Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — VUNESP 2022

PortuguêsCrase
Código
vu071843
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
V - - Assistente Administrativo II - Edital nº 55
Leia o texto para responder à questão.

   Os donos de cães sentem muitas vezes que os animais são bons em captar as suas emoções. Isto não é um produto da imaginação das pessoas. Estudos mostram como as pistas comportamentais e químicas dos humanos podem afetar os cães de formas que lhes permitem não só distinguir entre medo, excitação ou raiva, mas também ficarem “contagiados” pelos sentimentos dos seus companheiros humanos. “Os cães são seres incrivelmente sociais, por isso é que são facilmente contagiados pelo nosso calor e alegria”, diz Clive Wynne, professor de psicologia da Universidade do Arizona. Mas o inverso também é verdadeiro, o que significa que o stress e a ansiedade do dono também podem afetar o cão.
   Há estudos que mostram que os cães podem ficar contagiados pelos nossos bocejos, ou sentir um aumento nos níveis de cortisol quando ouvem um bebê chorar e responder ao tom emocional da nossa voz. “Os cães observam-nos muito de perto – e parte disso baseia-se no nosso olhar e linguagem corporal, mas também nos sons que fazemos e nos odores que emitimos”, afirma Monique Udell, especialista em comportamento animal da Universidade de Oregon.
   Em termos auditivos, as investigações mostram que quando os cães ouvem expressões de angústia, como o choro, ou sons positivos, como o riso, respondem de uma forma diferente do que acontece com outras vocalizações ou sons não humanos. “Quando se trata do olfato, os cães são muito sensíveis ao odor corporal – é assim que conseguem detectar diabetes e possivelmente epilepsia nas pessoas”, diz Clive.
   Não se sabe ainda se os humanos podem ficar contagiados pelas emoções dos seus cães, embora alguns especialistas acreditem que seja bastante provável. Partilhar os altos e baixos emocionais uns dos outros tende a ser uma coisa benéfica porque ajuda a criar uma ligação mais profunda e tem valor de sobrevivência. “Se pensarmos nos nossos antepassados, havia momentos de vida ou morte para os quais os nossos cães nos podiam alertar, para podermos agir rapidamente”, diz Clive. “Em termos de alarme, esta via de dois sentidos é mutuamente vantajosa para ambas as espécies”.

(Stacey Colino, “Sim, os cães podem ficar ‘contagiados’ pelas emoções
dos donos”, Portal National Geographic, 11/10/2021. Adaptado)
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas abaixo:A relação entre cães e humanos remonta ___ pré-história. Sabe-se que, ___ medida que lobos selvagens foram sendo domesticados, sua aparência e seu comportamento se transformaram até atingirem _____ características dos cães atuais.
  1. Aà … a … as
  2. Ba … a … às
  3. Ca … à … às
  4. Dà … à … as
  5. Eà … a … às
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — à … à … as

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em lacunas: regência, locução adverbial e artigo

Gabarito: letra D. A sequência correta é à … à … as: na primeira lacuna, crase obrigatória (preposição "a" exigida por "remontar" + artigo "a" antes de "pré-história"); na segunda, crase obrigatória por ser a locução adverbial feminina "à medida que"; na terceira, apenas o artigo "as", sem crase, pois "características" é objeto direto do verbo "atingir" (VTD). A banca testa exatamente a distinção entre crase por regência, crase em locução e ausência de crase diante de plural.

A chave da resolução

A questão é de crase — fenômeno da fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos. Para cada lacuna, você deve verificar duas coisas: (1) o termo anterior exige preposição "a"? (2) o termo seguinte aceita artigo feminino "a"? Se as duas respostas forem sim, há crase; se apenas uma, não há.

Vamos aplicar isso às três lacunas do enunciado:

"A relação entre cães e humanos remonta _____ pré-história."

O verbo remontar rege a preposição "a" (quem remonta, remonta a algo). O substantivo "pré-história" é feminino e admite o artigo "a". Logo: preposição + artigo = crase → à. A frase correta é "remonta à pré-história".

"Sabe-se que, _____ medida que lobos selvagens foram sendo domesticados..."

A expressão "à medida que" é uma locução conjuntiva adverbial feminina — e locuções adverbiais femininas (à medida que, à noite, às vezes, à toa) têm crase obrigatória. Portanto, a segunda lacuna é à.

"...até atingirem _____ características dos cães atuais."

O verbo atingir é transitivo direto (quem atinge, atinge algo, sem preposição). O termo seguinte é o plural "as características". Como não há preposição "a", não há crase — fica apenas o artigo as. A forma "às" seria um erro, pois exigiria preposição, o que não ocorre.

Crase
  • 1Quando ocorre
    • Preposição "a" + artigo feminino "a"
    • Preposição "a" + "a" de pronome
  • 2Teste da troca (masculino)
    • Aparece "ao" → há crase
    • Aparece "o"/"a" → sem crase
  • 3Casos da questão
    • Remontar a + a pré-história → à (regência)
    • À medida que → à (locução adverbial)
    • Atingir as características → as (VTD, sem preposição)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

à … a … as — Erra na segunda lacuna: "a medida que" não existe; a locução correta é "à medida que", com crase obrigatória. A primeira e a terceira estão certas, mas a segunda derruba a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

a … a … às — Erra na primeira e na terceira. Na primeira, falta a crase: "remonta a pré-história" está errado, pois o verbo exige preposição e o substantivo aceita artigo — o correto é "remonta à pré-história". Na terceira, "às características" é incorreto, pois "atingir" não pede preposição; o certo é "as características".

Alternativa C — ❌ Incorreta

a … à … às — Erra na primeira (falta crase) e na terceira (crase indevida). A segunda está correta ("à medida que"), mas as outras duas falham.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

à … à … as — Sequência perfeita: crase por regência + artigo (remonta à pré-história), crase em locução adverbial feminina (à medida que) e artigo sem crase diante de plural (atingirem as características). É a única que acerta as três lacunas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

à … a … às — Erra na segunda ("a medida que" sem crase) e na terceira ("às características" com crase indevida). A primeira está correta, mas as demais falham.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase diante de palavra feminina e crase em locução adverbial, além de testar se o candidato sabe que não há crase antes de plural quando não há preposição exigida. A alternativa C é a mais sedutora, pois acerta a locução, mas erra a regência e o plural.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça o teste da troca: substitua o termo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o" ou "a" sem preposição, não há. Ex.: "remonta ao passado" (crase) → "remonta à pré-história"; "atingir o objetivo" (sem crase) → "atingir as características".

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/vu071843