Leio que a TV a cabo será o novo telefone fixo. Má notícia
para os que, como eu, ainda veem nela uma alternativa aos
programas de auditório que infestam a TV aberta. O telefone
fixo, por sua vez, já é um fóssil paleozoico contemporâneo.
Nada como o avanço da tecnologia para redefinir as
relações sociais. Há décadas na praça, acumulei uma razoável quantidade de amigos com quem continuei mais ou
menos em contato pelos canais convencionais – telefone,
e-mail, telegrama, uma ou outra carta e, em caso de viagem,
o querido cartão postal. Mas todos esses amigos devem ter
se mudado para a Zona Fantasma, porque telegramas, cartas e cartões postais são coisas que não recebo há 20 anos.
E só agora me dou conta de que também não os envio, donde, para eles, já devo ter sido despachado, idem, para a Zona
Fantasma.
Estamos aprendendo a dispensar coisas que até há pouco eram corriqueiras no cotidiano. Faz tempo que, por falta
de ofertas, não compro um CD ou DVD. Por sorte, ainda tenho milhares, mas não sei até quando existirá equipamento
para tocá-los.
Há pouco, na rua, perguntei as horas a uma jovem com
um relógio de pulso. Em vez de consultá-lo, ela tirou do bolso
um celular e olhou para a tela. Eram 9h30. Seu relógio deve
estar na categoria de seus brincos e pulseiras.
Assinale a alternativa em que o termo em destaque expressa ideia de causa.
A... ainda veem nela uma alternativa aos programas de auditório...
B... amigos com quem continuei mais ou menos em contato pelos canais convencionais...
CFaz tempo que, por falta de ofertas, não compro um CD ou DVD.
D... ainda tenho milhares, mas não sei até quando existirá equipamento para tocá-los...
EHá pouco, na rua, perguntei as horas a uma jovem com um relógio de pulso...
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GabaritoC — Faz tempo que, por falta de ofertas, não compro um CD ou DVD.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sentido de causa em locução prepositiva
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o termo em destaque — "por falta de ofertas" — expressa ideia de causa: a falta de ofertas é o motivo pelo qual o autor não compra CD ou DVD. Como se lê no texto: "Faz tempo que, por falta de ofertas, não compro um CD ou DVD" — a locução prepositiva "por falta de" introduz a razão da ação. As demais alternativas trazem "por" com outros valores (meio, finalidade, tempo) ou preposições sem valor causal.
A questão cobra o valor semântico das preposições — um tópico clássico de morfologia. Preposições são palavras invariáveis que ligam dois termos, e o sentido que estabelecem depende do contexto. A banca VUNESP adora explorar a polissemia da preposição "por", que pode indicar causa, meio, lugar, tempo, entre outros. Para acertar, é preciso substituir mentalmente a expressão por um sinônimo e verificar se a relação lógica se mantém.
Preposição "por" (polissemia): Causa ("por falta de ofertas", Substitui por "devido a"); Meio ("pelos canais convencionais", Substitui por "através de"); Finalidade ("para tocá-los", Substitui por "a fim de"); Companhia/posse ("com um relógio", Substitui por "junto de")
Alternativa A — ❌ Incorreta
"... ainda veem nela uma alternativa aos programas de auditório..."
A preposição "a" (em "aos") introduz o complemento nominal de "alternativa" — quem é alternativa, é alternativa a algo. Não há relação de causa; é uma relação de especificação/objeto. A banca tenta confundir com a preposição "a" de outras frases, mas aqui o valor é de complemento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"... amigos com quem continuei mais ou menos em contato pelos canais convencionais..."
A preposição "por" (em "pelos") indica meio/instrumento — os canais convencionais são o meio pelo qual o autor mantém contato. Não é causa. A pegadinha: "por" também pode ser causal, mas aqui o contexto é de meio.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Faz tempo que, por falta de ofertas, não compro um CD ou DVD."
A locução prepositiva "por falta de" expressa causa: a falta de ofertas é o motivo de não comprar. Substitua por "devido à falta de ofertas" ou "porque faltam ofertas" — o sentido permanece. É a única alternativa em que a relação é claramente causal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"... ainda tenho milhares, mas não sei até quando existirá equipamento para tocá-los..."
A preposição "para" (em "para tocá-los") indica finalidade — o equipamento serve para tocar os CDs/DVDs. Não é causa. A banca explora a confusão entre finalidade e causa, que são relações próximas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Há pouco, na rua, perguntei as horas a uma jovem com um relógio de pulso..."
A preposição "com" (em "com um relógio") indica companhia/posse — a jovem estava com um relógio. Não há relação de causa. A pegadinha: "com" pode ter valor instrumental, mas aqui é de posse/acompanhamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a polissemia da preposição "por" — em B, "por" é meio; em C, é causa. Confundir esses valores é o erro mais comum. Sempre teste com sinônimos: "por meio de" (meio) × "devido a" (causa).
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o valor de uma preposição, substitua por outra de sentido conhecido. Se "por" = "devido a", é causa; se = "através de", é meio; se = "para", é finalidade. O contexto decide.