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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu068676
Banca
VUNESP
Órgão
PC-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Investigador de Polícia
Leia o texto, para responder à questão.


Ir ao mesmo lugar

   Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da televisão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez mais, vemos apenas simulacros da realidade.
   Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nunca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me limito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão turística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver “a própria coisa”? O turismo representa para muitos um modo de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
   Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrinação real fazem o possível para ficarem parecidos com os locais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
   Ocorre também que todos os lugares tendem a se parecer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história. Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livrarias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Londres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se parecem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem as mesmas lojas.
   Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turismo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.


(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida. Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)
Para o autor, a experiência de viajar
  1. Arevela-se em geral frustrante, já que é comum deparar-se com uma realidade muito aquém daquilo que é alardeado na televisão.
  2. Bé muito mais completa atualmente, em vista do poder da televisão para aumentar o fascínio por lugares como Londres e Nova York.
  3. Cé mais completa em destinos como as ruas de Paris, onde se misturam antigos cafés e lojas de grife reconhecidas internacionalmente.
  4. Desvaziou-se, visto que o esforço para dar aos locais turísticos a aparência divulgada na mídia priva-os daquilo que outrora os particularizava.
  5. Emelhorou, pois o conhecimento virtual prévio dos locais cria condições para que os turistas estabeleçam com eles uma forte conexão.
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GabaritoD — esvaziou-se, visto que o esforço para dar aos locais turísticos a aparência divulgada na mídia priva-os daquilo que outrora os particularizava.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da questão sobre a experiência de viajar no texto de Umberto Eco

Gabarito: letra D. A alternativa D capta a tese central do autor: a experiência de viajar perdeu sua autenticidade porque os destinos turísticos se esforçam para se igualar à imagem veiculada pela mídia, eliminando o que os tornava únicos. Isso é explicitado nos trechos finais: "todos os lugares tendem a se parecer" e "quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turismo para descobrir o mundo verdadeiro".

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não afirma que a realidade é "muito aquém" da televisão. Pelo contrário, diz que os locais fazem o possível para ficar parecidos com a imagem glamorizada. A ideia de frustração por decepção não é sustentada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O autor critica a influência da mídia, que torna a viagem menos autêntica. A expressão "muito mais completa" é oposta ao que ele defende: agora as pessoas voltam "sem ter sido tocadas minimamente pela fascinação do Outro Lugar".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Paris é citada como exemplo de homogeneização: os velhos estabelecimentos desaparecem, substituídos por lojas internacionais. A alternativa inverte o sinal, tratando essa mistura como positiva, quando o autor a lamenta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A passagem "os locais de peregrinação real fazem o possível para ficarem parecidos com os locais de peregrinação virtual" e a consequente perda da particularidade sustentam o esvaziamento da experiência. O autor afirma que antes a viagem transformava; agora, não.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A "forte conexão" é negada pelo texto: os turistas voltam sem ter sido tocados. O conhecimento virtual prévio, ao contrário de criar conexão, leva à busca pelo já conhecido, como dito na última frase: "encontrar sempre aquilo que já conhece e que poderia ver perfeitamente ficando em casa".

Gabarito: letra D

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