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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2022

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu069212
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Bebedouro - SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Oficial de Escola
Leia o texto para responder à questão.

Redes sem lei

   A esta altura estão mapeados os dissabores trazidos pelas redes sociais ao cotidiano social e político das nações. Se a dominância dessas plataformas digitais impulsionou e adensou as interações entre as pessoas em escala planetária, de outro lado acarretou oligopolização, manipulação dos fatos, fraudes e assédio também em profusão.
   Testemunha e vítima dessa faceta ameaçadora das mídias sociais, perseguida pelo governo autoritário de Rodrigo Duterte nas Filipinas, a jornalista Maria Ressa, Nobel da Paz de 2021, descreveu-as em entrevista à Folha como “uma bomba atômica que explodiu em nosso ecossistema de informação”.
    O mecanismo de reiterações labirínticas empregado pelos algoritmos, ao premiar os discursos ofensivos e as elucubrações fantásticas e mentirosas, estaria minando as bases da própria democracia, como os sistemas de pesos e contrapesos, de acordo com Ressa.
      Ilegalidades que não se praticavam na mesma extensão e profundidade antes da hegemonia das redes sociais tornaram-se lugar-comum. As autoridades incumbidas de fazer cumprir a lei onde quer que seja ainda comem poeira quando se trata dessas plataformas.
     Corresponsabilizá-las pelos crimes cometidos por meio dos seus serviços é providência básica para limpar o terreno bárbaro. Também é elementar evitar que seu enorme poderio de mercado seja usado para esterilizar a competição, pela qual poderão florescer opções de melhor qualidade informativa.
      Não há dúvida de que o combate ao turbilhão de falsificações oportunistas que jorra nas redes passa pelo exercício do jornalismo profissional, que questiona os poderosos com base na apuração e na publicação de fatos objetivamente verificáveis e se exerce em praça pública, não nos escaninhos ensimesmados das aldeias digitais.
        A sociedade aos poucos vai percebendo que não se substitui jornalista por influencer sem dano ao patrimônio comum da civilização.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 25.06.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o enunciado atende à norma-padrão quanto à colocação pronominal.
  1. AAs redes sociais têm uma faceta ameaçadora, e quem as descreveu para o jornal foi a Nobel da Paz de 2021, jornalista Maria Ressa.
  2. BNada avaliou-se ainda quanto aos impactos à sociedade decorrentes da veiculação de um turbilhão de falsificações oportunistas nas redes sociais.
  3. CSe disseminam, nos meios digitais, ilegalidades que não se praticavam na mesma extensão e profundidade antes da hegemonia das redes sociais.
  4. DTem percebido-se, aos poucos, a importância do jornalista para a sociedade, apurando e publicizando fatos objetivamente verificáveis.
  5. EResponsabilizarão-se as redes sociais que, por meio dos seus serviços, cometerem crimes, veiculando informações que contradizem a verdade.
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GabaritoA — As redes sociais têm uma faceta ameaçadora, e quem as descreveu para o jornal foi a Nobel da Paz de 2021, jornalista Maria Ressa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: a próclise obrigatória após pronome relativo

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que atende à norma-padrão porque emprega a próclise (pronome antes do verbo) corretamente: o pronome relativo "quem" é uma palavra atrativa que obriga o pronome oblíquo "as" a vir antes do verbo "descreveu". Como se lê no texto: "quem as descreveu para o jornal foi a Nobel da Paz de 2021". As demais alternativas erram ao usar ênclise ou mesóclise em contextos que exigem próclise, ou ao usar próclise indevidamente.

A questão cobra colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise), um tópico de sintaxe que depende de regras claras. Vamos revisar o essencial e aplicar a cada alternativa.

Regras básicas de colocação pronominal

  • Próclise (pronome antes do verbo): obrigatória quando há palavra atrativa antes do verbo. As principais são: pronomes relativos (que, quem, cujo), advérbios (não, nunca, já, sempre), pronomes indefinidos (nada, tudo, ninguém), pronomes demonstrativos (isto, isso), conjunções subordinativas (quando, se, embora, porque) e em frases optativas (Deus te abençoe).

  • Ênclise (pronome depois do verbo): regra geral, usada quando não há palavra atrativa, com verbos no presente ou pretérito. Ex.: "Ele deu-me o livro".

  • Mesóclise (pronome no meio do verbo): usada com verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito, desde que não haja palavra atrativa. Ex.: "Dar-lhe-ei o livro" (futuro do presente), "Falar-te-ia" (futuro do pretérito).

  • Locuções verbais: se o verbo principal estiver no particípio, o pronome deve vir antes do verbo auxiliar (próclise) ou depois do auxiliar, nunca depois do particípio. Ex.: "Tinha-me dito" (correto), "Tinha dito-me" (errado).

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavra atrativa
      • Pronome relativo (que, quem, cujo)
      • Advérbio (não, nunca, já)
      • Pronome indefinido (nada, tudo)
      • Conjunção subordinativa (quando, se)
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Regra geral (sem atrativa)
    • Presente/pretérito
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
  • 4Locução verbal com particípio
    • Pronome nunca após o particípio
    • Próclise ao auxiliar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"quem as descreveu para o jornal foi a Nobel da Paz de 2021"

O pronome relativo "quem" atrai o pronome oblíquo "as" para antes do verbo "descreveu". A próclise é obrigatória. A frase está perfeita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Nada avaliou-se ainda quanto aos impactos..."

O pronome indefinido "nada" é palavra atrativa, portanto o correto é "Nada se avaliou" (próclise). A ênclise "avaliou-se" é proibida após palavra atrativa. Erro: uso de ênclise com palavra atrativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Se disseminam, nos meios digitais, ilegalidades..."

Aqui o pronome "se" está antes do verbo, mas não há palavra atrativa que justifique a próclise. O sujeito é "ilegalidades" (posposto), e a norma-padrão prefere a ênclise: "Disseminam-se". A próclise é indevida. Erro: próclise sem palavra atrativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Tem percebido-se, aos poucos, a importância..."

Em locução verbal com verbo principal no particípio ("percebido"), o pronome não pode ficar depois do particípio. O correto é "Tem-se percebido" (próclise ao auxiliar) ou "Vem-se percebendo". Erro: ênclise ao particípio em locução verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Responsabilizarão-se as redes sociais..."

O verbo "responsabilizarão" está no futuro do presente. Sem palavra atrativa, o pronome deve ficar no meio do verbo (mesóclise): "Responsabilizar-se-ão". A ênclise "Responsabilizarão-se" é vedada com futuro. Erro: ênclise com verbo no futuro do presente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os casos de próclise e ênclise, especialmente com verbos no futuro e com locuções verbais. A alternativa E parece plausível por usar mesóclise, mas o verbo no particípio exige próclise.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar colocação pronominal, identifique primeiro se há palavra atrativa (pronome relativo, advérbio, conjunção subordinativa, pronome indefinido). Se houver, use próclise. Se não houver, verifique o tempo verbal: futuro pede mesóclise; presente/pretérito pedem ênclise. E em locuções com particípio, o pronome nunca fica depois do particípio.

Gabarito: letra A.

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