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Questão de Português — Uso da Vírgula — VUNESP 2022

PortuguêsUso da Vírgula
Código
vu067956
Banca
VUNESP
Órgão
PC-RR
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Agente de Polícia Civil (PROVA ANULADA)
Realidade não passa de uma alucinação compartilhada

   Não são poucos os neurocientistas que estão convencidos de que a percepção, e, em última instância, a própria realidade, não passa de uma alucinação controlada, mas, para não chocar muito o público, tendem a dizer isso em tom semijocoso. Anil Seth, autor de “Being You” (sendo você), diz com todas as letras que a alucinação é mesmo a base de nossa consciência. Apenas enfatiza que o termo “controlada” é uma parte importante da equação.
  Manter-se vivo não é tarefa para amadores. Evitar predadores, encontrar sustento e reproduzir-se exige de cada animal que ele antecipe perigos e oportunidades. Da modesta ameba que percebe e busca alimentos aos sofisticados seres humanos, bichos, desenvolvemos sentidos como visão, audição e ecolocação que transformam instâncias da realidade em experiências subjetivas, as quais nos fazem agir de modo a reduzir as incertezas da vida.
   Mas o mundo é um lugar complexo. Os sinais captados pelos sentidos vêm em quantidades brutais, cheios de descontinuidades, são frequentemente contraditórios e podem não significar nada sozinhos. Mas nossos cérebros organizam essa bagunça fazendo com que percebamos o mundo de acordo com suas expectativas prévias. O controle é muito mais de cima para baixo – isto é, o cérebro dizendo aos sentidos como as coisas devem ser percebidas – do que os sentidos informando livremente o cérebro.
    Nesse contexto faz sentido descrever a percepção como uma alucinação. A realidade nada mais é do que aquelas percepções sobre as quais todos estamos de acordo. E a inversa também vale. O delírio é a percepção descontrolada.
 Partindo disso, Seth escreveu um excelente livro, que, sem abusar do jargão da neurociência, oferece um interessante modelo para pensarmos a consciência.

(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2022/06/realidade-nao-passa-de-uma-alucinacao-compartilhada.shtml. 04.06.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa em que, com a inserção da vírgula, a frase do penúltimo parágrafo – Nesse contexto faz sentido descrever a percepção como uma alucinação. – atende à norma-padrão de pontuação.
  1. ANesse contexto, faz sentido descrever a percepção como uma alucinação.
  2. BNesse contexto faz, sentido descrever a percepção como uma alucinação.
  3. CNesse contexto faz sentido, descrever a percepção como uma alucinação.
  4. DNesse contexto faz sentido descrever, a percepção como uma alucinação.
  5. ENesse contexto faz sentido descrever a percepção como, uma alucinação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Nesse contexto, faz sentido descrever a percepção como uma alucinação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula após adjunto adverbial deslocado

Gabarito: letra A. A única alternativa que atende à norma-padrão é a que insere a vírgula imediatamente após o adjunto adverbial "Nesse contexto", isolando-o do restante da oração. No texto original, a frase do penúltimo parágrafo é:

Nesse contexto faz sentido descrever a percepção como uma alucinação.

A norma recomenda separar com vírgula adjuntos adverbiais antepostos (deslocados). A letra A faz exatamente isso:

Nesse contexto, faz sentido descrever a percepção como uma alucinação.

As demais alternativas violam a estrutura sintática, separando termos que não devem ser separados.

1Adjunto adverbial deslocado (início)
Ex.: "Nesse contexto, faz sentido..."
2Separa verbo de complemento
Ex.: "faz, sentido" (B)
3Separa predicado de sujeito oracional
Ex.: "faz sentido, descrever..." (C)
4Separa verbo de objeto direto
Ex.: "descrever, a percepção" (D)
5Separa preposição de complemento
Ex.: "como, uma alucinação" (E)
Vírgula: regras
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Vírgula: regras: Adjunto adverbial deslocado (início) (Ex.: "Nesse contexto, faz sentido..."); Separa verbo de complemento (Ex.: "faz, sentido" (B)); Separa predicado de sujeito oracional (Ex.: "faz sentido, descrever..." (C)); Separa verbo de objeto direto (Ex.: "descrever, a percepção" (D)); Separa preposição de complemento (Ex.: "como, uma alucinação" (E))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vírgula isola o adjunto adverbial "Nesse contexto", posicionado no início da oração. Essa é a colocação padrão e atende à norma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A vírgula separa o verbo "faz" de seu complemento "sentido", que é o objeto direto. Não se separa verbo e complemento com vírgula.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A vírgula separa o predicado "faz sentido" da oração subordinada substantiva "descrever a percepção como uma alucinação", que funciona como sujeito oracional. Isso quebra a coesão sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A vírgula separa o verbo transitivo "descrever" de seu objeto direto "a percepção como uma alucinação". É proibido separar verbo e objeto com vírgula.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vírgula separa a preposição "como" de seu termo "uma alucinação". Não se separa preposição de seu complemento.

Conclusão: A única colocação correta da vírgula é na alternativa A, isolando o adjunto adverbial deslocado.

PEGA ESSA DICA!

Ao inserir vírgulas, lembre-se: nunca separe sujeito de verbo, verbo de complemento, nome de complemento nominal ou preposição de seu termo. A vírgula marca deslocamentos, intercalações e enumerações.

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