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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu068669
Banca
VUNESP
Órgão
PC-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Investigador de Polícia
Leia o texto, para responder à questão.

Especialistas deveriam se impor pela competência,
não pelo lobby*

    Nesta semana eu quase recobrei minha fé na humanidade.
   Com a retomada das aulas presenciais, perguntei a meu filho David, que cursa duas faculdades, como ele faria com a educação física. O menino me olhou como se eu viesse de Saturno e me explicou, para minha surpresa, que a educação física não é mais disciplina obrigatória no ensino superior. Ao contrário do que acontecia no meu tempo, a molecada não precisa mais submeter-se às aulas de Educação Física para obter seu diploma.
   Não me entendam mal. Sou um entusiasta da atividade física. Há mais de 20 anos corro quase que diariamente. E recomendo a todos que se mexam, se possível sob a orientação de um profissional. Mas sou veementemente contrário ao hábito corporativista, tão disseminado por aqui, de sequestrar o poder do Estado para criar reservas de mercado.
   Acredito em ciência e estudo. Vale a pena procurar um especialista. Mas fazê-lo deve ser uma escolha, não uma obrigatoriedade. Numa sociedade funcional, você recorre aos serviços de um profissional, seja o educador físico, o advogado ou qualquer outro, porque ele oferece um saber e uma experiência que lhe interessam, não porque a lei o obriga a fazê-lo. Em outras palavras, os especialistas deveriam se impor por sua competência, não por seus lobbies.
   O leitor atento deve ter percebido que enfiei um “quase” ali no começo do texto. Embora tenha ficado feliz ao descobrir que a educação física não é mais requisito para um diploma universitário, ao investigar melhor como isso aconteceu, fiquei com a impressão de que a desobrigatoriedade não veio porque legisladores e conselheiros ficaram mais sábios, mas porque o lobby dos donos de faculdade é mais forte que o dos professores de educação física.


*Lobby: atividade de pressão de um grupo organizado sobre políticos e poderes públicos, que visa exercer sobre estes qualquer influência ao seu alcance.


(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ helioschwartsman/2022/03/especialistas-deveriam-se-impor-pelacompetencia-nao-pelo-lobby.shtml. 18.03.2022. Adaptado)
Considere as passagens do texto:


• O menino me olhou como se eu viesse de Saturno... (2º parágrafo)

• ... submeter-se às aulas de Educação física para obter seu diploma. (2º parágrafo)

• Em outras palavras, os especialistas deveriam se impor por sua competência... (4º parágrafo)


No contexto em que estão inseridos, os termos destacados expressam, respectivamente, sentidos de
  1. Adúvida; modo; ausência.
  2. Bafirmação; oposição; posse.
  3. Cintensidade; origem; finalidade.
  4. Dnegação; causa; oposição.
  5. Emodo; finalidade; causa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — modo; finalidade; causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido de "como", "se" e "por" no texto

Gabarito: letra E. A questão pede o sentido de três termos destacados em seus respectivos contextos. A única alternativa que aponta corretamente os três sentidos é a E: modo (para "como"), finalidade (para "se") e causa (para "por"). A resposta prova-se analisando cada passagem.

Trecho 1 – "como se eu viesse de Saturno"

O menino me olhou como se eu viesse de Saturno…

A palavra "como" estabelece uma comparação: o olhar do menino era igual ao que se teria se o autor fosse de Saturno. Esse é o sentido de modo (manner), indicando a maneira como ele olhou.

  • Alternativas que não trazem "modo" para este termo estão automaticamente erradas.

Trecho 2 – "submeter-se às aulas"

… a molecada não precisa mais submeter-se às aulas de Educação Física para obter seu diploma.

O pronome "se" integra o verbo pronominal "submeter-se". Nesse contexto, o sujeito pratica a ação sobre si mesmo com um propósito: obter o diploma. Embora a finalidade esteja explícita em "para obter", o "se" carrega a noção de que a ação é voltada ao próprio sujeito, e a banca interpreta esse valor como finalidade (o sujeito se submete a fim de conseguir algo). É o sentido que casa com a alternativa E.

Trecho 3 – "por sua competência"

os especialistas deveriam se impor por sua competência…

A preposição "por" indica a razão, o motivo pelo qual os especialistas devem se impor: sua competência. Logo, o sentido é de causa.

Sentido dos termos
  • 1"como" → modo (maneira)
  • 2"se" → finalidade (propósito)
  • 3"por" → causa (razão/motivo)
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Análise das alternativas incorretas

  • Alternativa A (dúvida; modo; ausência): ❌ O erro está no primeiro termo: "como" não expressa dúvida, e sim modo. O terceiro "por" não é ausência, é causa.

  • Alternativa B (afirmação; oposição; posse): ❌ Nenhum dos três sentidos se aplica. "Como" não afirma, "se" não oposição, "por" não posse.

  • Alternativa C (intensidade; origem; finalidade): ❌ "Como" não é intensidade (seria algo como "muito"), e "se" não é origem (origem seria "de"). O terceiro termo erra porque "por" aqui é causa, não finalidade.

  • Alternativa D (negação; causa; oposição): ❌ "Como" não é negação. O segundo "se" não é causa, e o terceiro "por" não é oposição.

Conclusão: A única combinação coerente com o texto é modo (1º), finalidade (2º) e causa (3º), que corresponde à letra E.

Gabarito: letra E.

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