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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu069408
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Guaratinguetá - SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Engenheiro Agrônomo

Leia o texto, para responder a questão.


O autógrafo dos anônimos


    Escritores assinam seus livros. Pintores assinam suas telas. Artistas de Hollywood deixam marcas das próprias mãos na calçada da fama. Agências de propaganda assinam seus anúncios de jornal e revista. Músicos autografam seus discos.

    Então por que o João-ninguém tem que passar em branco? Não mesmo. Ele também existe, ele também quer autografar. Como ele não tem livro impresso ou profissão alguma para personalizar, ele pega um tubo de spray e picha um muro. Para a cidade, com carinho.

    Quanto mais cresce a exaltação a personalidades, mais cresce o desprestígio dos cidadãos obscuros. Todo mundo lança disco, desfila, aparece na televisão, sai na revista, é entrevistado na rua. A impressão que dá é que só eles existem, ou que existem mais do que os outros. E os que são apenas mais um na folha de pagamento de uma grande empresa?

    Há muitas pessoas que estão se sentindo barradas no baile. Deveriam ser os que não têm trabalho, que não são poucos, mas são também aqueles que têm trabalho e família, porém suas vidas não têm janela com vistas para a mídia. Se até refém de ônibus sequestrado é convidado para ir a programa de entrevistas na televisão, que graça pode ter ser refém do anonimato?

A internet tem sido a tábua de salvação daqueles que precisam ser alguém, desde que alguém acessível eletronicamente. Abrem páginas para publicar suas histórias, instalam webcâmeras para divulgarem sua intimidade. Vale tudo para ter sua existência comprovada.

    E volto aos pichadores, que autografam diariamente prédios públicos. É uma imundície e um desperdício de energia, mas é também um registro de presença, assim como pessoas desenham corações em árvores, rabiscam classes da sala de aula. É uma necessidade de dizer: estou aqui, existo. Poucos percebem que existir para si mesmo já é uma plateia e tanto.


(Martha Medeiros. Non stop – crônicas do cotidiano.

Porto Alegre: L&PM, 2015. Excerto adaptado)

A autora do texto traz uma reflexão sobre
  1. Aa presunção de artistas como os de Hollywood, por julgarem que o aparecimento na mídia seria suficiente para lhes dar uma posição de prestígio.
  2. Ba falta de espaço para que pessoas comuns possam demonstrar sua criatividade e habilidades para campos artísticos como o da escrita ou da pintura.
  3. Co desejo de reconhecimento social por pessoas anônimas, visto, em um contexto em que se valoriza a superexposição, como meio de autoafirmação.
  4. Da forma como a falta de trabalho e a queda na renda têm inibido pessoas comuns, que se abstêm de compartilhar seu cotidiano nas redes socias.
  5. Ea insensatez inclusive de pessoas que gozam de prestígio social ao se prestarem ao trabalho de expor, sem qualquer critério, suas vidas ao público.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — o desejo de reconhecimento social por pessoas anônimas, visto, em um contexto em que se valoriza a superexposição, como meio de autoafirmação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reflexão sobre o anonimato e a busca por reconhecimento

Gabarito: letra C. A crônica de Martha Medeiros reflete sobre o desejo de reconhecimento social por parte de pessoas anônimas, que buscam autoafirmação em uma sociedade que valoriza a superexposição midiática. A autora desenvolve essa ideia ao longo do texto, perguntando por que o "João-ninguém" tem que passar em branco e citando exemplos como pichadores e o uso da internet para comprovar a própria existência.

"Ele também existe, ele também quer autografar. [...] É uma necessidade de dizer: estou aqui, existo."

A tese central é que o anonimato leva à busca por formas de registro de presença, seja pichando muros ou publicando na internet, como reação à exaltação de personalidades.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a autora critica a "presunção de artistas como os de Hollywood". O texto, porém, não faz juízo de valor sobre artistas; apenas constata que eles assinam obras e aparecem na mídia. A reflexão não é sobre presunção, mas sobre a exclusão dos anônimos. Erro: extrapolação (fora do escopo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere que o texto trata da "falta de espaço para pessoas comuns demonstrarem criatividade em campos artísticos". Embora o texto mencione escritores e pintores, o foco não é a criatividade artística, mas a necessidade de autoafirmação — mesmo que por pichação, que não é arte reconhecida. Erro: restrição indevida a campos artísticos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa capta a essência: "o desejo de reconhecimento social por pessoas anônimas, visto, em um contexto em que se valoriza a superexposição, como meio de autoafirmação". Isso é corroborado por passagens como "Quanto mais cresce a exaltação a personalidades, mais cresce o desprestígio dos cidadãos obscuros" e a conclusão sobre a pichação: "É uma necessidade de dizer: estou aqui, existo". Correta por paráfrase fiel da tese.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que "a falta de trabalho e a queda na renda têm inibido pessoas comuns de compartilhar seu cotidiano nas redes sociais". O texto menciona, sim, "os que não têm trabalho", mas não estabelece relação causal com inibição; ao contrário, a internet é apresentada como "tábua de salvação" para quem busca visibilidade. Erro: introduz causa não presente no texto (extrapolação).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fala em "insensatez inclusive de pessoas que gozam de prestígio social ao expor suas vidas". A crônica não aborda pessoas que já têm prestígio; o foco são os anônimos. A palavra "insensatez" é juízo de valor que a autora não emite. Erro: fuga ao tema e opinião embutida.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a reflexão central, procure a tese que percorre o texto — muitas vezes expressa em perguntas retóricas ou na conclusão. Aqui, a pergunta "Então por que o João-ninguém tem que passar em branco?" e a frase final "Poucos percebem que existir para si mesmo já é uma plateia e tanto" revelam o cerne da discussão.

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