Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2022

PortuguêsMorfologia
Código
vu071547
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Assistente Social Judiciário

A loteria genética


        O morticínio e as iniquidades provocados por ideias supostamente científicas sobre genes e raças são conhecidos. Em boa medida por causa desse histórico sombrio, parte da sociedade passou as últimas décadas ignorando, quando não combatendo, pesquisas no campo da genética humana, particularmente da genética comportamental. Não é uma estratégia particularmente brilhante. Um dos maus hábitos da realidade é que ela não vai embora só porque você não gosta dos resultados que ela produz.

        Esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros escritos por cientistas com agenda abertamente progressista que mostram que os genes são relevantes para o comportamento humano. “The Genetic Lottery”, de Kathryn Paige Harden, é uma dessas obras. Seu maior mérito é apresentar e desmitificar o problema. Genes importam não só no âmbito individual mas também para os grandes desafios sociais, como a igualdade. O peso da genética no desempenho escolar de uma criança é igual ao da renda dos pais, ou seja, bem forte. E o desempenho escolar, vale lembrar, é uma variável-chave na definição da renda, felicidade e até do número de anos que a pessoa vai viver.

        Harden faz um apanhado bem didático dos tipos de pesquisa genética que existem, as diferenças entre eles e como interpretá-los. Embora o senso comum pense os genes como determinantes, seu efeito sobre a maioria das características que nos interessam é muito mais probabilístico. Bons genes no ambiente errado não fazem milagres. E um ambiente propício pode fazer com que mesmo alguém que não tenha sido favorecido pela loteria genética se saia bem.

        Uma boa analogia é com a miopia. Ela é 100% genética, mas depende de certas condições ambientais para manifestar-se. Mais importante, mesmo quando ela dá as caras, a sociedade tem uma solução não genética 100% eficaz: óculos.


(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ helioschwartsman/2021/12/a-loteria-genetica.shtml. 18.12.2021. Adaptado)

Considerando a relação com sentido de oposição que a frase que inicia o 2º parágrafo estabelece com as informações do parágrafo anterior, essa relação de sentido permanece corretamente preservada com a inserção da conjunção destacada em:
  1. AComo esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros...
  2. BPorque esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros..
  3. CEnquanto esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros...
  4. DSe esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros...
  5. ETodavia esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Todavia esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de oposição entre o 1º e o 2º parágrafo

Gabarito: letra E. A frase que inicia o 2º parágrafo — "Esse panorama começou a mudar nos últimos anos" — estabelece com o parágrafo anterior uma relação de oposição: o 1º parágrafo descreve um quadro de ignorância e combate às pesquisas genéticas, e o 2º anuncia uma mudança desse panorama. A única conjunção que preserva essa oposição é "Todavia", conjunção coordenativa adversativa, como se lê no texto: "parte da sociedade passou as últimas décadas ignorando, quando não combatendo, pesquisas no campo da genética humana" (1º parágrafo) e "Esse panorama começou a mudar nos últimos anos" (2º parágrafo).

A chave da questão está em identificar a relação semântica entre os parágrafos antes de testar os conectivos. O 1º parágrafo fala de um passado de rejeição; o 2º, de uma virada recente. Isso é contraste/oposição, não causa, tempo ou condição.

1Adversativas (oposição)
Todavia
Mas, porém, contudo, entretanto
2Causais
Como
Porque
3Temporais
Enquanto
4Condicionais
Se
Conjunções coordenativas
LEVELsoulevel.com.br
Conjunções coordenativas: Adversativas (oposição) (Todavia, Mas, porém, contudo, entretanto); Causais (Como, Porque); Temporais (Enquanto); Condicionais (Se)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Como" é conjunção causal (ou comparativa, conforme o contexto). Inseri-la daria a ideia de que a publicação dos livros é a causa da mudança do panorama — relação que o texto não estabelece. O texto apenas justapõe os fatos: a mudança ocorreu e houve publicações. A alternativa extrapola uma relação de causa que não está autorizada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Porque" também é causal. A frase passaria a significar que a mudança do panorama aconteceu por causa da publicação dos livros. O texto não afirma isso; ele apenas apresenta a publicação como um exemplo do novo cenário ("The Genetic Lottery... é uma dessas obras"). A alternativa contradiz a relação original de oposição, trocando-a por causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Enquanto" pode indicar tempo ou proporção (simultaneidade). Inseri-la daria a ideia de que a mudança do panorama ocorreu ao mesmo tempo que a publicação dos livros — relação temporal, não de oposição. A alternativa troca a relação de contraste por uma de simultaneidade, o que desvirtua o sentido original.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Se" é conjunção condicional. A frase passaria a expressar uma hipótese: "Se esse panorama começou a mudar...". O texto, porém, afirma a mudança como fato ("Esse panorama começou a mudar"), não como condição. A alternativa contradiz o texto ao transformar uma afirmação categórica em suposição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Todavia" é conjunção coordenativa adversativa, que expressa oposição/contraste. Exatamente a relação que o 2º parágrafo estabelece com o 1º: de um lado, o passado de ignorância e combate; do outro, a mudança recente. A substituição preserva integralmente o sentido, como se vê na passagem: "parte da sociedade passou as últimas décadas ignorando, quando não combatendo, pesquisas..." (1º parágrafo) "Todavia, esse panorama começou a mudar nos últimos anos" (2º parágrafo).

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece conectivos de outras relações (causa, tempo, condição) para testar se você reconhece a oposição entre os parágrafos. O 1º parágrafo fala de um passado de rejeição; o 2º, de uma virada. Só a adversativa "todavia" mantém esse contraste.

PEGA ESSA DICA!

Antes de testar os conectivos, identifique a relação semântica entre os parágrafos. Pergunte: o 2º parágrafo contrasta, explica, condiciona ou cronometra o 1º? A resposta decide qual conjunção cabe.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/vu071547