Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2022
Português›Morfologia - Pronomes
Código
vu068662
Banca
VUNESP
Órgão
PC-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Investigador de Polícia
Leia o texto, para responder à questão.
Um dia na vida de Adão e Eva
Para entender nossa natureza, nossa história e nossa
psicologia, devemos entrar na cabeça dos nossos ancestrais
caçadores-coletores.
O campo próspero da psicologia evolutiva afirma que
muitas de nossas características psicológicas e sociais do
presente foram moldadas durante essa longa era pré-agrícola. Ainda hoje, afirmam especialistas da área, nosso cérebro
e nossa mente são adaptados para uma vida de caça e coleta. Nossos hábitos alimentares e nossos conflitos são todos
consequência do modo como nossa mente de caçadores-
-coletores interage com o ambiente pós-industrial de nossos
dias, com megacidades, aviões, telefones e computadores.
Esse ambiente nos dá mais recursos materiais e vida mais
longa do que a desfrutada por qualquer geração anterior, mas
também nos faz sentir alienados, deprimidos e pressionados.
Para entender por quê, apontam os psicólogos evolutivos, precisamos nos aprofundar no mundo de caçadores-coletores que nos moldou, o mundo que, subconscientemente,
ainda habitamos.
Por que, por exemplo, as pessoas se regalam com alimentos altamente calóricos que tão pouco bem fazem a seus
corpos? Nas savanas e florestas que caçadores-coletores
habitavam, alimentos doces e calóricos eram extremamente
raros, e a comida em geral era escassa. Se uma mulher da
Idade da Pedra se deparasse com uma árvore repleta de figos, a coisa mais razoável a fazer era ingerir o máximo que
pudesse imediatamente, antes que um bando de babuínos
comesse tudo. Hoje, podemos morar em apartamentos com
geladeiras abarrotadas, mas nosso DNA ainda pensa que estamos em uma savana. É o que nos motiva a comer um pote
inteiro de sorvete.
(Yuval Noah Harari. Sapiens: uma breve história da humanidade.
34ª ed. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2018. Excerto adaptado)
Assinale a alternativa em que a posição do pronome destacado está em conformidade com a norma-padrão de colocação pronominal.
AAtualmente, ainda considera-se um marco histórico o domínio de técnicas de agricultura.
BSe conhecendo a natureza de nossos ancestrais, será possível encontrar algumas respostas.
CNossa forma de organização resume-se ao que já era visto entre nossos ancestrais coletores.
DA psicologia evolutiva tem dedicado-se a desvendar a origem de aspectos da nossa natureza.
EJamais soube-se o período de tempo em que os humanos sobreviveram da caça e da coleta.
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GabaritoC — Nossa forma de organização resume-se ao que já era visto entre nossos ancestrais coletores.
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Colocação pronominal — regras de próclise e ênclise
Gabarito: Alternativa C. A única alternativa em que o pronome oblíquo átono está posicionado corretamente segundo a norma-padrão. A ênclise em "resume-se" é a forma adequada, pois não há palavra atrativa que exija próclise antes do verbo.
A norma-padrão brasileira estabelece:
Próclise (pronome antes do verbo) é obrigatória quando há palavras atrativas: advérbios (ainda, já, sempre, jamais), pronomes relativos, conjunções subordinativas, palavras negativas, etc.
Ênclise (pronome depois do verbo) é a colocação preferencial quando não há fator de próclise.
Mesóclise (pronome no meio do verbo) é usada com futuro do presente ou futuro do pretérito, salvo atração.
Analisemos cada alternativa:
Colocação pronominal
1Próclise (antes do verbo)
Palavras atrativas
Advérbios (ainda, já, jamais)
Pronomes relativos
Conjunções subordinativas
Palavras negativas
2Ênclise (depois do verbo)
Posição preferencial sem atração
Gerúndio (sem atração)
Particípio (não aceita ênclise)
3Mesóclise (meio do verbo)
Futuro do presente/pretérito
Salvo atração
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase: "Atualmente, ainda considera-se um marco histórico…" — O advérbio "ainda" atrai o pronome para antes do verbo. O correto seria "ainda se considera". A banca usa um advérbio proclítico comum (ainda, já, sempre) para tentar o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A frase: "Se conhecendo a natureza…" — Com o gerúndio, a ênclise é a forma mais comum e recomendada pela norma culta: "Conhecendo-se a natureza". A próclise "se conhecendo" é considerada inadequada na escrita formal, pois não há fator de atração que justifique o pronome antes do verbo no gerúndio (a menos que haja palavra atrativa antes, o que não ocorre).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase: "Nossa forma de organização resume-se ao que já era visto…" — Não há palavra atrativa antes do verbo "resume". O sujeito "Nossa forma de organização" não atrai o pronome. Portanto, a ênclise está perfeitamente adequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A frase: "tem dedicado-se" — Em locuções verbais com particípio, o pronome não deve ficar depois do particípio. A colocação padrão exige próclise ao verbo auxiliar ou ênclise ao auxiliar (quando não há atração): "tem-se dedicado" ou "se tem dedicado". "Tem dedicado-se" é erro comum, pois o particípio repele o pronome enclítico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase: "Jamais soube-se…" — "Jamais" é palavra negativa que exige próclise. O correto é "Jamais se soube". A ênclise aqui desrespeita a regra básica.
🎯 Pegadinha: A banca mescla diferentes regras: advérbio atrativo (A e E), gerúndio (B), locução verbal com particípio (D) e ausência de atração (C). O candidato deve identificar o fator de atração e aplicar a regra correspondente.