Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
vu069215
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Bebedouro - SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Oficial de Escola
Leia o texto para responder à questão.
Redes sem lei
A esta altura estão mapeados os dissabores trazidos pelas redes sociais ao cotidiano social e político das nações.
Se a dominância dessas plataformas digitais impulsionou e
adensou as interações entre as pessoas em escala planetária, de outro lado acarretou oligopolização, manipulação dos
fatos, fraudes e assédio também em profusão.
Testemunha e vítima dessa faceta ameaçadora das
mídias sociais, perseguida pelo governo autoritário de Rodrigo Duterte nas Filipinas, a jornalista Maria Ressa, Nobel
da Paz de 2021, descreveu-as em entrevista à Folha como
“uma bomba atômica que explodiu em nosso ecossistema de
informação”.
O mecanismo de reiterações labirínticas empregado pelos algoritmos, ao premiar os discursos ofensivos e as elucubrações fantásticas e mentirosas, estaria minando as bases
da própria democracia, como os sistemas de pesos e contrapesos, de acordo com Ressa.
Ilegalidades que não se praticavam na mesma extensão
e profundidade antes da hegemonia das redes sociais tornaram-se lugar-comum. As autoridades incumbidas de fazer
cumprir a lei onde quer que seja ainda comem poeira quando
se trata dessas plataformas.
Corresponsabilizá-las pelos crimes cometidos por meio
dos seus serviços é providência básica para limpar o terreno bárbaro. Também é elementar evitar que seu enorme
poderio de mercado seja usado para esterilizar a competição, pela qual poderão florescer opções de melhor qualidade
informativa.
Não há dúvida de que o combate ao turbilhão de falsificações oportunistas que jorra nas redes passa pelo exercício
do jornalismo profissional, que questiona os poderosos com
base na apuração e na publicação de fatos objetivamente verificáveis e se exerce em praça pública, não nos escaninhos
ensimesmados das aldeias digitais.
A sociedade aos poucos vai percebendo que não se
substitui jornalista por influencer sem dano ao patrimônio comum da civilização.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 25.06.2022. Adaptado)
Ao discutir o impacto das redes sociais no cotidiano da social atual, o editorial argumenta que elas
Acolaboram com o jornalismo profissional na qualificação das informações veiculadas, embora tenham retirado dele a primazia na base da apuração e publicação dos fatos.
Bpromovem a disseminação de informações falsas, mas as autoridades têm cada vez mais se capacitado para agir de forma responsável e rápida para limitar o alcance destas.
Ccriaram um ambiente bárbaro para o qual as autoridades têm dado pouca importância, uma vez que se acredita na impossibilidade de romper com a cadeia de desinformação.
Destão corroendo as bases da democracia, razão pela qual é preciso coibir as informações falsas nelas veiculadas para que se possa ter melhor qualidade informativa.
Epuseram a comunicação humana em um novo patamar, com mais sentido ao patrimônio comum da civilização, graças ao alcance do seu enorme poderio de mercado.
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GabaritoD — estão corroendo as bases da democracia, razão pela qual é preciso coibir as informações falsas nelas veiculadas para que se possa ter melhor qualidade informativa.
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Impacto das redes sociais: corrosão da democracia e necessidade de coibir a desinformação
Gabarito: letra D. O editorial argumenta que as redes sociais estão corroendo as bases da democracia e que, por isso, é preciso coibir as informações falsas para se alcançar melhor qualidade informativa. A prova está no trecho em que o autor afirma que os algoritmos, ao premiarem discursos ofensivos e mentirosos, "estariam minando as bases da própria democracia", e no parágrafo que defende a necessidade de "limpar o terreno bárbaro" e permitir que "floresçam opções de melhor qualidade informativa".
A questão é de compreensão (o comando pede o que o editorial "argumenta"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. Vamos ver cada alternativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as redes colaboram com o jornalismo profissional e que retiraram dele a primazia na apuração. O texto diz o contrário: as redes são descritas como um ambiente de "manipulação dos fatos, fraudes e assédio", e o jornalismo profissional é apresentado como o antídoto para o "turbilhão de falsificações oportunistas". Não há nenhuma passagem que sugira colaboração entre redes e jornalismo. Erro: contradiz o texto (inverte a relação entre redes e jornalismo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que as autoridades têm se capacitado "cada vez mais" para agir de forma responsável e rápida. O texto afirma exatamente o oposto: "As autoridades incumbidas de fazer cumprir a lei onde quer que seja ainda comem poeira quando se trata dessas plataformas." Ou seja, as autoridades não estão conseguindo lidar com as redes. Erro: contradiz o texto (inverte a situação das autoridades).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as autoridades têm dado "pouca importância" ao problema. O texto não diz isso: ele diz que as autoridades "comem poeira", ou seja, não conseguem agir, mas não que não se importam. Além disso, a alternativa acrescenta que "se acredita na impossibilidade de romper com a cadeia de desinformação", o que também não está no texto — o editorial, ao contrário, propõe soluções (corresponsabilizar as plataformas, evitar a oligopolização, fortalecer o jornalismo). Erro: extrapola (acrescenta juízo de valor e informação ausente).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D é uma paráfrase fiel da tese central do editorial. Veja os trechos que a sustentam:
"O mecanismo de reiterações labirínticas empregado pelos algoritmos, ao premiar os discursos ofensivos e as elucubrações fantásticas e mentirosas, estaria minando as bases da própria democracia"
Aqui está a causa: as redes (via algoritmos) corroem a democracia. E a consequência (a necessidade de coibir):
"Corresponsabilizá-las pelos crimes cometidos por meio dos seus serviços é providência básica para limpar o terreno bárbaro. Também é elementar evitar que seu enorme poderio de mercado seja usado para esterilizar a competição, pela qual poderão florescer opções de melhor qualidade informativa."
Ou seja: é preciso coibir as informações falsas (corresponsabilizar as plataformas) para que haja melhor qualidade informativa. A alternativa D junta exatamente esses dois pontos, sem acrescentar nada de fora. Correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as redes puseram a comunicação em um "novo patamar" com "mais sentido ao patrimônio comum da civilização". O texto diz o oposto: as redes são descritas como "uma bomba atômica que explodiu em nosso ecossistema de informação" e que "não se substitui jornalista por influencer sem dano ao patrimônio comum da civilização". Ou seja, as redes prejudicam o patrimônio comum, não o valorizam. Erro: contradiz o texto (inverte o juízo de valor).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro (como a ideia de que as redes têm enorme alcance) e inverter o sentido (como em B e E). A chave é sempre voltar ao texto e verificar se a relação de causa e consequência está exatamente como o autor a apresenta.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife as palavras de valor ("minando", "bárbaro", "dano") e os conectivos de causa ("ao premiar", "pela qual"). Eles revelam a tese e a direção do argumento.