Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022
- Código
- vu069403
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Prefeitura de Guaratinguetá - SP
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Engenheiro Agrônomo
Leia o texto, para responder à questão.
Ensino distanciado
Especialistas em educação superior recomendam não superestimar o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como ferramenta de avaliação qualitativa. Em que pesem suas limitações, a prova traz indicações preocupantes, contudo, sobre a disseminação do ensino a distância (EAD).
Meros 2,3% dos cursos de graduação do gênero chegam à nota máxima, 5, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Na modalidade presencial, são 6,2%. A diferença também se apresenta no contingente enorme de cursos que nem mesmo alcançam a nota 3, mínimo exigido pelo MEC. Enquanto 30,9% dos presenciais ficam nos escores 1 e 2, no universo EAD praticamente a metade (47,8%) está no limbo.
Não seria o caso, só por esses números, de estigmatizar o aprendizado em ambiente virtual. A pandemia de Covid-19 evidenciou ainda mais sua utilidade e forçou instituições a desenvolver técnicas pedagógicas adequadas para o meio, umas com mais sucesso que outras.
O ensino remoto pode e deve ser usado para baratear e dar acesso à educação superior a quem de outro modo não a teria, por falta de recursos ou impossibilidade de deslocamento.
Há indicações, porém, de que o desempenho mais baixo do estudo a distância resulte de fatores que nada têm a ver com a tecnologia. Os matriculados nesses cursos tendem a ser mais velhos (só 16% têm menos de 24 anos, ante 49% nos presenciais) e a trabalhar. São, portanto, pessoas menos familiarizadas com informática que ficaram defasadas nos estudos e dispõem de menos tempo para aulas, textos e exercícios.
Por fim, parece evidente que muitos estabelecimentos de ensino superior recorrem ao EAD para cortar custos, sem se preocupar com extrair do meio todo seu potencial. De 2019 para 2020, a modalidade deu um salto de 26%, para 2 milhões de matrículas novas.
É certo que isso se deveu à pandemia, mas agora é hora de cuidar para que o EAD não contribua para reduzir a já insatisfatória qualidade do ensino superior brasileiro.
(Folha de S. Paulo. Editorial. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/09/
ensino-distanciado.shtml 13.09.2022. Adaptado)
- Atal quadro não suscita receio com a condução do ensino superior, haja vista a discordância entre especialistas quanto à metodologia da pesquisa.
- Ba resistência do poder público à adoção maciça desse tipo de ensino cria empecilhos para que as instituições possam oferecê-lo com qualidade.
- Celes não são, por si só, suficientes para se taxar tal modalidade de ensino, especialmente em um contexto em que ficou demonstrada a sua utilidade.
- Dos números parecem antes refletir o desejo das universidades de encorajar a aceitação do EAD do que os resultados dessa modalidade de ensino.
- Eeles refletem uma tendência de precarização do ensino superior no Brasil, já que são praticamente idênticos aos resultados do ensino presencial.