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Questão de Português — Crase — VUNESP 2022

PortuguêsCrase
Código
vu069396
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Guaratinguetá - SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Engenheiro Agrônomo

Leia o texto, para responder à questão.


 Ensino distanciado


    Especialistas em educação superior recomendam não superestimar o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como ferramenta de avaliação qualitativa. Em que pesem suas limitações, a prova traz indicações preocupantes, contudo, sobre a disseminação do ensino a distância (EAD).

    Meros 2,3% dos cursos de graduação do gênero chegam à nota máxima, 5, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Na modalidade presencial, são 6,2%. A diferença também se apresenta no contingente enorme de cursos que nem mesmo alcançam a nota 3, mínimo exigido pelo MEC. Enquanto 30,9% dos presenciais ficam nos escores 1 e 2, no universo EAD praticamente a metade (47,8%) está no limbo.

    Não seria o caso, só por esses números, de estigmatizar o aprendizado em ambiente virtual. A pandemia de Covid-19 evidenciou ainda mais sua utilidade e forçou instituições a desenvolver técnicas pedagógicas adequadas para o meio, umas com mais sucesso que outras.

    O ensino remoto pode e deve ser usado para baratear e dar acesso à educação superior a quem de outro modo não a teria, por falta de recursos ou impossibilidade de deslocamento.

    Há indicações, porém, de que o desempenho mais baixo do estudo a distância resulte de fatores que nada têm a ver com a tecnologia. Os matriculados nesses cursos tendem a ser mais velhos (só 16% têm menos de 24 anos, ante 49% nos presenciais) e a trabalhar. São, portanto, pessoas menos familiarizadas com informática que ficaram defasadas nos estudos e dispõem de menos tempo para aulas, textos e exercícios.

    Por fim, parece evidente que muitos estabelecimentos de ensino superior recorrem ao EAD para cortar custos, sem se preocupar com extrair do meio todo seu potencial. De 2019 para 2020, a modalidade deu um salto de 26%, para 2 milhões de matrículas novas.

    É certo que isso se deveu à pandemia, mas agora é hora de cuidar para que o EAD não contribua para reduzir a já insatisfatória qualidade do ensino superior brasileiro.

    (Folha de S. Paulo. Editorial. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/09/ ensino-distanciado.shtml 13.09.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa em que, na frase que completa o enunciado a seguir, o emprego da crase está em conformidade com a norma-padrão da língua.As mudanças no ensino durante a pandemia pretendiam ser uma resposta...
  1. Aà alguns dos problemas que exigiam ações imediatas.
  2. Bà todas as necessidades educacionais que se impunham.
  3. Cà qualquer demanda que delas pudesse se beneficiar.
  4. Dà nova realidade que se apresentava para a educação.
  5. Eà potenciais demandas do novo contexto educacional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — à nova realidade que se apresentava para a educação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em frase a partir do texto

Gabarito: letra D. A única alternativa em que o acento grave está correto é "à nova realidade", pois o verbo "responder" exige a preposição a e o substantivo "realidade" admite o artigo a — fusão que gera a crase. As demais alternativas erram por usar crase antes de pronomes indefinidos (A, C, E) ou de pronome indefinido com sentido genérico (B), casos em que não há artigo definido feminino.

A questão cobra a regra clássica de crase: ela só ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos). O verbo "responder", no sentido de "reagir a algo", é transitivo indireto e exige a preposição "a": quem responde, responde a alguma coisa. Portanto, o núcleo do complemento deve ser um substantivo feminino que aceite o artigo definido. Vamos testar cada alternativa.

Crase: fusão a + a
  • 1Exige preposição "a" (regência)
  • 2Exige artigo definido "a"
  • 3Teste: trocar por palavra masculina
    • Aparece "ao" → [+] crase
    • Aparece só "a" → [-] sem crase
  • 4Bloqueiam a crase
    • Pronomes indefinidos
      • alguns
      • todas
      • qualquer
      • potenciais (sem artigo)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"à alguns dos problemas" — errada. O vocábulo "alguns" é pronome indefinido plural e não admite artigo definido (não dizemos "os alguns"). Sem artigo, não há fusão, logo não há crase. O correto seria "a alguns dos problemas". A banca tenta seduzir com a regência do verbo "responder" (que pede "a"), mas falta o artigo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"à todas as necessidades" — errada. "Todas" é pronome indefinido e, embora possa ser seguido de artigo em alguns contextos, aqui tem sentido genérico: "a todas as necessidades" (sem crase) é a forma correta, pois o "a" é apenas preposição, sem artigo definido. A crase exigiria que o "a" fosse artigo, o que não ocorre com pronome indefinido em sentido amplo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"à qualquer demanda" — errada. "Qualquer" é pronome indefinido e não admite artigo definido (não dizemos "a qualquer" com artigo). Portanto, não há crase: o correto é "a qualquer demanda". A regência do verbo "responder" pede a preposição "a", mas sem artigo não há fusão.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"à nova realidade" — correta. O verbo "responder" exige a preposição a (quem responde, responde a algo). O substantivo "realidade" é feminino e admite o artigo definido a. Temos, então, a fusão: a (preposição) + a (artigo) = à. A frase completa: "As mudanças no ensino durante a pandemia pretendiam ser uma resposta à nova realidade que se apresentava para a educação." Perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"à potenciais demandas" — errada. "Potenciais" é adjetivo, mas o núcleo "demandas" está no plural sem artigo definido (não dizemos "as potenciais demandas" com sentido definido). O correto seria "a potenciais demandas" (sem crase), pois não há artigo definido feminino. A banca usa o plural para confundir, mas a ausência de artigo impede a crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura regência verbal com crase: todas as alternativas têm verbo que pede "a", mas só uma tem substantivo feminino que aceita artigo definido. Desconfie de pronomes indefinidos (alguns, qualquer, todas) — eles bloqueiam a crase.

PEGA ESSA DICA!

Para testar a crase, troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer só "a", não há. Ex.: "resposta ao problema" (masculino) → "resposta à realidade" (feminino).

Gabarito: letra D.

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