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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2022

PortuguêsSintaxe
Código
vu070362
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Piracicaba - SP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Secretário de Escola
Vozes ao ouvido

    Céu e mar estão competindo pelo azul nesta primavera carioca – um azul de tinteiro, de caneta Parker. Todas as manhãs, o calçadão Ipanema-Leblon transborda de gente contente por apenas estar ali, exercendo o seu direito de viver. É gente de vários estratos, idades, cores, línguas e de todos os estilos de caminhar ou correr. A exceção é a minoria que, indiferente ao azul, caminha atracada ao celular, o cenho franzido, discutindo coisas inadiáveis.
    Minoria na orla, mas maioria ao redor. No próprio calçadão, já vi um sem-teto em andrajos, sentado na escadaria do Leblon, falando ao celular. Sentei-me ao seu lado como quem não quer nada, tentando ouvir retalhos da conversa. Falava numa língua que eu não entendia, talvez português. Tudo bem, o importante era o homem falando ao celular – o meio era a mensagem.
    Há pouco, num shopping, um menino de quatro ou cinco anos levava ao ouvido um ursinho de pelúcia. Não sei se o ursinho tinha um celular embutido. Podia ser como o menino enxergava os adultos – todos com um objeto à orelha – e achasse que aquela era a maneira de usar o mundo.
    Não seria uma visão absurda. Descendo no Aeroporto Santos-Dumont na semana passada, eu era o único passageiro sem o telefone ao ouvido. Em vez disso, trazia na mão um objeto outrora tão popular quanto o celular: um livro. Por acaso, uma edição de bolso do clássico “Memórias de um Sargento de Milícias”.
      Instintivamente, repeti o gesto de todo mundo e levei o livro à orelha. E, então, deu-se o milagre. Escutei a voz dos personagens de Manuel Antonio de Almeida. Vozes vindas de um tempo remoto – mas que chegavam a mim com incrível nitidez.

(Ruy Castro. A arte de querer bem - Crônicas.
Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018. Excerto adaptado)

Para responder à questão, considere a seguinte passagem do 1° parágrafo:

    Todas as manhãs, o calçadão Ipanema-Leblon transborda de gente contente por apenas estar ali, exercendo o seu direito de viver. É gente de vários estratos, idades, cores, línguas e de todos os estilos de caminhar ou correr. 

O termo destacado na frase – ... gente contente por apenas estar ali... – exprime a noção de 

  1. Acausa.
  2. Bmodo.
  3. Cposse.
  4. Dtempo.
  5. Eoposição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico de "por" em "contentes por apenas estar ali"

Gabarito: letra A. O termo "por" exprime causa: as pessoas estão contentes porque apenas estão ali, ou seja, o simples fato de estar no calçadão é o motivo da contentamento. A prova está na própria passagem: "gente contente por apenas estar ali" — a preposição "por" + infinitivo equivale a "porque estão ali", instaurando uma relação de causa e consequência.

A questão é de interpretação de valor semântico de conectivo: não se pergunta o que o texto diz, mas que relação lógica o termo destacado estabelece. Para resolver, basta substituir mentalmente "por" por "porque" e verificar se a frase mantém o sentido: "contentes porque apenas estão ali" — perfeito, é causa.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Todas as manhãs, o calçadão Ipanema-Leblon transborda de gente contente por apenas estar ali, exercendo o seu direito de viver."

A preposição por + infinitivo (por estar) tem valor causal: indica o motivo que torna as pessoas contentes. A oração "por apenas estar ali" responde à pergunta "por que estão contentes?" — exatamente a função de uma causa. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Modo indicaria como se dá a ação (ex.: "contentes por andar depressa"). O texto não descreve a maneira de estar ali, mas o motivo de estar contente. A banca tenta confundir porque "por" também pode indicar modo em outros contextos, mas aqui o sentido é claramente causal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Posse é relação de pertencimento (ex.: "o livro de Pedro"). Não há qualquer ideia de posse na expressão "por apenas estar ali". A alternativa tangencia o texto: fala de um valor semântico que a preposição pode ter, mas que não ocorre neste trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Tempo indicaria quando (ex.: "contentes por manhãs de sol"). O trecho não expressa circunstância temporal; o "por" não equivale a "durante" ou "em". A relação é de causa, não de tempo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Oposição seria marcada por conectivos como "mas", "porém", "embora". Não há qualquer contraste ou ressalva na passagem. A alternativa contradiz a relação estabelecida: o texto afirma uma consequência (contentamento) de uma causa (estar ali), não uma oposição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia da preposição "por", que pode indicar causa, modo, lugar, meio etc. O candidato que não substitui o termo por "porque" cai na armadilha de escolher "modo".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um conectivo, substitua-o por outro de mesmo valor e veja se o sentido se mantém. "Por" = "porque" → causa; "por" = "através de" → meio; "por" = "durante" → tempo.

Gabarito: letra A.

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