Análise do poema "Insônia" – recomposição de memórias
Gabarito: letra D. O poema sugere que o eu lírico está recompondo imagens e lembranças de sua existência. Isso é evidente logo no segundo verso: "uivam os cães da memória", e nas cenas que se seguem – a noite de luar, o vento, a mãe cantando – todas memórias do passado. O poema não trata de futuro (A, E), nem de aflições literais com cães (B), nem de viagens a lugares desconhecidos (C).
"Dentro dele, estumados, uivam os cães da memória."
A palavra "estumados" (atiçados) indica que as lembranças são provocadas. A enumeração de cenas ("Aquela noite, o luar / e o vento no cipó-prata… A mãe no fogão cantando") mostra a recomposição de passagens da vida do eu lírico. Portanto, a alternativa D é a única coerente com o texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O poema não menciona perspectiva de futuro. Toda a carga imagética é de recordação (passado). A alternativa extrapola ao atribuir um sentimento de falta de futuro que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto fala em "cães da memória" – claramente uma metáfora para as lembranças que afligem. A alternativa suprime o termo "da memória" e trata os cães como reais, restringindo indevidamente o sentido. Além disso, o poema não descreve situações aflitivas atuais, mas a evocação de memórias.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não há qualquer referência a "visitar lugares desconhecidos". O poema se volta para o interior do eu lírico e para o passado, não para descobertas geográficas. Fuga ao tema.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como provado, o poema inteiro é uma reconstituição de memórias: os cães da memória uivam, e o eu lírico recorda cenas específicas de sua vida (noite, mãe cantando, etc.). O verbo "recompondo" capta exatamente o movimento de juntar imagens do passado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O poema menciona "sonho insone", mas o sonho é preenchido por saudade, vinagre e doçura – sentimentos ligados ao passado, não a perspectivas futuras de liberdade. Extrapolação – o texto não fundamenta essa interpretação.
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo poema é a letra D. As demais ou extrapolam, ou restringem, ou contradizem o sentido do texto.