-se a quê?", "usufruir de quê?". A preposição que aparecer na pergunta é a que deve vir antes do "que".

Gabarito: letra A.

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