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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu067890
Banca
VUNESP
Órgão
HORTOPREV - SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Assistente Técnico Legislativo
Leia o texto para responder a questão.

        21 DE MAIO Passei uma noite horrivel. Sonhei que eu residia numa casa residivel, tinha banheiro, cozinha, copa e até quarto de criada. Eu ia festejar o aniversario de minha filha Vera Eunice. Eu ia comprar-lhe umas panelinhas que há muito ela vive pedindo. Porque eu estava em condições de comprar. Sentei na mesa para comer. A toalha era alva ao lirio. Eu comia bife, pão com manteiga, batata frita e salada. Quando fui pegar outro bife despertei. Que realidade amarga! Eu não residia na cidade. Estava na favela. Na lama, as margens do Tietê. E com 9 cruzeiros apenas. Não tenho açucar porque ontem eu saí e os meninos comeram o pouco que eu tinha.
        ... Quem deve dirigir é quem tem capacidade. Quem tem dó e amisade ao povo. Quem governa o nosso país é quem tem dinheiro, quem não sabe o que é fome, a dor, e a aflição do pobre. Se a maioria revoltar-se, o que pode fazer a minoria? Eu estou ao lado do pobre, que é o braço. O braço desnutrido.

(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo – diário de uma favelada, 1993)
Quando diz que teve uma noite horrível, a narradora está se referindo ao fato de
  1. Aos gestores públicos do país preocuparem-se com os pobres, mas não conseguirem dar a estes uma vida de conforto.
  2. Bos filhos terem comido todo o seu açúcar, o que a fez sentir-se em uma realidade amarga literalmente.
  3. Co seu desejo de dirigir o país ser uma ilusão, assim como foi o sonho em que tinha condições de comprar.
  4. Do despertar trazê-la de volta à realidade amarga, já que sua vida era marcada por restrições econômicas.
  5. Eo sonho que tivera ser quase como um pesadelo, pois não se imaginava morando em uma casa na cidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o despertar trazê-la de volta à realidade amarga, já que sua vida era marcada por restrições econômicas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A noite horrível: o contraste entre sonho e realidade

Gabarito: letra D. A narradora chama a noite de "horrível" porque o sonho de conforto — casa com banheiro, cozinha, copa, quarto de criada, bife, pão com manteiga — se desfaz ao despertar, devolvendo-a à "realidade amarga" da favela, marcada por restrições econômicas. A passagem que ancora essa leitura é o contraste explícito entre o sonho e a vigília:

"Quando fui pegar outro bife despertei. Que realidade amarga! Eu não residia na cidade. Estava na favela. Na lama, as margens do Tietê. E com 9 cruzeiros apenas."

A alternativa D é a única que capta exatamente esse movimento: o despertar traz a narradora de volta à realidade de pobreza, e é essa volta que torna a noite "horrível".

A chave de resolução

O comando pede compreensão ("está se referindo ao fato de") — ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que o texto afirma, sem deduções externas. A narradora não diz que a noite foi horrível por causa do sonho em si, mas porque o sonho contrasta com a vida real de privações. O texto estabelece uma oposição entre o sonho (conforto, fartura) e a realidade (favela, lama, fome, falta de açúcar).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona "gestores públicos" nem diz que eles se preocupam com os pobres. A crítica social do segundo parágrafo ("Quem governa o nosso país é quem tem dinheiro, quem não sabe o que é fome") fala de quem governa, não de gestores que se preocupam. A alternativa acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: restrição/limitação. O texto diz que os meninos comeram o açúcar, mas isso é uma consequência da pobreza, não a causa da "noite horrível". A narradora chama a noite de horrível pelo contraste entre o sonho e a realidade, não pelo açúcar. Além disso, "realidade amarga literalmente" é uma distorção: a amargura é figurada (metafórica), referindo-se à vida difícil, não ao gosto do açúcar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente. A narradora não expressa "desejo de dirigir o país". O segundo parágrafo é uma reflexão sobre quem deveria governar ("Quem deve dirigir é quem tem capacidade"), mas não há indicação de que ela queira dirigir. A alternativa confunde a opinião da narradora sobre o governo com um desejo pessoal, o que o texto não sustenta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A alternativa parafraseia exatamente o que o texto mostra: o sonho de conforto é interrompido pelo despertar, e a narradora se depara com a "realidade amarga" da favela. A passagem "Quando fui pegar outro bife despertei. Que realidade amarga!" prova que a noite horrível é o despertar para a vida de restrições econômicas. A alternativa não acrescenta nem suprime nada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O sonho não é um pesadelo; pelo contrário, é um sonho agradável de conforto e fartura. A narradora não diz que "não se imaginava morando em uma casa na cidade" — ela imagina e deseja isso, tanto que o sonho a faz sentir prazer. A alternativa inverte o sentido do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação (alternativas A e C) e a inversão de sentido (alternativa E). A correta (D) é a única que se limita ao que o texto afirma, sem acrescentar opiniões ou inverter o contraste sonho × realidade.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife as palavras que indicam oposição ("mas", "porém", "Quando... despertei") — elas costumam marcar o ponto central do texto. Aqui, o contraste entre o sonho e a realidade é a chave.

Gabarito: letra D.

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